Eles alegraram as noites de domingo de muitos lares brasileiros. A família mais famosa do Largo do Arouche, tradicional bairro de São Paulo, está de volta. Sucesso na TV nos anos 90 e 2000, o Sai de Baixo ganhou reprises na Globo e no Viva, além de especiais no canal da Globosat, e agora, invadiu as telonas.

Em entrevista ao Observatório do Cinema, Miguel Falabella, Marisa Orth, Luiz Gustavo, Tom Cavalcante e a diretora do longa, Cris D’Amato, contaram detalhes do roteiro assinado por Miguel, rodado no Rio de Janeiro em 2018, que faz críticas bem humoradas ao comportamento da sociedade.

Por conta da violência, elenco e produção foram assaltados cinco vezes e enfrentaram alguns perrengues. Miguel planejou rodar o longa num hotel de luxo em Foz do Iguaçu, mas os planos mudaram, sem contar a greve dos caminhoneiros que atrasou a entrega de cenários, figurinos e até a alimentação da equipe.


A película conta com a participação de Cacau Protásio, que entrou no lugar de Marcia Cabrita, falecida em 2018, e Claudia Gimenez, que desistiu da produção. Aracy Balabanian também marcou presença assim como Lúcio Mauro Filho, que afirmou estar muito feliz por fazer parte de mais uma “família da TV”.

Crítica | Sai de Baixo: O Filme

Confira a entrevista:

Clima de tensão nos bastidores

O elenco relembrou curiosidades sobre o programa. Miguel revelou que a atração sofreu cortes por conta do excesso de palavrões e as brincadeiras que ele tinha com a colega Aracy, e que quase foi cancelado pelo diretor Daniel Filho, mas que no terceiro episódio os problemas foram resolvidos resultando assim no sucesso da série.

Do teatro pra TV e pro cinema

“Sair do teatro e ir pro cinema foi um desafio, assim como sair do teatro e ir pra TV. Não tenho uma direção mirabolante, nem poderia por conta dos atores, personagens já prontos e icônicos”, disse a diretora.

Improviso

Para o ator, produtor, roteirista e diretor Miguel Falabella, um dos principais ingredientes do enredo está mais do que presente nas telas: “Foi uma alegria fazer. Foi complicado no início, 17 anos depois. No cinema a gente manteve o improviso, a marca registrada do programa, quebramos a quarta parede”.

Cult e trash

Marcada por conta dos trejeitos de Magda, Marisa Orth falou sobre as dificuldades que teve ao relembrar as características da personagem: “Um ajuda o outro a lembrar. Com o cenário das comédias brasileiras foi muito adequado rodar o longa sob a visão do Daniel Filho, um homem de cinema. Já chamei o filme de cult, trash e crítico ao Brasil de hoje [corrupção, pobreza], afirmou Marisa.

Politicamente (in)correto

Sob a era do mimimi, Tom Cavalcante falou sobre o texto e a recepção e repercussão que se espera do filme: “Ele [filme] chega num momento importante do cinema, a era do politicamente incorreto. É possível fazer humor leve, no improviso mesmo. As cenas são hilárias”, disse Tom Cavalcante.

Sucesso da série

“Nunca entendi porque um programa de m**** fez tanto sucesso. Ontem [segunda, 11/02, vi o filme, nem tinha visto o trailer, entro nos últimos 5 minutos finais… [Luiz Gustavo faz uma participação especial, o ator ficou afastado da TV por conta de problemas de saúde] e aí entendi o sucesso do programa. O Sai de Baixo não tem fim. O elenco vai morrendo [Marcia Cabrita e Luiz Carlos Tourinho] o Sai de Baixo não acaba. É o filme mais engraçado que eu vi na vida. Se o Miguel tivesse feito o roteiro da série desde o começo…”, destacou Luiz Gustavo.

Crítica social

Marisa e Miguel ressaltaram que o texto e os personagens procuram fazer uma crítica ao comportamento hipócrita do brasileiro: “O humor é uma ferramenta crítica absoluta. É um raciocínio muito pequeno, curto, achar que estamos fazendo propaganda do Caco e Magda. O Brasil está cheio de Magdas e Cacos. Ela é uma crítica à mulher que usa roupa curta, não pensa, casada com um cara que rouba, que é assediada moralmente, e ela continua adorando”.

Confira o vídeo da entrevista abaixo. Sai de Baixo – O Filme está em exibição nos cinemas.