A Netflix organizou uma coletiva de imprensa em São Paulo, a fim de promover algumas de suas séries que terão temporadas lançadas em 2019.  Assim, a gigante do streaming levou diversas pessoas de seus elencos e produção para apresentar esses projetos para a imprensa. Uma dessas séries que chega ao catálogo é 3% em sua 3ª temporada.

A primeira série brasileira da Netflix chegará mais uma vez trazendo novidades ao seu enredo, que desta vez mostrará mais uma perspectiva para quebrar a dualidade imposta nas duas primeiras temporadas. Para falar sobre a série, as roteiristas Daina Giannecchini e Dani Libardi estiveram ao lado das atrizes Vaneza Oliveira, Laila Garin, Thais Lago e Bianca Comparato. Mais um painel onde a voz feminina se sobressaiu no evento.

“Na primeira temporada, a gente vê o processo de seleção, na segunda temporada a gente vê mais do Continente, e conhece a Causa, e vê o Mar Alto”, explicou Giannecchini. “Agora na terceira temporada a gente vai conhecer a Concha e eu acho que a questão fica ‘o que seria o mundo se você tivesse a oportunidade de fazer do seu jeito’. Você vai conseguir fazer do seu jeito?”


“A gente foi crescendo junto, foi amadurecendo junto nessas temporadas”, complementou Libardi. “Mas tem coisas que não mudam, que é o tema central de 3%, que é essa discussão sobre a meritocracia”.

Mas para a personagem de Comparato, parece que a tentativa de se fazer um novo mundo é válida. “A Michelle termina a segunda temporada com muita esperança de que ela vai encontrar esse mundo a ser mais justo. E ela se depara, na terceira temporada, com os problemas da responsabilidade”. E citando Bem Parker, tio do Homem-Aranha, a atriz diz que a frase para a sua personagem é “Com grandes poderes vem grandes responsabilidades”.

3% | Netflix divulga pôster da terceira temporada na CCXP

Como aconteceu na coletiva de Coisa Mais Linda, o painel de 3% logo veio para uma conversa mais politizada. Além da passagem pela meritocracia, as atrizes enalteceram também suas personagens e seus papéis dentro da sociedade. Garin sugere que para Marcela “ter poder e ter força, ela se masculinizou”. Já Oliveira vê Joana num “desafio constante de confiança”.

“A gente vai discutir essa solidão dessa mulher a partir de confiança, a partir do carinho…”, explicou a atriz. “E isso tudo vem graças ao movimento de mulheres estarem na linha de frente”. Após uma troca de elogios, Oliveira concluiu: “Afeto, amor diário, a gente precisa disso assim”.

Já Lago focou mais em sua personagem, relembrando que Elisa “foi condicionada a passar pelo processo, entender que o melhor é passar no processo e viver no Mar Alto, então ela já vive lá com todos os privilégios. E a partir do momento que o Rafael a trai ela passa a voltar para o Continente e começa a se questionar se é certo esse processo, se é o mais correto. Ela vê o que ela deixou pra trás”.

Se já era evidente o protagonismo feminino em 3% com Michelle na primeira temporada, após a saída de João Miguel parece passar o bastão para Garin. Além disso, Joana, que já era importante na primeira temporada, cresceu muito na segunda, e parece que vai continuar nessa linha, provavelmente vivendo um contraponto para Michelle. Decerto, sem fazer alarde, 3% é uma série que dá voz para suas personagens femininas. Houve, também, a concordância entre as participantes sobre o quão interessante é poder fazer uma série sobre um futuro distópico onde o machismo e o racismo já foram transcendidos, dando espaço para trabalhar a humanidade de suas personagens sem rótulos.

3% se mostrou ainda forte, cada vez mais madura e com gás para trazer novidades. A primeira série nacional da Netflix, sucesso no exterior, tem muito para continuar seus índices de audiência e seu intrigante enredo que fez com que fosse umas das séries de língua estrangeira mais maratonadas do serviço de streaming no exterior. Os melhores momentos da coletiva podem ser visto no canal do Observatório do Cinema no YouTube.