Há uma semana atrás foram indicados os finalistas ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, prêmio este concedido pela Academia Brasileira de Cinema àqueles que julga serem os melhores do ano no cinema nacional. Aquarius, de Kleber Mendonça Filho, inegavelmente é o favorito à estatueta de melhor filme de ficção – mesmo que Elis, filme sobre Elis Regina dirigido por Hugo Prata, seja o recordista de indicações com 12 ao total. Quanto aos documentários, é possível dizer que Cinema Novo, de Eryk Rocha, pela sua repercussão ano passado desde a estreia no Festival de Cannes, se coloca como o favorito dentre os indicados a melhor filme documentário.

Contudo, uma questão que muito marcou a lista de indicados é justamente a ausência de filmes os quais foram destaques elogiados da produção nacional ano passado. Os “injustiçados” ou nem foram lembrados na lista final ou somente o foram em poucas e coadjuvantes categorias: São Paulo em Hi Fi, Campo Grande, Ela Volta na Quinta, O Signo das Tetas, O Silêncio do Céu, Ralé, por exemplo, não foram indicados à nenhuma categoria mesmo com a suas boas recepções, boas assim como as de Sinfonia da Necrópole e outros que foram indicados, porém marginalizados da corrida principal (no caso deste filme de Juliana Rojas, apenas uma indicação a melhor som, pelo belíssimo trabalho realizado nesse quesito na comédia musical). Enquanto isso, filmes como Reza a Lenda e Pequeno Segredo foram indicados a categorias protagonistas e privilegiadas – como as de direção e atuações – mesmo com a morna recepção desses pela crítica em geral.

Esnobadas e injustiças à parte, esta já é a 16° edição do prêmio que, provavelmente, é o principal daqueles que se focam no cinema brasileiro. E dentre os vencedores tivemos, obviamente, grandes filmes, algumas vitórias contestáveis, mas sempre listas de títulos riquíssimas para aqueles que gostam da sétima arte. Vejamos, pois, os vencedores de melhor filmes desde a primeira edição do festival, em 2001, até agora:


2001 – Orfeu, de Cacá Diegues.
2002 – Eu Tu Eles, de Andrucha Waddington.
2003 – Bicho de Sete Cabeças, de Laís Bodanzky.
2004 – Cidade de Deus, de Fernando Meirelles.
2005 – O Homem que Copiava, de Jorge Furtado.
2006 – Cazuza – O Tempo não Para, de Sandra Werneck e Walter Carvalho.
2007 – Cinema, Aspirinas e Urubus, de Marcelo Gomes.
2008 – O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, de Cao Hamburger.
2009 – Estômago, de Marcos Jorge.
2010 – É Proibido Fumar, de Anna Muylaert.
2011 – Tropa de Elite 2, de José Padilha.
2012 – O Palhaço, de Selton Mello
2013 – Gonzaga – de Pai pra Filho, de Breno Silveira
2014 – Faroeste Caboclo, de Rene Sampaio
2015 – O Lobo atrás da Porta, de Fernando Coimbra
2016 – Que Horas Ela Volta?, de Anna Muylaert.

Cidade de Deus; Cinema, Aspirinas e Urubus; Que Horas Ela Volta?… Tais filmes dão credibilidade ao GP de Cinema Brasileiro, que ainda indicou uma série de filmes que saíram sem o prêmio principal mas foram elogiadíssimos mundo afora: O Banheiro do Papa e Linha de Passe são exemplos dos filmes indicados a melhor filme em 2009 que, contudo, não conseguiram roubar a estatueta principal das mãos de Estômago.

O Auto da Compadecida; Madame Satã; Amarelo Manga; Carandiru; Narradores de Javé; Casa de Areia; Tropa de Elite; O Céu de Suelly; Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo e Praia do Futuro são alguns dos filmes que foram indicados mas acabaram não saindo com o prêmio de melhor filme em outros anos, o que faz com que O GP do Cinema Brasileiro cumpra uma missão importante de ressaltar os trunfos do cinema brasileiro e, ainda, que há um grande número de bons títulos produzidos por ele – contradizendo toda a estigmatização e preconceito que sofre. Embora, é verdade, que por vezes cometa suas injustiças – geralmente atreladas a privilegiar alguns títulos mais comerciais a outros nem tanto comerciais- e tenha lá suas decisões polêmicas. Faroeste Caboclo, dirigido por René Sampaio, concorria com O Som ao Redor, do mesmo Kleber Mendonça Filho, e Tatuagem, de Hilton Lacerda, quando ganhou melhor filme.

