Doidas e Santas | A atriz Maria Paula fala sobre a comédia: “foi um grande desafio”

Dia 24 de agosto estreia nos cinemas Doidas e Santas, filme protagonizado por Maria Paula Fidalgo – conhecida pelos seus papéis na série de comédia dos anos 90 e 2000 Casseta e Planeta. Ela falou com a imprensa sobre a experiência de ter gravado esta comédia.

Como é sabido, Maria Paula dedicou a carreira à comédia sobretudo. No filme, contudo, ela interpreta uma mulher que, pelo ritmo de vida workaholic, o excesso de stress e responsabilidades – além das dificuldades nas relações familiares – tem certa dificuldade de esbanjar sorrisos. Sobre esse fato, ao ser perguntada se aquilo era irônico, disse: “irônico não, foi difícil mesmo, porque eu estou acostumada a rir e a fazer rir. E então fazer uma personagem tão séria como a Beatriz [nome de seu papel] foi um grande desafio”. “Essa personagem tá aí, né? Tem Beatriz em toda esquina. Eu acho que é uma personalidade comum das pessoas que não são abertas, que são mais contidas e discretas. (…) Eu tenho várias amigas que são assim. E é legal para eu entendê-las. Eu fiquei observando elas para trazer nuances para meu personagem. Isso ampliou meu repertório”, completou Maria ao falar da composição de Beatriz.

Maria Paula ressaltou que contracenou com a Luana Maia e Nicette Bruno, a primeira a atriz-mirim que faz a filha de Beatriz e a segunda a já experiente e celebrada atriz – e que vive a mãe da Beatriz. Disse o quão enriquecedor foi poder trocar experiências com duas gerações tão diferentes – um processo recíproco de aprendizagem. “A atuação depende muito da sincronia e afinação entre as duas pessoas em cena. (…) É sempre uma alquimia”, disse ela.

Depois, disse ainda sobre a relação de Beatriz com a sua filha (vivida por Luana Maia) e com a sua mãe (Nicette Bruno) – duas personagens coadjuvantes importantíssimas pro longa. Sobre a relação de Beatriz com a mãe, vivida por Nicette Bruno, disse: “geralmente as mães são mais caretas e as filhas são mais doidonas. E nesse caso tem essa inversão: é uma mãe muito doida que sai numa excursão com a turma da igreja para rezar o terço e acaba voltando com uma iguana. Ou seja, ela traz uma coisa lúdica, divertida, alegre que é muito boa e não é óbvio”. Quanto a filha, ressaltou: “eu acho [a relação de Beatriz e sua filha] algo bonito, porque a Beatriz é uma terapeuta, então sempre tão focada no ‘problema dos outros’, (…) e ela acaba perdendo a relação com a própria filha. E ela diz isso para a Beatriz: ‘e aí, mãe, eu vou ter que marcar hora para falar com você?’ Isso muda a forma como Beatriz encara a vida dela”.

Embora tenha nascido em Brasília, a atriz viveu muitos anos no Rio de Janeiro. Como a narrativa se passa na cidade carioca, ao ser perguntada se, caso o filme se passasse em outro lugar do país, ela se sentiria menos “à vontade”, não teria a mesma intimidade com o filme, respondeu que não sabia. Contudo, tinha a impressão de que, uma vez a personalidade dela e de sua personagem sendo bem discrepante, fazer o filme no Rio de Janeiro talvez tivesse sido um fator facilitador. Mas o filme não se passa todo no Rio, já que houveram locações em Buenos Aires também. “A coisa do portunhol é engraçado por si só. (…) Uma coisa do humor foi realçado naquele momento”, disse a atriz sobre contracenar com atores que não falavam a mesma língua que Beatriz.