A família Robinson está de volta para a telinha depois de um longo, longo tempo. Depois da desastrosa tentativa de reviver Perdidos no Espaço em 1998 com um filme, a Netflix acerta em cheio ao dar vida novamente para a série. Perdidos no Espaço voltou, agora, no momento e da maneira correta.

Com 10 episódios, foi possível dar aos Robinson o tempo que eles mereciam para contar sua história. E dessa vez, ela veio cheia de novidades. O universo por de trás da série foi completamente expandido. Apesar de levar o nome do sucesso de 1965, bem que poderia ser um programa completamente diferente. Quase é possível dizer que só os nomes dos personagens e da série foram utilizados. Mais do que um remake, é um reboot que levou Perdidos no Espaço para um novo nível.

A produção da série é incrível. Com a tecnologia de hoje, a série ganha um brilhantismo maior na fotografia e nas possibilidades do que contar na tela. As locações são belíssimas e fazem o público realmente acreditar que estão vendo um planeta que não a Terra. As criaturas também são bem feitas, e não ficam dissonantes do resto do quadro, como costumam ficar na televisão. O visual simplista das naves também difere das aventuras espaciais que estamos acostumados a ver nas telinhas, o que é um ponto positivo.

As personagens são interessantes, assim como suas relações. Os Robinson não propõe um drama familiar inovador, mas dentro de todo o clichê que estamos acostumados a lidar quando este é o assunto, Perdidos no Espaço trabalha muito bem. Parker Posey aparece como a versão feminina do antigo Dr. Zachary Smith, e é a melhor atuação da série. Dessa vez, Smith é bem mais que uma personagem puramente egoísta e assume um real papel de vilã. Desde o início somos levados a acreditar que ela é má de verdade, embora sua amoralidade ainda é questionável. Outro destaque vai para Ignacio Serricchio, que vive Don West, outro personagem que volta das antigas. O ator é hilário e diverte sempre que aparece, em uma função que podemos entender como uma breve acenada à Han Solo.

A trama da série funciona bem, mas o público deve ter em mente que é uma série de ficção científica com um quê de fantasia. Não chega a ser necessariamente infantil, mas é uma aventura que deve agradar as crianças e também os mais velhos que tiveram a oportunidade de assistir a série original, já que a nova roupagem mantém o espírito leve das séries de televisão dos anos 60. Alguns momentos podem parecer forçados, mas a série exige uma suspenção de descrença que não deve fazer mal a ninguém.

Extremamente divertida, Perdidos no Espaço merece ganhar mais episódios, já que as personagens e suas relações deixarão saudade. O arco da primeira temporada “se completa”, mas deixa espaço para novas aventuras, e até propõe o próximo passo, que deve chegar mais perto da série original.

Perdidos no Espaço
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