O Halloween – também conhecido no Brasil como Dia das Bruxas – é uma festa popular nos EUA na qual, no dia 31 de Outubro, crianças saem fantasiadas de fantasmas e monstros e vão de porta em porta pedir doces aos adultos dizendo “Trick or Treats” (“Travessuras ou Gostosuras”, em tradução livre). É também uma ocasião em que crianças e adultos se reúnem para assistir filmes de terror acompanhados das tradicionais pipocas e não menos tradicionais refrigerantes.

De uns anos para cá, muitas pessoas tentam introduzir essa festa no Brasil. Algumas abraçam a ideia com entusiasmo, enquanto outras a repelem com veemência. Independente dessa discussão, foi feita aqui uma seleção de filmes de terror que vão deixar os cinéfilos de cabelos arrepiados tanto no Halloween como nos outros dias do ano. E a quantia escolhida, sete, não foi por acaso, pois, assim como o 13, é um número considerado sinistro.

Divirtam-se com essa seleção e não se esqueçam de olhar debaixo da cama antes de dormir. Sabe-se lá o que pode estar embaixo…


O Vampiro da Noite (1958)

A produtora Hammer Film foi fundada na Inglaterra em 1934 e, a partir de 1955, especializou-se em fazer filmes de terror. As produções eram relativamente baratas, tinham sucesso de público e, muitas vezes, de crítica. Um desses sucessos de público e crítica foi um remake da obra do escritor irlandês Bram Stoker (1847-1912), o clássico Drácula, que já havia tido duas grandes adaptações: Nosferatu (1922), do diretor alemão F. W. Murnau, e tendo à frente do elenco o também alemão ator Max Schreck; e Drácula (1931), dirigido pelo estadunidense Tod Browning, e estrelado pelo ator romeno Bela Lugosi. Ambos filmes clássicos.

Para evitar problemas com direitos autorais, a nova versão chamou-se Horror of Dracula (Horror de Drácula, em inglês) que, no Brasil, ficou conhecido como O Vampiro da Noite. A história é bastante conhecida do público: após uma longa viagem de Londres até a Transilvânia, Jonathan Harker (o sul-africano John Van Eyssen, de Exodus) encontra-se com o sinistro Conde Drácula (o recém-falecido ator inglês Christopher Lee, das sagas O Senhor dos Anéis e Star Wars – veja aqui), que, na verdade, é um vampiro. Drácula mata Harker e parte para a Inglaterra em busca de vingança. Ao chegar, rapta a bela Mina (a escocesa Melissa Stribling, de Noites de Decameron) e somente o Dr. Abraham Van Helsing (o inglês Peter Cushing, de A Mansão da Meia-Noite) e o marido de Mina, Arthur (o também inglês Michael Gough, de Batman, o Retorno), podem deter o monstro.

O filme foi um sucesso absoluto e trazia algumas novidades: uma mistura de terror com sensualidade (que incluía belas mulheres com decotes generosos) e um vigor físico que, até então, não havia em filmes do gênero. A direção do inglês Terence Fisher (de A Maldição de Frankenstein), um velho colaborador da Hammer, criou o tom gótico e sombrio adequados, mesmo com o filme sendo em cores.

Christopher Lee e Peter Cushing foram elevados à categoria de astros e Mestres do Terror, sendo que Lee é considerado até hoje o melhor Drácula do cinema ao lado de Bela Lugosi, assim como Cushing ficou consagrado como Van Helsing, do mesmo modo que seu outro grande papel, o do Barão Frankenstein. E os dois ainda formaram uma das maiores duplas do cinema, tendo feito mais de 20 filmes juntos.

Veja o trailer oficial de O Vampiro da Noite (original em inglês):

O Bebê de Rosemary (1968)

Já fazia algum tempo que o então jovem diretor polonês Roman Polanski (de O Pianista) vinha chamando a atenção de Hollywood com filmes como Repulsa ao Sexo (1965) e Armadilha do Destino (1966). Quando Polanski realizou com sucesso a comédia de terror A Dança dos Vampiros (1967) com a bela atriz estadunidense Sharon Tate (de O Olho do Diabo), que se tornaria sua esposa, o produtor e diretor William Castle (de Plano Para Matar) ficou convencido que aquele europeu baixinho era o homem certo para realizar sua nova produção, uma adaptação do romance do escritor Ira Levin (1929-2007), chamada O Bebê de Rosemary.