Polêmicas e contradições a parte, vale a pena ver o que os indicados ao Grande Prêmio nos reserva. Aliás, sempre vale lembrar que o seu troféu é uma estatueta do genial Grande Otelo, dono de atuações inesquecíveis e sempre reverenciáveis (como a de Macunaíma, por exemplo). Esse ano, os finalistas são os seguintes:

MELHOR FILME DE FICÇÃO

Aquarius
Elis
Mãe Só Há Uma
Boi Neon
Nise – O Coração da Loucura

MELHOR DOCUMENTÁRIO

Cinema Novo
Curumim
Cícero Dias, o Compradre de Picasso
Eu Sou Carlos Imperial
Marias
Menino 23 – Infâncias Perdidas no Brasil
Quanto Tempo o Tempo Tem

MELHOR COMÉDIA

BR716
É Fada
Minha Mãe é uma Peça 2
O Roubo da Taça
O Shaolin do Sertão

MELHOR DIRETOR – FICÇÃO

Anna Muylaert (Mãe Só Há Uma)
Afonso Poyart (Mais Forte que o Mundo – A História de José Aldo)
David Schurmann (Pequeno Segredo)
Kleber Mendonça Filho (Aquarius)
Gabriel Mascaro (Boi Neon)

MELHOR ATOR

Caio Blat (BR716)
Chico Diaz (Em Nome da Lei)
Domingos Montagner (Um Namorado para Minha Mulher)
Juliano Cazarré (Boi Neon)
Lázaro Ramos (Mundo Cão)
Cauã Reymond (Reza a Lenda)

MELHOR ATRIZ

Adriana Esteves (Mundo Cão)
Sophie Charlotte (Reza a Lenda)
Julia Lemmertz (Pequeno Segredo)
Glória Pires (Nise – O Coração da Loucura)
Andreia Horta (Elis)
Sonia Braga (Aquarius)

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Caco Ciocler (Elis)
Dan Stulbach (Meu Amigo Hindu)
Flávio Bauraqui (Nise – O Coração da Loucura)
Gustavo Machado (Elis)
Irandhir Santos (Aquarius)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Alice Braga (Entre Idas e Vindas)
Andrea Beltrão (Sob Pressão)
Laura Cardoso (De Onde Eu Te Vejo)
Maeve Jinkings (Aquarius)
Maeve Jinkings (Boi Neon)
Sophie Charlotte (BR716)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

Afonso Poyart e Marcelo Rubens Paiva (Mais Forte que o Mundo – A História de José Aldo)
Anna Muylaert (Mãe Só Há Uma)
Kleber Mendonça Filho (Aquarius)
Domingos Oliveira (BR716)
Gabriel Mascaro (Boi Neon)

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

Paulo Gustavo e Fil Braz (Minha Mãe é uma Peça 2)
Hilton Lacerda e Ana Carolina Francisco (Big Jato)
Lusa Silvestre e Julia Rezende (Um Namorado para Minha Mulher)
Neville D’Almeida e Michel Melamed (A Frente Fria que a Chuva Traz)
Walter Lima Jr. (Através da Sombra)

MELHOR FILME ESTRANGEIRO

A Chegada (EUA)
A Garota Dinamarquesa (EUA)
Animais Noturnos (EUA)
Elle (França)
Filho de Saul (Hungria)
Spotlight – Segredos Revelados (EUA)

MELHOR FOTOGRAFIA

Elis
Boi Neon
Nise – O Coração da Loucura
Reza a Lenda
Meu Amigo Hindu

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE

Meu Amigo Hindu
Nise – O Coração da Loucura
Elis
O Shaolin do Sertão
Aquarius

MELHOR FIGURINO

Reza a Lenda
Nise – O Coração da Loucura
Elis
Boi Neon
O Shaolin do Sertão

MELHOR MAQUIAGEM

Boi Neon
Elis
Meu Amigo Hindu
O Shaolin do Sertão
Reza a Lenda

MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL

A Luneta do Tempo
Pequeno Segredo
Big Jato
Elis
Nise – O Coração da Loucura

MELHOR TRILHA SONORA

O Vendedor de Sonhos
Mate-me por Favor
BR716
Aquarius
Mundo Cão

MELHOR SOM

Boi Neon
O Shaolin do Sertão
Sinfonia da Necrópole
Elis
Aquarius
Reza a Lenda

MELHORES EFEITOS VISUAIS

Reza a Lenda
Aquarius
Elis
Pequeno Segredo
Mais Forte que o Mundo – A História de José Aldo

MELHOR EDIÇÃO – FICÇÃO

Aquarius
Boi Neon
Meu Amigo Hindu
Big Jato
Elis

MELHOR EDIÇÃO – DOCUMENTÁRIO

Curumim
Geraldinos
Cinema Novo
Eu Sou Carlos Imperial
Menino 23 – Infâncias Perdidas no Brasil

MELHOR CURTA-METRAGEM

A Moça que Dançou com o Diabo
Constelações
E o Galo Cantou
Não Me Prometa Nada
O Melhor Som do Mundo

MELHOR CURTA-METRAGEM – DOCUMENTÁRIO

A Morte do Cinema
Abissal
Aqueles Anos de Dezembro
Buscando Helena
Índios no Poder
Orquestra Invisível Let’s Dance

MELHOR CURTA-METRAGEM – ANIMAÇÃO

Cartas
O Caminho dos Gigantes
O Projeto do Meu Pai
Quando os Dias Eram Eternos
Tango
Vento
Vida de Boneco