A Marvel prometeu que uma bomba atômica seria lançada no coração da internet quando o trailer de Vingadores: Guerra Infinita finalmente chegasse para o público geral, após ser exibido aos poucos que presenciaram as convenções D23 e San Dieco Comic-Con – e, nesse sentido, a editora/estúdio certamente entregou o prometido.

A prévia, que você pode conferir aqui ou mais abaixo nesse post, trouxe revelações às toneladas: vimos as primeiras cenas de Thanos (Josh Brolin) em ação, invadindo a Terra, lutando contra o Homem de Ferro (Robert Downey Jr) e retirando a Joia da Mente do herói Visão (Paul Bettany); vimos Homem-Aranha (Tom Holland) com seu novo traje metálico; vimos um Capitão América (Chris Evans) barbudo recuperando seu escudo e lutando ao lado de heróis como o Pantera Negra (Chadwick Boseman) e o Soldado Invernal (Sebastian Stan); vimos o reencontro de Hulk (Mark Ruffalo) e Viúva Negra (Scarlett Johansson); e muito mais que com certeza será dissecado nas próximas horas por cada fã ao redor do mundo.

Em meio à pressa de introduzir tudo isso em menos de 2 minutos e meio, no entanto, a verdade é que saímos do trailer de Vingadores: Guerra Infinita sem uma noção do tipo de filme que veremos no dia 26 de abril de 2018, quando ele chegar aos cinemas brasileiros – e isso não é um testamento contra o filme, que afinal nem assistimos ainda, mas contra a equipe de marketing que editou a prévia, que perdeu o ponto de como atiçar a expectativa dos fãs sem alimentá-la em excesso com “pedaços de informação” nada nutritivos.


Homem-Aranha no trailer de Vingadores: Guerra Infinita
Homem-Aranha no trailer de Vingadores: Guerra Infinita

À primeira vista, a verdade é que o trailer faz parecer que a trama é genérica – vemos um enorme dispositivo flutuante que nos lembra da invasão alienígena de Os Vingadores, de 2012 (intencionalmente, é claro), mas também das inúmeras cópias no estilo “grande ameaça circular no céu” que vimos em Esquadrão Suicida ou até Tartarugas Ninja 2. Não conseguimos uma leitura pura da personalidade ou do momento que vivem nenhum dos personagens dessa história, e o trailer confia de forma fundamental no nosso conhecimento prévio do universo Marvel para extrair os significados de suas jornadas em cenas no estilo “piscou-perdeu”.

Essa confiança no passado dos personagens e da franquia funciona na escolha da música, por exemplo (o tema original de Os Vingadores, escrito por Alan Silvestri), que evoca ao discurso recitado no começo do trailer, sobre a própria iniciativa desses heróis em se reunirem para “lutar as batalhas” que nós, meros mortais, não poderíamos. A reflexão da franquia Marvel sobre heroísmo, identidade e militarismo tem se desenvolvido, ao longo dos últimos filmes (especialmente Thor: Ragnarok) em uma tese sobre o quanto o passado nos prende em padrões de comportamento indesejados, e o quão difícil, mas necessário, é fugir deles. Se os roteiristas de Vingadores: Guerra Infinita forem espertos o bastante para explorar essa faceta do universo Marvel (e algo me diz que são), o filme pode ser um estudo de personagem fabuloso.

Isso é um julgamento sobre o que o filme pode se tornar, no entanto, e não sobre o trailer. A decisão da normalmente inteligente máquina de marketing da Marvel ao nos revelar tudo em uma dose cavalar de adrenalina funciona em um sentido visceral e superficial, mas não se analisado com alguma profundidade. O trailer de Vingadores: Guerra Infinita provavelmente não vai inflamar as expectativas de ninguém a não ser aqueles que já estavam com elas lá em cima para “o maior filme de super-heróis de todos os tempos”. Um evento desse tamanho, nada surpreendentemente, funcionará melhor como um filme de mais de quase 3 horas de duração do que como um trailer de 2 minutos e meio.