Com roteiro do próprio Polanski, o filme conta a história do jovem casal Woodhouse, Guy (John Cassavetes, de Os 12 Condenados) e Rosemary (Mia Farrow, de Hannah e suas Irmãs), que acaba de se mudar para seu novo apartamento em um sinistro edifício onde moram estranhas pessoas, dentre elas o casal de idosos Roman Castevet (Sidney Blackmer, de Alta Sociedade) e sua esposa, Minnie (Ruth Gordon, de Ensina-me a Viver). Sem que Rosemary saiba, Roman e Minnie fazem parte de uma seita de bruxas que querem que ela dê a luz ao filho do demônio. Rosemary engravida e, à medida que se aproxima a hora do parto, a tensão e o terror aumentam. O final do filme é arrepiante e inesquecível.

Sucesso absoluto de público e crítica, misturando o horror com thriller psicológico, O Bebê de Rosemary tornou-se um dos mais assustadores filmes de terror de todos os tempos, além de um clássico do cinema. Polanski recebeu uma indicação ao Oscar e ao Globo de Ouro de melhor roteiro adaptado, enquanto Ruth Gordon conquistou esses mesmos prêmios como atriz coadjuvante.

O filme teve uma sequência, chamada Veja o Que Aconteceu ao Bebê, também com Ruth Gordon, feita para a TV, em 1976; e um remake, também para a televisão, em 2014, com Zoe Saldaña (de Sentimentos Que Curam) como Rosemary. Mas, nenhum deles chegou aos pés do original.

Dizem que certos filmes de terror são amaldiçoados. Um ano após o lançamento d’ O Bebê de Rosemary, a esposa de Roman Polanski, Sharon Tate, grávida de oito meses, foi brutalmente assassinada pelo louco Charles Manson e sua “família”. Eles foram condenados à morte, com a pena comutada em prisão perpétua. O luxuoso, mas sombrio, edifício Dakota, na cidade de Nova York, utilizado nas filmagens, foi local de outra tragédia: em 8 de dezembro de 1980, o ex-Beatle John Lennon, morador do prédio, voltava do trabalho e estava em frente ao portão quando foi assassinado a tiros por outro tresloucado, Mark Chapman, que também foi condenado à prisão perpétua.

Coincidência? Talvez. Mas…

Veja o trailer oficial de O Bebê de Rosemary (original em inglês):

A Casa de Noite Eterna (1973)

Este é um filme que anda meio esquecido, mas fez sucesso na época de seu lançamento. É baseado no romance Hell House, do escritor estadunidense Richard Matheson (1926-2013), também autor do roteiro, que teve várias de suas obras adaptadas para o cinema e a televisão tais como Encurralado (1971), Em Algum Lugar do Passado (1980) e Eu Sou a Lenda (2007).

A Casa de Noite Eterna (The Legend of Hell House, no original em inglês) conta a história do casal de físicos estudiosos de parapsicologia Lionel Barret (o neozelandês Clive Revill, de A Vida Íntima de Sherlock Holmes) e sua esposa, Ann (a bela estadunidense naturalizada britânica Gayle Hunnicutt, de Scorpio), que são contratados pelo excêntrico milionário, Sr. Deutsch (o inglês Roland Culver, de Na Solidão da Noite), para investigar a Casa Belasco, uma mansão conhecida como “o Monte Everest das casas assombradas”. Também são contratados para essa missão a jovem médium Florence Turner (a britânica Pamela Franklin, de Primavera de Uma Solteirona) e o sensitivo Ben Fischer (o também inglês Roddy McDowall, da franquia Planeta dos Macacos), único sobrevivente de uma investigação realizada 20 anos antes no local.

Dirigido pelo versátil diretor inglês John Hough (de A Montanha Enfeitiçada), A Casa de Noite Eterna é um típico filme de casa mal-assombrada, com a mansão antiga, assustadora, cheia de teias de aranhas, passagens secretas, gato preto e, claro, o fantasma que infesta o lugar. Tem um elenco bom e em plena forma, excelente clima gótico e com efeitos especiais que, embora tenham sido feitos há mais de 40 anos, continuam eficientes e convincentes. Foi um dos primeiros filmes de terror a usar música eletrônica como trilha sonora (de autoria de Delia Derbyshire e Brian Hodgson). O ator inglês Michael Gough (de O Vampiro da Noite) faz uma ponta não creditada, mas importante.

