Por Cris Veronez

Quando resolveu ir morar nos Estados Unidos em 2014, Thaila Ayala, 32, tinha apenas a pretensão de aprender inglês. Foi então que surgiu convite do diretor James Franco para uma participação no filme Zeroville.

Tempos depois, resolveu contratar um agente nos EUA e surgiu a possibilidade de atuar em Pica-Pau – O Filme. Meses se passaram e lá estava ela, gravando novamente uma participação, desta vez no longa The Pretenders.


A carreira internacional, segundo a atriz, não era exatamente um objetivo. “Rolou naturalmente”, disse, em entrevista ao Observatório do Cinema.

Thaila, que é ariana e adora um desafio, disse que todos os trabalhos em inglês vieram acompanhados de um enorme frio na barriga e da dificuldade de atuar falando uma língua que não é a sua.

“No primeiro filme [Zeroville], foi uma participação pequena, porém eu recebi da noite para o dia os meus textos e não tive tempo de preparação para nada. Foi literalmente uma noite que eu virei estudando e foi muito difícil. Eu nunca fiquei tão nervosa em toda a minha vida. Achei que não fosse dar conta. Você pensar em outra língua, decorar em outra língua, atuar em outra língua, aprendendo as palavras ainda…”

Além de estrear em Hollywood, a atriz também atua na série Coisa Mais Linda, da Netflix, com estreia prevista para 2019 e que aborda o feminismo.

Confira a entrevista na íntegra:

O ano de 2018 foi o ano dos lançamentos no cinema para você, né? Me conta sobre os filmes que você já rodou esse ano e sobre o que ainda está por vir.

Este foi um ano especial. Desde o ano passado, estou lançando projetos que foram muito legais para mim: Pica-Pau, que saiu em 2017, Talvez Uma História de Amor e Coração de Cowboy, que chegaram aos cinemas este ano. Em 2018, gravei a primeira temporada da série Coisa mais linda, que está prevista para ser lançada em abril de 2019, e o filme Hotel Delire, que também está previsto para 2019. Tenho ainda outros dois projetos para lançar: Zeroville e The Pretenders. E vou rodar o longa metragem O Garoto.

Zeroville é sua estreia em Hollywood, certo? Fazer cinema internacional foi uma coisa que rolou naturalmente ou era um objetivo mesmo?

Rolou naturalmente. Eu tinha ido morar fora só para estudar inglês e o James Franco me convidou para fazer Zeroville, que foi uma participação super pequena, mas uma experiência incrível para mim. Fiz um personagem espanhola, gravei em Veneza, na Itália. Então, foi natural. Houve um convite e eu topei. Depois disso, acabei ficando nos Estados Unidos, continuei meus estudos, o que não era muito um plano. Fui ficando lá e voltava para o Brasil para os trabalhos. Quando vi, eu já estava há uns dois anos e pouco lá e não tinha corrido atrás de agente, nada disso. Estava realmente focada nos estudos. Foi então que eu decidi procurar um agente e, no meu primeiro teste, rolou Pica-Pau. Meses depois, eu estava gravando a participação em The Pretenders. Foi tudo acontecendo.

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Zeroville fala sobre algo que faz parte da sua vida, que é a indústria do cinema. O que mais te atrai e o que você não curte na vida de atriz de cinema?

Eu acho que não tem nada na vida do meu trabalho que eu não curta, acho que tudo tem um lado bom e ruim, mas, na balança, o lado bom sempre pesa muito mais. O que me atrai é a realização do meu trabalho, é o desafio. Amo ser desafiada. Em Zeroville, por exemplo, fazia meses que estava fazendo as aulas de inglês, aprendendo verbo to be… E de repente, recebo, do dia para a noite, duas páginas de texto, de uma cena só. Era diálogo, diálogo, diálogo. Passei a noite virada, estudando o texto. Como uma boa ariana, adoro um desafio, ver o trabalho realizado, passar minha arte para quem está me assistindo e fazer as pessoas se emocionarem ou rirem. No meu trabalho, é o que realmente é o mais gratificante. E acho que o que mais não curto na vida de atriz é a espera. A gente espera demais (risos).

Sua parceria com James Franco parece que está indo de vento em popa… Como é a relação profissional de vocês?

É ótima. Ele me convidou para fazer Zeroville ainda quando eu estava aprendendo a falar inglês. Foi a minha primeira experiência no cinema nos Estados Unidos. Ele é um ator muito talentoso e um diretor bem cuidadoso. Depois, rodamos ainda outro projeto, o The Pretenders. Temos uma boa relação profissional, que rendeu esses dois trabalhos que adorei fazer.

Você fala inglês em todos os filmes internacionais que está lançando? Foi tranquila essa questão da língua para você, ou deu aquele frio na barriga?

Foi um grande desafio. No primeiro filme, foi uma participação pequena, porém eu recebi da noite para o dia os meus textos e não tive tempo de preparação para nada. Foi literalmente uma noite que eu virei estudando e foi muito difícil. Eu nunca fiquei tão nervosa em toda a minha vida. Foi realmente muito difícil para mim, eu achei que eu não fosse dar conta. Você pensar em outra língua, decorar em outra língua, atuar em outra língua, aprendendo as palavras ainda… Na época, eu estava aprendendo mesmo. Eu fui em 2014 estudar, não falava nada. Aí de repente eu estava ali gravando uns diálogos de palavras que eu nem sabia o que significavam. Obviamente que eu estudei para saber, mas foi muito difícil. Em todos eles eu falo inglês e todos foram muito, muito difíceis, sempre com muito frio na barriga. Não é uma questão tranquila para mim porque não é algo que eu aprendi desde criança.

Em 2019 tem série da Netflix, né? Qual será o seu papel?

Ainda não posso falar muito sobre minha personagem (risos). O que posso dizer é que Coisa mais linda é uma série que fala de mulheres, que fala de feminismo… Acho que é uma história que mostra essa busca da mulher pelo seu espaço de fala, por seu espaço na sociedade. Apesar de ser uma série ambientada na década de 50, é muito atual. Estou muito ansiosa para apresentar essa história ao público. O elenco é incrível e estou muito animada com este trabalho.

Você pensa em voltar para a TV aberta?

Claro que eu penso. Eu penso em trabalhar. Quero voltar para o teatro. Faz tempo que eu não faço. Estou rodando um documentário meu, dirigindo um documentário meu… Estou com vários projetos, e a TV não deixa de ser um deles.

Falando em TV aberta, o Viva está reprisando a Malhação que você protagonizou… Você costuma assistir? Está satisfeita com sua evolução profissional de lá para cá?

Estou muito satisfeita! Eu nunca tinha trabalhado antes de Malhação, nunca tinha feito absolutamente nada. Fiz teatro na escola, desde pequena, mas nada profissionalizante, sempre cursinhos aqui e ali. Eu era bem crua e ali foi uma grande escola. Dá um pouco de pânico de assistir (risos) porque realmente eu estava ali aprendendo. E estar ali aprendendo, junto com o Brasil inteiro te assistindo, é muito louco. Desde Malhação, eu venho me empenhado em estudar cada vez mais. Esse tempo todo que fiquei lá fora, fiquei fazendo aulas. Estudei no Eric Morris, fiz várias escolas incríveis e estava ali me empenhando, investindo no meu trabalho. Então, estou muito satisfeita com minha evolução.