A Netflix organizou uma coletiva de imprensa em São Paulo, a fim de promover algumas de suas séries que terão temporadas lançadas em 2019.  Assim, a gigante do streaming levou diversas pessoas de seus elencos e produção para apresentar esses projetos para a imprensa. Uma dessas séries que chega ao catálogo é Coisa Mais Linda.

O painel da série se destacou pelo tema político e social que permeou toda a conversa. É verdade que muito foi falado sobre a produção da série, seu caráter cinematográfico e todo o seu cuidado não só com a cenografia ao recriar o Rio de Janeiro do final dos anos 50, mas também com o figurino. Com o enredo da série, o assunto não poderia ser outro.

Dos membros do elenco, tivemos presente as quatro protagonistas, Maria Casadevall, Pathy Dejesus, Fernanda Vasconcellos e Mel Lisboa. Além delas, marcaram presença os atores Ícaro Silva e Leandro Lima. Também, os diretores Caito Ortiz e Julia Rezende e o produto Beto Gauss. Julia, inclusive, foi a mais ressaltada pelo elenco, que é protagonizado por mulheres, e que celebrou a posição de Julia como diretora.


Como foi bem colocado por Casadevall: “A gente veio sabendo que a gente teria esse espaço pra falar sobre isso, né? E a gente se apropriar desse espaço, que é o que a gente fala desde o nosso primeiro encontro… Rolou!”, disse atriz animada ao perceber a emoção de Dejesus, que comemorou junto com ela. “A gente se apropriar desse espaço, né”, continuou a Atriz. “Somos quatro mulheres protagonistas contando essa história. Nesse momento do mundo, né? Então, ser mulher, estar viva nesse momento, e poder contar essa história é realmente alguma coisa que faz a diferença”.

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A história, é claro, segue Maria Luiza (Casadevall), uma jovem e rica paulistana que se muda para o Rio de Janeiro para abrir um restaurante com seu marido. Ao chegar, ela descobre que ele a abandonou e fugiu com todo o dinheiro. Desesperada no início, Malu se recupera e parte em busca de um novo sonho em meio à vibração da cidade ao ritmo da emergente Bossa Nova.

Nesse desafio, ela contará com três mulheres incríveis: Lígia (Vasconcellos), sua amiga de infância e dona de uma voz encantadora; Adélia (Dejesus), uma carioca negra e trabalhadora absolutamente determinada e com uma força inabalável; e Thereza (Lisboa), uma jornalista moderna e independente. Mais detalhes sobre as personagens você poderá conferir no vídeo da coletiva, no canal do Observatório do Cinema no YouTube.

Ainda no mesmo vídeo, podemos perceber como Dejesus acabou por atrair todas a atenções ao comentar sobre como a mulher costuma ser retratada. Em época do alvoroço da estreia de Capitã Marvel, a atriz fez questão de destacar como a força da mulher tende a ser representada de uma única maneira:

“Ser forte também tá na delicadeza, também tá na sutileza, tá no choro”, começou a atriz. “Exato”, concordou quando Casadevall colocou que essa demanda de força também pode oprimir. “É um perigo você chegar num ponto de inventar uma super-heroína e passar por cima das dores dessa mulher. Eu acho que são essas dores que fazem a gente mais forte”.

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Outro ponto a se destacar é de Vasconcellos, que faz um paralelo interessante sobre outro tema bastante abordado na série: a bossa nova. “Bossa nova é um movimento cultural que está buscando uma identidade. Assim como esses personagens também. Eles estão buscando a sua identidade dentro de uma coisa que já tá meio que estruturada, rompendo um pouco dessa estrutura social”.

Ícaro Silva também levanta que, como homem, se sentiu “muito feliz” de se “ver representado por essas quatro mulheres em sua trajetória de transformação”. “Nós crescemos vendo histórias contadas, nós mulheres, pela perspectiva dos homens”, completou Casadevall. “E não deixou de ser humano mesmo assim. A gente não deixou de se identificar com essas histórias”.

O painel foi guiado pela temática da série, assim como os demais. Dessa maneira, o que podemos esperar de Coisa Mais Linda, no dia 22 de março, é uma série que usa do passado para refletir o próprio presente, convidando o espectador para uma reflexão sobre o que de fato mudou em meio século de história, o que não mudou e o que ainda precisa ser mudado.