Embora muitos momentos de tensão e de sexualidade do texto original tenham sido retirados do roteiro pelo próprio Matheson por razões desconhecidas, é um terror de classe, que foi um campeão de reprises na TV brasileira, resiste ao tempo e permanece como um dos melhores exemplares de seu gênero.

Veja o trailer oficial de A Casa de Noite Eterna (original em inglês):

https://www.youtube.com/watch?v=1sJhdMwOtRU

Fome de Viver (1983)

Durante a década de 1970, os filmes de vampiros – com as exceções óbvias – estavam por baixo, principalmente devido à decadência da produtora Hammer Film, que popularizou o gênero e fechou em 1979 (retornaria às atividades em 2007). Porém, na década de 1980, os vampiros voltaram à moda e o filme que iniciou esse revival foi Fome de Viver (The Hunger, no original em inglês).

Baseado no romance de mesmo nome do escritor estadunidense Whitley Strieber, o filme conta a história do casal de vampiros Mirian Blaylock (a francesa Catherine Deneuve, de Indochina), bela, perigosa, com muitos séculos de idade e apreciadora de música clássica; e John (o cantor e músico inglês David Bowie, de O Homem Que Caiu na Terra), um violoncelista de muito talento do século XVII, sedutor e igualmente perigoso. Porém, enquanto Mirian permanece jovem, John começa repentinamente a envelhecer com grande rapidez. Ele procura a Dra. Sarah Roberts (a estadunidense Susan Sarandon, de Thelma & Louise), uma especialista em distúrbios de envelhecimento. Intrigada com a doença de John, Sarah encontra Mirian, que a convida para ficar no lugar de seu antigo amante.

Segundo filme do diretor Tony Scott (de Top Gun), que vinha da publicidade (era especializado em comerciais de TV), Fome de Viver fez sua estreia oficial no Festival de Cannes. A crítica torceu o nariz para o filme, mas o público gostou do charmoso casal Deneuve-Bowie, do amor bissexual dos vampiros (um tema que seria retomado anos depois no filme Entrevista Com o Vampiro), do clima neogótico e de sua fotografia escura (feita por Stephen Goldblat, de Máquina Mortífera).

O filme consegue ser, ao mesmo tempo pós-moderno, estiloso, glamouroso e sombrio, o que acabou lhe dando o status de Cult Movie, principalmente entre as tribos de culturas góticas. A cena inicial de Mirian e John em uma casa noturna à procura de novas vítimas ao som da música “Bela Lugosi is Dead” (“Bela Lugosi está Morto”), da banda de Gothic Rock Bauhaus, é simplesmente antológica.

Durante as filmagens, Susan Sarandon e David Bowie tiveram um relacionamento o qual Susan definiu como “um período realmente interessante”. E para aqueles que gostam de procurar maldições em filmes, basta se lembrarem do suicídio de Tony Scott, ocorrido em 2012, por razões ainda não muito claras…

Veja o trailer oficial de Fome de Viver (original em inglês):

A Bruxa de Blair (1999)

Se a década de 1980 no cinema de terror foi dos vampiros, a década de 1990 foi das bruxas, com um ciclo que vai desde a comédia Abracadabra (1993), passando pela fantasia adolescente Jovens Bruxas (1996) e culminando com o aterrador A Bruxa de Blair.

Dirigido e com roteiro escrito a quatro mãos pelos estadunidenses Daniel Myrinck (de Força Especial) e Eduardo Sánchez (de Eles Existem), conta a história dos estudantes Heather Donahue (de Amor ou Amizade), Michael C. Williams (da série de TV Desaparecidos) e Joshua Leonard (de Se Eu Ficar) que, como parte de um projeto para a faculdade, vão para a pequena cidade de Burkittsville, no estado de Maryland, EUA, fazer um documentário sobre a lenda local da Bruxa de Blair. Os estudantes desapareceram e, um ano depois, foram encontradas as fitas dos filmes que mostram as cenas dos cinco últimos e aterrorizantes dias de vida dos jovens.

