Justiceiro

CRÍTICA SEM SPOILERS DA SÉRIE!

A Netflix volta com seu universo marginal da Marvel com O Justiceiro em 13 episódios mais sombrios e sangrentos que se poderia imaginar. Depois de Logan, impulsionado por Deadpool, Justiceiro vem cravar, agora para as séries, que super heróis podem ser bem trabalhados para públicos de maior idade, com drama e violência. John Bernthal volta a dar vida ao personagem que interpretou na segunda temporada de Demolidor, também da Netflix, e agrada ainda mais do que na primeira vez.

Um dos pontos altos das séries que estabelecem o universo de O Justiceiro foram grandes atuações nos papéis de vilões. Vincent D’Onofrio (como Rei do Crime, em Demolidor), David Tennant (Killgrave, em Jessica Jones), Mahershala Ali (Cottonmouth, em Luke Cage) e Sigourney Weaver (Alexandra, em Os Defensores) estabeleceram padrões altos para os fãs, agradando até mesmo mais que os protagonistas, mesmo a última sofrendo com o final pífio que sua série proporcionou a si mesma. Assim, Justiceiro sai na frente dos heróis que defendem Nova York dos problemas que não afetam o “cara verde” e seus amigos, já que sua origem é vilanesca.


John Bernthal mantém seu alto nível de atuação como o anti-herói, amparado por ótimas atuações também de Ebon Mass-Bachrach (David Lieberman), Ben Barnes (Billy Russo) e Paul Schulze (Rawlings). Mas o destaque vai para Daniel Webber, que interpretou o papel mais interessante da temporada.  O clima sombrio e, como sugeriu Bernthal, de sofrimento e dor possibilitou personagens com traumas profundas e debates relevantes além de cenas pesadas de violência. Sempre escura, a série é claustrofóbica, passando a sensação de sufoco na qual as personagens se encontram.

São poucos pontos fracos na série para aqueles que gostaram do universo estabelecido por Demolidor. A personagem que vincula Frank Castle ao resto do universo Marvel/Netflix dessa vez não é Claire Temple (Rosario Dawson) mas sim Karen Page (Deborah Ann Woll). Apesar da atriz não interpretar a personagem de maneira ruim, Page é uma personagem um tanto forçada e com uma trajetória até inverossímil. Talvez o público nacional possa sentir dificuldade em se identificar com as discussões que a série propõe. Tendo o Justiceiro sido um militar em sua origem nos quadrinhos, é nisso que a série se apoia para construir o personagem, e debates sobre veteranos do exército em um contexto pós-guerra fazem mais sentido nos Estados Unidos do que no Brasil.

A trama principal não é o ponto alto da série, mas as situações que ela propõe fazem a série se destacar das demais. A relação entre Frank e David, que guia a série não só é divertida como é emocionante e, em uma que série majoritariamente se vê a perspectiva masculina, Jaime Ray Newman (Sarah Lieberman) traz um tanto da perspectiva feminina, embora pouco ainda. A série deve agradar aos fãs, mas é preciso tomar cuidado para não considerar Justiceiro como herói. Diferente do que a tradução propõe (Justiceiro no original é Punisher, “punidor”) você não encontra um senso de justiça na série, mas muita punição.

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