O diretor de Star Wars: Os Últimos Jedi, Rian Johnson, fez sua estreia na franquia com o filme recém-estreado, em 14 de dezembro de 2017. No entanto, a aprovação de sua história, roteiro e perspectiva sobre a saga lhe rendeu frutos que poderão ser colhidos futuramente, já que agora, com aval da Disney e Lucasfilm, seguirá adiante na franquia assumindo uma nova trilogia, sucedendo a atual que se desfechará com o episódio IX.

Surpreendentemente, Star Wars: Os Últimos Jedi está se mostrando como um filme um tanto quanto divisível, principalmente pelo público – enquanto um determinado grupo elogia a coragem de Rian de se aprofundar no atual cânone e subvertendo expectativas, outro não concorda com as decisões tomadas e prefere se abster de considerar que foi instigado a sair da zona de conforto -, mas nada que tenha feito com que uma observação não integrasse as duas perspectivas, por mais dissonantes que sejam: Os Últimos Jedi é indispensável para o futuro da franquia nos cinemas.

A confirmação de uma trilogia spinoff dada pela Disney à Rian Johnson concederá ao cineasta a possibilidade de explorar um universo ainda novo, distante da trama central da família Skywalker. O anúncio foi considerado uma notícia excelente, principalmente por esse universo a ser explorado, dado que George Lucas e sua criação foram para muito longe, disponibilizando um gigantesco mundo de fantasias, ações e aventuras. Solo: Uma História Star Wars e Rogue One darão e deram pequenas amostras dessas histórias paralelas. E mesmo que Star Wars: Os Últimos Jedi tenha sido absorvido como diferente e drástico em algumas situações, só confirma que Johnson é um diretor criativo e que emprega uma liberdade e visões estéticas e narrativas posicionadas além do que lhe é permitido em garantia.


Obviamente, um filme só não é o bastante para traçar detalhes sobre como seu diretor seguirá com os longa-metragens futuros, principalmente por parecerem estar tão distantes. Mas, há sugestões das capacidades de Rian Johnson que serão integradas à sua trilogia total. Uma delas é justamente a roupagem mais divertida e afastada das fórmulas e construções padronizadas dos filmes antecessores. Enquanto O Despertar da Força foi analisado como um roteiro bem similar na questão construtivista do episódio IV: Uma Nova Esperança, Star Wars: Os Últimos Jedi se concentrou em assumir um estilo mais próprio, esquisito e até mesmo mais juvenil em certos pontos, sem deixar de lado todo o critério do universo já estabelecido. Alinhar esse já existente cenário com inclinações mais diferentes podem indicar pontos positivos afrente.

Uma outra escolha tomada em Os Últimos Jedi e tida como controversa foi a subversão e ilusão das expectativas em torno do filme. Não que isso seja totalmente culpa do longa-metragem. De fato, essa forma de culpabilizar a obra pelo desvio de expectativas criadas pelo público é uma forma encontrada pelos céticos de conseguirem argumentar contra o filme, mas não é esse o caso. O ponto levantado nessa questão é a idealização de mostrar um herói, Luke Skywalker (Mark Hamill) – tido assim e apresentado assim -, se tornar um personagem agora dúbio, com diversos problemas instaurados por conta de traumas recentes. O vilão da atual trilogia, Supremo Líder Snoke (Andy Serkis), imponente em O Despertar da Força, agora é somente um ponto do que fora, causado por sua própria instigação ao personagem Kylo Ren/Ben Solo (Adam Driver). E essa mesma conexão e contraste podem ocorrer com Rey (Daisy Ridley) e Kylo. Não focar nas sombras que ditam caricaturas de um e de outro. Trocá-los e ambientá-los em situações extremas pareceu ser a chave encontrada por Rian para questionar justamente as considerações padrões sobre bem ou mal.

Rey não é uma Kenobi. Uma Jinn ou até mesmo um Skywalker. É comum. É um passo arriscado mas corajoso em justamente fugir desse já extrapolado cenário de “As aventuras de Skywalker e amigos”. É um norte que interessa não só a Johnson, que pode explorar em sua trilogia, mas também à própria Disney, seja no âmbito mais mercadológico de vender cada vez mais brinquedos e produtos de novos personagens ou… Bem, ainda não encontrei um outro sentido que seja sensato ao monopólio do que mercadológico, então, sucinto esse objetivo nisso. No entanto, Rian Johnson deu mais força para a personagem criada no anterior longa por J.J. Abrams. Deu voz, deu futuro e deu passado. Questões extremamente valiosas em personagens que ainda estão em suas jornadas de origem e auto-descoberta.

E por mais que possam ser repetidos alguns ciclos de roteiro, é inegável considerar que a atual trilogia, dado o fim do segundo capítulo agora, se encaminha para um desfecho. E não mais ligado ao passado de cada personagem. O futuro é o elemento crucial em que essas histórias se dissolverão. A linhagem de Rey, o futuro incerto de Kylo, o legado Jedi sendo passado de geração em geração. De Obi-Wan para Anakin – fracassado -, de Obi-Wan para Luke – incansável Kenobi -, de Luke para Rey. E de Rey à quem? Mesmo que a trilogia futura aparentemente seja desconexa com os nomes Skywalker ou Solo, Rian conseguiu mostrar que o clássico e o novo conseguem se mesclar e trazer uma combinação um tanto curiosa e, em primeiro plano, incômoda. Não que seja um incômodo provido de algo ruim. É na verdade, originário de uma nova forma de contar uma história que se perpetua nesse universo.

Mesmo que Star Wars: Os Últimos Jedi não seja um filme perfeito, seu diretor e roteirista, Rian Johnson, conseguiu manejar bem as situações de grande relevância, adicionando alguns elementos novos à saga, mas sem abandonar os já conhecidos e condecorados pontos narrativos da franquia. O otimismo, a esperança, a Força. Todos esses, de alguma forma, são a principal mensagem presente nos finais de cada filme Star Wars. Basta agora saber qual Johnson usará em seu terreno fértil com poucas flores, agora que está totalmente independente dentro desse universo.

Star Wars: Os Últimos Jedi estreou em 14 de dezembro de 2017.