O primeiro teaser trailer de Doutor Estranho, novo filme da Marvel, abre tantas possibilidades excitantes para o universo cinematográfico da editora que fica difícil sumarizá-las em um só texto.

É claro, o personagem sempre foi absurdamente importante dentro do contexto do universo Marvel dos quadrinhos. O maior de todos os magos e místicos da editora atuou normalmente como uma força agregadora dos heróis, como uma perspectiva cósmica do que as histórias e arcos de narrativa significavam, e como uma forma rápida de passear por realidades alternativas, soluções mirabolantes para mortes de personagens e ressureições, entre outras extravagâncias particulares dos quadrinhos.

Agora, é notável que a Marvel ainda não mergulhou nesse aspecto de seu universo no cinema. Embora os poderes de alguns dos heróis e vilões que vimos até agora sejam espetaculares, com a exceção do Deus nórdico Thor todos os personagens adquiriam seu status de “super” através da ciência ou da tecnologia. Doutor Estranho é singularmente empolgante porque é o filme que vai mudar isso, e que vai abrir a possibilidade das dezenas de outros filmes que vem por aí fazer o mesmo.


Os breves dois minutos da prévia lançada na madrugada de hoje (13) mostram Stephen Strange como um cirurgião no topo de sua carreira e, depois, como uma versão esfarrapada de si mesmo, buscando em lugares longínquos alguma inspiração. Os cortes entre um e outro Stephen onde podemos ver os dois visuais bem distintos de Benedict Cumberbatch e de tudo ao redor dele, sugerem desde o começo várias dimensões e, quem sabe, até uma narrativa fragmentada.

O encontro do personagem com a Anciã vivida por Tilda Swinton (em um papel que é tradicionalmente masculino nos quadrinhos) nos dá a primeira ideia de como o filme traduzirá os poderes mágicos que são injetados (não literalmente) em Strange para que ele se torne o Doutor Estranho. Vemos o Doutor se separar de sua aura, que aparece como um fantasma brilhante e espantado atrás dele; vemos manipulações de tempo e de espaço; vemos o desdobramento de várias realidades a la A Origem, de Christopher Nolan.

Nós admitimos, sim, que talvez a Marvel não vá arriscar tanto quanto estamos fazendo parecer. No final das contas, Doutor Estranho é também uma história de origem, contando do acidente de carro sofrido por Strange e de seu encontro com a Anciã e seu convencimento, após um início cético, da existência da magia e dos poderes que ele logo, ambiciosamente, almeja controlar.

Nossa aposta, no entanto, em uma narrativa mais ousada e com mais profundidade do que a simples história de origem tem base em algumas coisas: o produtor Kevin Feige já disse que o filme do Doutor Estranho “não poderia ser mais diferente de todos os outros”; o astro Benedict Cumberbatch é um tremendo ator, e dá para notar sutis diferenças que ele coloca entre as várias “versões” de Strange que vemos no trailer (sem contar que o próprio declarou que “muita loucura acontece” no filme); e como uma introdução ao aspectos mais “malucos” de seu universo, Doutor Estranho é a aposta perfeita com a equipe perfeita.

Dirigido pelo cineasta de terror Scott Derrickson (A Entidade, O Exorcismo de Emily Rose) e escrito por uma dupla que junta um roteirista de Prometheus e outro do próprio A Entidade, será mesmo que Doutor Estranho vai ser um filme comum? Temos que esperar até dia 03 de novembro para saber, mas a nossa aposta é que não, e nós não poderíamos estar mais animados com isso.