Não é nada incomum que autores, ou editoras – se estivermos falando de quadrinhos – façam alterações nas histórias de seus personagens ou universos com o passar dos anos. Para o leitor de HQs isso é extremamente comum, com novas histórias sempre alterando aspectos chave de determinadas publicações do passado. Na literatura fantástica, até mesmo J.R.R. Tolkien já fez isso, com reedições de O Hobbit anos após seu lançamento original. Se pegarmos o Cinema, George Lucas é um nome que logo vem à mente, ao passo que o diretor fez algumas mudanças em Star Wars antes, durante e após o lançamento da trilogia prelúdio. Portanto, não vem como grande surpresa que J.K. Rowling esteja fazendo isso em Animais Fantásticos, mudando, ou se aprofundando em certos fatos previamente apresentados em Harry Potter.

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Bom exemplo de uma das mudanças realizadas pela autora/ roteirista é em relação à Minerva McGonagall. Em Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald, é informado que ela ensinou a Newt Scamander, o que entra em conflito com o que previamente sabíamos sobre a personagem: anteriormente, ela nem deveria ter nascido nessa época. Isso até pode ser enxergado como um furo de roteiro, mas dificilmente J.K. Rowling deixaria algo assim passar, especialmente se tratando de uma personagem tão importante. O que temos aqui é um retcon e podemos esperar muitos mais desses, como o próprio filme já deixou bem claro.

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Agora vamos a alguns pontos que fazem a mitologia de Harry Potter ser ainda mais fascinante – independente da qualidade de Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald como filme.

Machismo no mundo mágico

Leta Lestrange é introduzida em Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald e, consigo, vemos mais alguns interessantes detalhes sobre sua família, especificamente relacionado ao machismo no mundo mágico.

A árvore genealógica da família Lestrange traz os nomes dos bruxos, enquanto que as bruxas são representadas com flores. Isso deixa bem claro que essa, uma das famílias mais tradicionais desse universo, dão importância apenas aos homens da família, enquanto que as mulheres servem para casar com outros bruxos puro-sangue, juntando as famílias de bruxos.

Invariavelmente, isso acaba se vinculando perfeitamente com o que aprendemos em Harry Potter. Embora a história do bruxinho aconteça anos mais tarde, é digno de nota que determinados tipos de feitiços estão associados a homens, enquanto outros à mulheres. Bom exemplo disso é que jamais vimos uma mulher como professora de Defesa Contra a Arte das Trevas, à exceção de Dolores Umbridge e todos sabemos como isso aconteceu.

Aliás, vemos muito mais aurores homens do que mulheres na franquia. Olhando mais profundamente para a saga, podemos inferir que parte do desgosto de Draco por Hermione é por ela ser mulher, além de ser considerada por ele “sangue ruim”. Grande ironia disso tudo é que a Lestrange mais famosa a se aliar a Voldemort é Bellatrix, uma mulher.

Isso tudo ainda se encaixa com nossa própria História, na qual, enquanto homens eram chamados de eremitas, estudiosos, ou afins, as mulheres foram queimadas nas fogueiras, chamadas de bruxas.

O Pacto de Sangue de Dumbledore e Grindelwald

Outro detalhe interessante é o pacto de sangue realizado por Dumbledore e Grindelwald, algo que Alvo se arrepende profundamente de ter feito. Isso explica muito das atitudes do mago, que se tornaria diretor de Hogwarts. Ele fisicamente não pode ir contra Grindelwald, caso contrário irá morrer.

Isso aprofunda ainda mais a relação entre os dois, ao passo que passamos a enxergar a possibilidade de Grindelwald ter manipulado Dumbledore desde o início, se aproximando de um dos poucos bruxos capazes de derrotá-lo e impedindo que os dois se enfrentem graças ao pacto. Não por acaso a MACUSA considera uma maneira eficaz de acabar com o bruxo das trevas cortas sua lingua. Ele é um manipulador e é bem possível que Dumbledore tenha sido uma das primeiras vítimas.

Por sinal, o segundo filme dessa nova série trabalha bastante essa questão, especialmente através de Creedence e Queenie. Isso sem falar que o pacto de sangue dá uma missão clara a Dumbledore ao longo desses longas: arranjar uma forma de acabar com esse feitiço.

A Fênix e a família Dumbledore

A figura da Fênix sempre teve grande importância dentro do cânone de Harry Potter. Logo nos primeiros livros conhecemos Fawkes e a criatura chega a salvar Harry na Câmara Secreta. Posteriormente somos apresentados à Ordem da Fênix e, quando Dumbledore morre, uma dessas aves aparece saindo de seu túmulo.

Agora, em Animais Fantásticos 2, descobrimos que há uma lenda que uma Fênix vai aparecer para qualquer um da família Dumbledore em tempos de necessidade, vinculando ainda mais o animal fantástico ao personagem. Isso acaba aprofundando o conceito da própria Ordem da Fênix, que funciona da mesma forma, aparecendo em tempos de necessidade, mas para todo o mundo mágico. Em outras palavras, ela pode muito bem ser considerada a Ordem de Dumbledore.

Além disso, pode ser que a Fênix que foi até Creedence no filme possa ser Fawkes, o que se encaixaria perfeitamente com os livros/ filmes de Harry Potter. Nesse caso, Dumbledore pode ter mantido a criatura perto de si a fim de lembrar sempre de Creedence.

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