Para uma dar uma sensação de maior veracidade, o filme foi feito em forma de documentário, inclusive com entrevistas espontâneas, que mostra uma grande capacidade de improvisação do elenco e com os atores usando os próprios nomes ao invés de pseudônimos. As filmagens na tenebrosa floresta dão um clima de tensão que chega a ser tangível. Para aumentar o realismo, a produção – que estava camuflada e escondida na mata – assustava os atores com ruídos, gritos, objetos estranhos, bilhetes para alimentar a discórdia entre eles. Eles chegaram a ficar privados de sono e alimentos para estarem a ponto de terem um ataque de nervos!

Este é um filme independente completamente despretensioso e que foi um verdadeiro sucesso-surpresa. Teve um orçamento de apenas 22 mil dólares e faturou quase 250 milhões de dólares no mundo inteiro tendo se tornado um dos filmes mais lucrativos da história em relação ao investimento. Foi aclamado pela crítica e consagrado pelo público. Entre outros prêmios, conquistou o Prêmio da Juventude – Filme Estrangeiro do prestigioso Festival de Cannes e Melhor Primeiro Filme – Abaixo de U$ 500 mil do Independent Spirit Award, dedicado ao cinema independente.

Teve uma continuação no ano seguinte chamada A Bruxa de Blair 2: O Livro das Sombras, que foi um completo fracasso. Entretanto, o diretor Eduardo Sánchez garante que ainda virá um A Bruxa de Blair 3 por ser “algo inevitável”. Os fãs apenas esperam que esse terceiro filme seja, no mínimo, melhor que o segundo.

Veja o trailer oficial de A Bruxa de Blair (original em inglês):

O Exorcismo de Emily Rose (2005)

Como vimos anteriormente, os filmes de terror tem os seus ciclos como os já vistos de vampiros e bruxas, além do supersaturado de zumbis. Um novo ciclo que está em moda nos atuais filmes de terror é o de exorcismos. Essa onda atual começou em 2005 com dois filmes da franquia O Exorcista: o primeiro é O Exorcista – O Início, do diretor estadunidense Renny Harlin (Duro de Matar 2) seguido de Domínio: Prequela do Exorcista, dirigido pelo também estadunidense Paul Schrader (A Marca da Pantera). Há também o filme Requiem, do diretor alemão Hans-Christian Schmid (de Na Floresta, Depois das Cinco); a franquia O Último Exorcismo, iniciada em 2010 (o último filme é de 2013); e o recente Exorcistas do Vaticano, de Mark Neveldine (veja a nossa crítica aqui). Porém, entre esses filmes, há um que se destaca por sua qualidade e inovação: O Exorcismo de Emily Rose.

Após a morte da jovem de 19 anos, Emily Rose (a estadunidense Jennifer Carpenter, da série de TV Dexter), devido à desnutrição e ferimentos auto-infligidos durante um ritual de exorcismo, o padre Richard Moore (o inglês Tom Wilkinson, de O Escritor Fantasma), que conduziu o ritual, é preso e acusado de negligência e homicídio doloso. Em sua defesa está a advogada agnóstica Erin Brunner (a estadunidense Laura Linney, de Sobre Meninos e Lobos) que, a princípio, não acredita muito nessa história de exorcismo. Mas, à medida que o julgamento prossegue, vai mudando de opinião e luta para libertar o padre das acusações do promotor metodista Ethan Thomas (o estadunidense Campbell Scott, de Meu Querido Companheiro).

A direção e roteiro são do estadunidense Scott Derrickson (de A Entidade), que baseou o filme na história verídica, ocorrida na década de 1970, da jovem alemã católica Anneliese Michel, que dizia estar possuída por vários demônios e morreu após muitas sessões de exorcismo. O filme intercala a sessões do tribunal com os depoimentos das testemunhas, que reconstituem o ocorrido de acordo com seu ponto vista e apresenta os embates de sobrenatural x ciência e leis de Deus x leis dos homens.

O Exorcismo de Emily Rose inova por introduzir uma categoria de filme inédita: o “terror e tribunal”. A crítica ficou dividida, mas o bom roteiro e a direção segura de Derrickson aliada à boa atuação do elenco, principalmente de Jennifer Carpenter, fez com que o filme não só se diferenciasse das outras produções do gênero como ficasse em um patamar acima dessas.

