Não é muito surpreendente que The Flash tenha colocado todo o material mais divertido de sua visita à Terra-2 no episódio passado e tenha deixado que essa segunda parte, exibida nesta terça (16) nos EUA, carregasse a trama mais para frente. Estamos quase entrando no último terço da temporada, então estava na hora de Zoom parar de fazer só aparições breves e assustadoras para se tornar um vilão de verdade.

A julgar pelas redes sociais, muita gente achava que a série iria revelar a identidade de Zoom neste último episódio, mas isso não aconteceu – a não ser que tenha acontecido, sim, de uma forma discreta. O episódio pareceu deixar várias migalhas e pistas pelo caminho, mas não trouxe uma revelação direta.

O primeiro suspeito a ser eliminado é o Barry da Terra-2, uma vez que o vemos acordar desorientado e, graças à Cisco, que recapitula todos os acontecimentos da semana passada, começar a entender no que está metido. Grant Gustin exagera um pouco na performance como essa outra versão do personagem, desenhado pelo ator como um estereótipo direto dos desenhos do Scooby-Doo. O Barry-2 não é completamente inútil, no entanto, visto que ele descobre um algoritmo que os ajudará a encontrar Killer Frost (Nevasca), esperando que sua raiva quanto à morte de Robbie a faça ajuda-los a encontrar Zoom. Ela não parece fã dessa ideia, mas Cisco a convence com argumentos baseados no elo que existe entre ele e a versão Terra-1 da personagem, provando que a amizade transcende dimensões.


Barry-1 ainda está preso no covil do Zoom, com o misterioso refém de máscara metálica. Ele é incapaz de falar, ou ao menos de ser ouvido, mas logo Barry e Jesse descobrem que o incessante bater de dedos que o personagem faz contra a o vidro de sua sala é um código usado por prisioneiros de guerra, e desvendam uma palavra: “Jay”. É aí que as coisas começam a ficar um pouco estranhas.

A epifania de que Jay pode muito bem ser o Zoom deve ter passado pela cabeça de todos os espectadores, especialmente porque o personagem estava convenientemente dormindo durante o ataque do Geomancer ao laboratório. Será que ele esteve passando pelas brechas interdimensionais esse tempo todo e interpretando o papel duplo de vilão e aliado dos heróis? Será que seu incentivo para que Caitlin desenvolvesse a Velocity-9 era só uma maneira dele poder fazer isso de forma mais rápida?

No entanto, assim que o espectador começa a tentar se lembrar se já vimos Zoom e Jay no mesmo lugar ao mesmo tempo, o episódio terminou com uma resposta que parece definitiva para essas perguntas. Com a ajuda de Frost, Barry e Jesse escapam de suas celas, e correm contra o tempo para atravessar o portal entre as dimensões antes que ele se feche definitivamente – alguns segundos antes disso acontecer, no entanto, Zoom estica o braço em direção à Terra-1, arranca o coração de Jay Garrick, e o leva de volta para a Terra-2 consigo. A especulação a partir daí é inevitável: o prisioneiro mascarado é o “verdadeiro” Jay Garrick? O Jay que estivemos assistindo é de alguma outra dimensão? Qualquer um dos dois é Hunter Zolomon, o Jay da Terra-2? Zoom é um deles, ou nenhum deles?

“Escape From Earth-2”, o episódio, funciona melhor como um pedaço do quebra-cabeças do que como um arco dramático realizado. Ele tem seus momentos, como Barry-2 se enchendo de coragem a ponto de conseguir falar com sua super-poderosa contraparte da Terra-1 e incentivá-lo a seguir em frente, mas é apenas um recorte de narrativa, não um dos melhores episódios de The Flash.

As subtramas do episódio mal registram com o espectador, como Iris tentando fazer uma matéria sobre Jay Garrick e encontrando resistência em seu chefe, Scott Evans. Zoom ainda é uma figura que provoca medo, mas não estamos nem um pouco mais perto de descobrir sua identidade.