Thanos no trailer de Guerra Infinita.

Em Vingadores: Guerra Infinita, o terceiro filme que reúne os diversos heróis da Marvel e que encerrará a terceira fase de seu universo cinematográfico, é um projeto ambicioso em diversas formas.

Sejam pelas interessantes consequências a serem esperadas para alguns personagens, o planejamento desse universo que dura 10 anos e principalmente, pelo afunilamento narrativo que os acompanham. Cada vez mais direcionados para eventos maiores e o principal porta-voz disso será o vilão Thanos, interpretado por Josh Brolin.

Vilões da Marvel no cinema, por mais que tenham suas aproximações e devidos respeitos às características das histórias em quadrinhos, nunca foram muito bem aproveitados ou tiveram espaço para serem elaborados de maneira condizente com as necessidades das tramas. Loki, de vilão, pode se tornar um anti-herói auxiliando os Vingadores. Essa mudança de perspectiva e motivações pode acarretar em uma história nova, mas nada assegurado. Thanos, em fato, também não está assegurado como um personagem definitivo e crível. Mas sua participação pode mudar todo um cenário para os heróis, fazendo com que o titã marque sua respectiva passagem.


São 10 anos de planejamento envolvendo cada personagem em histórias que os conectem, para chegar à Vingadores: Guerra Infinita. E no fim dessa ponta narrativa, há Thanos: onde permito dizer que é a principal aposta da Marvel no cinema. Personificado possivelmente como o grande vilão desse e dos próximos filmes da 3ª fase em diante, ele poderá encerrar com esse aglomerado sem identificação de vilanias dos estúdios Marvel.

Um bom vilão no cinema, principalmente nos filmes de gênero super-herói, traz consigo um significado vazio. Não só pela Marvel, mas também pela DC. Teve seus pequenos méritos com General Zodd (Michael Shannon) em Homem de Aço, mas não soube impactar novamente com Apocalipse em Batman v Superman e Lobo da Espete em Liga da Justiça. O mesmo, infelizmente, se aplica à Marvel. Ultron no fim das contas serviu como laboratório para o estúdio verificar o que deve e principalmente, o que não deve ser inserido dentro das características de um antagonista, principalmente em um filme onde ele está em conflito não só com um ou dois, mas um grupo de super-heróis. Seu contrapeso deve ser importante para todos, ter relevância narrativa para que todos se sintam no dever de enfrentá-lo, não só pelo bem genérico.

Generalizar arquétipos de vilão é um passo em falso que a Marvel não deseja realizar com Thanos. Será sua primeira aparição em um longa-metragem do universo cinematográfico, além das pontas em cenas pós-créditos e momentos raros no Guardiões da Galáxia. Mais do que uma persona à ser elaborada pelo filme em diante, será imprescindível torná-lo maior do que propriamente são os heróis.

É o que a narrativa demanda agora. É um ponto onde não há mais espaços e liberdade para a Marvel errar na construção de seus vilões. Josh Brolin, por si só, mostrará seus talentos artísticos se moldando ao gênero. É um ator de renome, talvez o maior deles dentro dos atuais filmes. Em experiência profissional e em expansão aos gêneros.

Isso não é o suficiente, claramente. A força do ator não é suficiente para impressionar. Necessita de uma garantia do roteiro e da história de sua própria persona. Provavelmente, Vingadores: Guerra Infinita conduzirá seu nome em meio ao possível caos a ser instaurado dentro do MCU até Vingadores 4, que possivelmente evidenciará a adaptação do cânone Guerras Secretas, onde as realidades do universo existentes serão colididas – por conta da manipulação das joias do infinito – ocasionando uma emergencial atitude por parte dos mocinhos para lidar e resolver a questão.

Notem que à partir de Vingadores: Guerra Infinita, todos os nichos e pequenos dramas à parte serão integrados à história principal, pedindo motivações e base narrativa para serem coerentes. Sejam romances, sejam desilusões, mortes, fracassos ou vitórias. E em toda hipótese a ser considerada, Thanos está envolvido. Ele agora é o cerne que vai disparar a continuação da história dos heróis da Marvel no cinema. É muito simples atestar que ele não será como os outros. Thanos é diferente de tudo que foi apresentado. Sua carga, seu peso – mesmo que o trailer possa não ter empolgado a isso -, já demonstra sua importância.

E dada essa relevância, sua participação no MCU requisita que seja diferente da de outros vilões ao longo desses anos. Thanos possui em si e por meio dos diretores, escritores, produtores e Josh Brolin, a chance de garantir um sucesso, evitando cair nas mesmices formulísticas.