O filme conquistou o Saturn Awards (o Oscar dos filmes de fantasia, ficção científica e terror) de Melhor Filme de Terror e Jennifer Carpenter recebeu o MTV Movie Awards (premiação do canal por assinatura MTV) por sua atuação.

Veja o trailer oficial de O Exorcismo de Emily Rose (original em inglês):

https://www.youtube.com/watch?v=ULuC2XkFiD8

Encarnação do Demônio (2008)

Não poderíamos fazer uma lista de filmes de terror sem apresentar o maior nome do gênero no Brasil, um cineasta conhecido e respeitado internacionalmente: José Mojica Marins, mais conhecido como Zé do Caixão (no exterior, especialmente nos EUA, é conhecido como Coffin Joe) que, recentemente, foi homenageado com uma amostra de seus filmes na famosa casa noturna do underground paulistano Madame Underground Club, que, antigamente, era chamada de Madame Satã (veja aqui), e também na 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, onde recebeu o Prêmio Leon Cakoff pelo conjunto de sua obra. Mojica dirigiu mais de 30 filmes em sua longa carreira (veja aqui).

Em Encarnação do Demônio, temos a volta de Josefel Zanatas, o Zé do Caixão. Depois de cumprir uma pena de 40 anos de prisão, Zé do Caixão retorna ao seu plano-mestre: encontrar a mulher superior para que esta gere o seu filho perfeito. Com a ajuda de seu fiel criado, Bruno (Rui Resende, de A Grande Família – O Filme), e fanáticos seguidores, Josefel reinicia a sua busca em meio a muita depravação e violência. Entretanto, visões de suas vítimas do passado e de mundos sobrenaturais mostradas pelo Mistificador (o dramaturgo José Celso Martinez Corrêa, de Árido Movie) insistem em atormentá-lo. E, além disso, terá que enfrentar a ira de seus inimigos como os irmãos policiais militares Coronel Claudiomiro “Miro” Pontes (Jece Valadão, de Os Cafajestes, em seu último filme) e Capitão Osvaldo Pontes (Adriano Stuart, de Boleiros – Era Uma Vez o Futebol, também em seu último filme), juntamente com o sado-masoquista e vingativo Padre Eugênio (Milhem Cortaz, de Crô – O Filme).

Contando com o maior orçamento de sua carreira (R$ 1 milhão à época), Mojica fez um grande filme de terror com tudo ao qual tinha direito: clima tétrico (ajudado pela ótima fotografia de José Roberto Eliezer e pela igualmente ótima trilha sonora de André Abujamra e Márcio Nigro), sangue, sexo e muito horror. O filme é um resumo de sua carreira, que inclui cenas de seus clássicos – que formam a “Trilogia do Zé do Caixão” – À Meia Noite Levarei Sua Alma (1963) e Esta Noite Encarnarei No Teu Cadáver (1967), sendo que neste foram acrescentadas novas cenas interpretadas por um sósia e fã de Mojica, o estadunidense Raymond Castille.

Encarnação do Demônio foi um sucesso de público e crítica – tendo conquistado, entre outros, o prêmio de Melhor Filme no Festival de Paulínia; Melhor Filme e Melhor Diretor no Festival de Filmes do SESC, e o prêmio “Midnight X-Treme” no Festival Internacional de Cinema de Stiges (Espanha) – e encerra de forma digna e brilhante a trilogia do icônico personagem de Mojica. No mesmo ano de seu lançamento, o filme foi exibido no Festival de Veneza na mostra “Midnight Movies” (“Filmes da Meia-Noite”, em inglês).

Em 2014, o cineasta sofreu um enfarte, mas para a felicidade de seus admiradores, recuperou-se bem. E, para breve, será exibida uma minissérie feita para a televisão que contará a história de um dos maiores diretores brasileiros de sempre tendo o ator Matheus Nachtergaele (de O Auto da Compadecida) como intérprete do papel principal (veja aqui).

Veja aqui o vídeoclipe da canção Maldito (Zé do Caixão) interpretada pela banda de Metal Alternativo Maldita e que conta com a participação de José Mojica Marins: