Mostra SP | Mostra de São Paulo anuncia filmes selecionados com discurso engajado em diversas frentes.

Como de costume, os cinéfilos de São Paulo terão mais uma oportunidade de acompanhar uma jornada por centenas e centenas de filmes que chegam à 41º Mostra Internacional de São Paulo. O evento ocorrerá entre os dias 19 de outubro e 1 de novembro e contará com quase 400 filmes à disposição do público, entre estreias, retrospectivas e exibições especiais.

Em entrevista coletiva concedida no sábado (07/10), Renata de Almeida, diretora da Mostra, divulgou os filmes selecionados, além de traçar um panorama dessa edição. Renata começou dizendo o quão significativo é o cartaz da Mostra, desenvolvido pelo multi-artista Ai Weiwei, uma imagem em que duas mãos sustentam-se, uma cena forte que diz muito sobre o que está contido no festival desse ano.

Para Renata, a imagem sugere os três principais eixos presentes na seleção de títulos. O primeiro seria essa potência do cinema como uma arte empática, que faz com que pessoas distintas possam se ver na tela, gerando um possível sentimento conciliatório. Nesse sentindo, a Mostra conta com uma espécie de núcleo em que a questão do refugiado, tão precisado dessas mãos empáticas, seja o centro das discussões do filme, como o novo longa de Michael Haneke (Happy End), a obra de Aki Kaurismaki, premiado em Berlim (O Outro Lado da Esperança) e o filme do próprio artista Ai Weiwei (Human Flow), que abre a Mostra desse ano.

Por outro lado, o cartaz também revela uma intersecção entre o cinema e outras artes, uma cumplicidade de linguagens que será explorada na Mostra. Algo inspirado no próprio artista responsável pela imagem do Festival, nesse segundo segmentos encontram-se obras de cineastas que dialogam com as artes plásticas, de artistas de outros campos se aventurando no cinema, ou até mesmo filmes sobre arte. Uma seleção engajada em questionar o papel do artista, sua liberdade e sua importância. Todavia, as intersecções apresentadas não se limitam apenas a esses campos artísticos, mas também experiências audiovisuais no mundo da realidade virtual, com experiências específicas desse gênero.

Nesse segundo segmento encontram-se obras de grandes cineastas, como o derradeiro filme do iraniano Abbas Kiarostami chamado 24 Frames, projeto que parte de pinturas e fotografias do cineasta num processo de animação. Está presente também o mais novo longa de Agnès Varda, acompanhando o projeto artístico do muralista JR. Agnès Varda, nome fundamental da Nouvelle Vague ganhará retrospectiva especial do festival, celebrando boa parte da sua carreira. Uma excelente oportunidade para ver ou conhecer a instigante produção da cineasta em tela grande e em cópias recém-restauradas.

O terceiro bloco representado pelo cartaz do evento diz respeito a obras com um diálogo em relação às causas ambientais, algo sempre em questão no trabalho do também ativista Ai Weiwei. Num outro tipo de engajamento, os filmes buscam refletir sobre esse mal estar entre homem e as reações naturais. Algo marcado no longa Uma Verdade Mais Inconveniente e no projeto Terra Treme, em que Walter Salles explora um pouco do ocorrido na cidade de Mariana, palco de uma tragédia ambiental.

Com muito mais do que 300 títulos, evidentemente a Mostra não fica restrita apenas a esses temas, sendo um evento conhecido por atrair uma diversidade muito grande de público. A Mostra Internacional de São Paulo contará com uma seleção especial de filmes suíços, uma retrospectiva do autoral Paul Vechiali, além de contar com grandes filmes já premiados, como The Square, vencedor da Palma de Ouro em Cannes esse ano, e como Três Anúncios para um Crime, destaque no Festival de Toronto e já cotado para o Oscar. A certeza é que durante as três semanas de evento o espectador paulistano estará em contato com uma produção extremamente inquietante e instigante.