Apesar dos trailers do último episódio de The Flash, “King Shark”, terem sugerido que seria um episódio tremendamente divertido, a verdade é que em grande parte ele se parece com a ressaca da viagem do time para a Terra-2 nas últimas duas semanas.

De certa forma, faz sentido que depois de visitar suas “versões alternativas” em um universo novo, os personagens não se sentiriam como si mesmos; e também faz sentido que convidados de Arrow apareçam em um episódio em que Barry está mais “para baixo”, quase como um certo Oliver Queen. Como sempre, no entanto, The Flash não alcança o seu melhor quando empresta o tom mais pesado de sua série-irmã.

Os visitantes de Arrow são Diggle e Lila, que chegam à Central City em busca de um fugitivo da ARGUS – o vilão meta-humano Tubarão-Rei, que vimos anteriormente no insanamente divertido “The Fury of Firestorm”. Necessariamente, visto que trazer o Tubarão-Rei à vida é um trabalho de efeitos especiais caro, ele não pode carregar todo o episódio, mas pelo menos é uma oportunidade para Cisco fazer mais referências ao filme Tubarão! Como Grodd e Zoom, o vilão é mesmo melhor em pequenos flashes do que em grandes espaços de tempo. A isca em formato de Flash que usam para atrair o vilão é uma piada visual muito boa, e a perseguição no oceano é uma das cenas de ação mais cool da temporada.

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Um dos problemas é que os roteiristas ainda não entenderam muito bem como usar Wally. É fácil para uma nova adição ao elenco se perder no embaralhar de personagens, especialmente com todas as chegadas e partidas, sem contar “versões alternativas” de personagens, sendo introduzidas. O episódio de hoje o colocou mais perto do centro da ação, armando uma espécie de rivalidade entre ele e Barry, e de fato é estranho que os dois personagens ainda não tenham dividido mais tempo de tela até agora. Barry está deprimido desde os acontecimentos na Terra-2, então o personagem que vemos aqui está mais interessado em “acelerar” o processo de construção do carro-turbina do que em conhecer seu meio-que-irmão.

É claro que Barry tem suas razões. Apesar do aviso de Harry de que contar para Joe, Iris ou Caitlin sobre suas “versões alternativas” não seria uma boa ideia, visto que saber dos destinos desses “eus paralelos” poderia alterar o curso do destino de todos eles, nem Cisco nem Barry conseguem manter segredo. Barry conta para Joe e Iris sobre as suas versões da Terra-2, e assume responsabilidade pela morte de Joe-2, soando mais Oliver Queen do que nunca quando reclama: “Tudo que aconteceu é minha culpa”. Interessante que Diggle esteja por perto, portanto, para conversar com Barry e convencê-lo a tomar controle de sua vida novamente.

Cisco sendo Cisco, ele também deixa escapar para Caitlin sobre sua contraparte na Terra-2 ter assumido a identidade vilanesca de Killer Frost. O comportamento frio e distante da personagem no episódio é interpretado por muitos como um sinal de que Frost pode estar no futuro da Caitlin da Terra-1 também, mas a personagem explica para Cisco que essa é apenas uma reação normal quando seus dois últimos namorados foram mortos na sua frente. O problema é que The Flash nunca vendeu muito bem o relacionamento Jay/Caitlin, ou aliás a relação de Jay com Barry como mentor e aprendiz. Basicamente, o personagem foi usado com pouca relevância ou investimento durante sua estadia na série, então as consequências de sua morte não ressoam como deveriam.

Há uma razão alternativa para isso, no entanto: Jay não está morto. Ele é Zoom, como nos foi revelado na anti-climática cena do final do episódio – e o produtor Andrew Kreisberg já deu entrevista à Variety que o Jay que vemos por baixo da máscara do Zoom é o mesmo que conhecemos no decorrer da temporada, o que significa que o Jay que Zoom matou no episódio passado é alguma outra versão alternativa do personagem.

Mas como isso funciona? E o prisioneiro da máscara de ferro, é outro Jay? Nenhuma dessas perguntas vai ser respondida tão logo, visto que a série parte para um hiato de um mês agora, então por enquanto a revelação não é tão chocante nem tão revolucionária quanto poderia.