O primeiro episódio da primeira sitcom brasileira da FOX é uma delícia. Desde os diálogos bem transados até a escolha do elenco, tudo funciona muito bem – e nós, os espectadores, somos fisgados com uma facilidade prodigiosa. André Pellenz, o autor, e sua equipe acertaram em cheio.

Contando a história de um ex-atleta trintão que retorna para a casa dos pais e encontra uma realidade totalmente diferente da que esperava, Prata da Casa envolve-nos em uma trama repleta de situações engraçadas, em que temos a oportunidade de nos divertir por breves 30 minutos rindo (algumas vezes, gargalhando!) do ridículo da vida.

A premissa é simples, como geralmente se espera de um ponto de partida de sitcom, e a força do enredo está concentrada nos personagens e nas suas interações uns com os outros. Essa dinâmica se encaixa muito bem aqui justamente porque os personagens têm carisma e são bem escritos, além de bem incorporados por atores talentosos (destaque para a participação hilária de Pedro Paulo Rangel). É bacana acompanhá-los, estar junto deles, cena após cena. O que pode acontecer a esses queridos personagens nos próximos episódios? Fica no ar aquele famoso gostinho de “quero mais”.


Há uma leveza na abordagem das cenas de Sérgio Henrique (Rodrigo Pandolfo), o “prata da casa”, que encantam sem precisar de muitos artifícios. E a dinâmica marido x mulher interpretados por Diogo Vilela e Françoise Forton é algo que certamente vai dar bastante pano para manga daqui para frente: trata-se de um casal que, neste primeiro episódio, comemora – civilizadamente – a sua separação – com direito a um jantar de despedida! Este componente do absurdo nas relações humanas, calcadas essencialmente no afeto, como bem observou Vilela durante a coletiva de imprensa, afasta o humor do espectro do over e o aproxima do coração. A relação risos x afeto é muito bem construída pelo roteiro e pelos atores que parecem se gostar de fato.

É claro que há momentos em que a série deixa escapar umas coisas desnecessárias: um diálogo expositivo aqui, uma piada antiquada ali. Difícil ser convencido pela personagem da amante de Diogo Vilela, interpretada por Flávia Garrafa. De todos, é a único que cheira a caricatura, distanciando um pouquinho a série de sua proposta de busca pelo novo. A sorte é que o tempo da amante em cena é curtíssimo e não compromete o andamento pulsante da sitcom.

Há de se destacar a pegada moderna de Prata da Casa: longe de se apoiar em estereótipos tão explorados em besteiróis na televisão e no cinema, a série utiliza-se de situações clichê, como a traição, por exemplo, para contorcer as expectativas e dar um frescor a o que se imaginava batido.

Neste primeiro episódio, Sérgio Henrique flagra sua namorada o traindo. Hum… “Já vi isso antes”, você deve estar pensando. Mas espera aí: não é traição com o chefe (prato cheio para os machistas de plantão), é com o estagiário. Alguma coisa mudou. E o traído enfurece-se, pensando em fazer algo violento, mas logo depois ele chega à conclusão de que é covarde demais para tanto ou mesmo de que jamais cometeria tal atrocidade por não condizer com a sua personalidade mansa. E ah, no meio disso tudo, a mulher no controle da situação, administrando os nervos dos dois machos em zona de risco. Toda a sequência é divertida demais e lembra um pouco o humor desajeitado que Woody Allen costuma empregar em alguns dos seus filmes – logo de cara me veio à mente uma cena do recente Café Society, que envolve um date fracassado de um jovem nervoso com uma prostituta solícita.

É ao apoiar-se nesse humor entranhado nos pequenos absurdos do cotidiano, da vida amorosa, das relações familiares e por aí vai, que Prata da Casa encontra seu centro e sua fonte de inspiração. Há vontade de ousar mais expressa em todo canto, mas nada que se concretize de fato para deixar-nos de boca aberta – por enquanto! Esperemos pelos próximos capítulos… O que importa é que este rendeu ótimas risadas e uma quedinha gostosa pelos personagens. Divertir-se é saudável e Prata da Casa sabe disso.

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Prata da Casa
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