Shazam! e Capitã Marvel estão nos cinemas. O fato é uma estranha coincidência de uma propriedade que nasceu na década de 30 e teve um processo que a quase matou na década de 40. Originalmente, os dois personagens possuem o mesmo nome.

Quando Billy Batson surgiu, ele não dizia Shazam! para se transformar em um herói. Ele foi o primeiro Capitão Marvel, lançado em 1939 na Whiz Comics, criado por C.C.Beck e Bill Parker, da editora Fawcett. Foi um dos primeiros heróis dos quadrinhos e um sucesso logo de início.

O Capitão Marvel tinha a HQ mais vendida dos Estados Unidos, superando em um milhão por mês o Superman. Não demorou muito para Fawcett criar uma franquia. Nela estava a Família Marvel, que incluía Mary Marvel, Capitão Marvel Júnior, Tio Marvel, entre outros.


Temendo a concorrência, a DC processou a Fawcett, alegando que o Capitão Marvel foi baseado no Superman. Esse processo durou 12 anos. Por duas vezes, a Fawcett ganhou, com os juízes decidindo que o Capitão Marvel não tinha surgido do Superman.

Mesmo assim, ao ver a queda das vendas, a Fawcett desistiu do processo e fez um acordo com a DC, que pagou US$ 400 mil dólares pela propriedade. O título final do Capitão Marvel original foi lançado em 1953.

Uma cópia do Capitão Marvel voltou em uma minissérie de 1966, da M.F. Enterprises. Ele era um androide que se dividia em várias partes. Foi quando a Marvel ofereceu US$ 6 mil para pequena editora para comprar o personagem.

A M.F. recusou. Então, o editor Martin Goodman, da Marvel, fez com que Stan Lee e Gene Colan fizessem um outro Capitão Marvel, lançado em 1967, na revistinha Super-Heroes #12. Não demorou muito e essa história ganhou mais um processo.

M.F. e Marvel fecharam um acordo em 1970. Por US$ 4,5 mil, a editora de Goodman e Stan Lee ficou com a propriedade do personagem.

Em 1968, o Capitão Marvel já tinha ganho a própria HQ. A primeira série foi finalizada em 1970, com uma aparição do Hulk. Na mesma época, visando vender mais HQs, a DC decidiu registrar os personagens da Fawcett.

O relançamento do Capitão Marvel estava marcado para 1973. Coincidentemente ou não, a Marvel se adiantou e no mesmo período lançou a nova série do seu Capitão Marvel. Com essa jogada da concorrente, a DC teve que mudar o nome das HQs.

Foi quando surgiu Shazam, a palavra dita por Billy Batson. No entanto, até a edição 15, a revistinha tinha em seu título a identificação de “O Capitão Marvel original”. Ela foi retirada apenas quando a editora de Goodman fez um comunicado pedindo que a frase fosse apagada das publicações.

Durante as décadas seguintes, Marvel e DC não viram Capitão Marvel ou Shazam! decolarem com o público. Até Carol Danvers assumir o manto de Mar-Vell e fazer sucesso foram mais de três décadas.

Enquanto isso, Shazam! ganhou cinco séries, uma na década de 80, outra em 90 e outras três nos anos 2000. A mais popular foi Billy Batson e a Mágica de Shazam!, que aumentou o número de fãs dos heróis, mas ainda não era o suficiente.

Mantendo as coincidências, foi em 2012 que surgiram as HQs, tanto de Capitã Marvel, quanto de Shazam!, que são as inspirações para os filmes que estão no cinema.

Carol Danvers apareceu primeiro em Vingando o Homem-Aranha #9, sendo originalmente a Miss Marvel e apenas depois a Capitã Marvel. Já Shazam!, abandonando de vez a identidade de Capitão Marvel, aparece em Liga da Justiça #7.

Foi assim que as tramas que agora estão nos cinemas começaram. Coincidentemente, ambos personagens escrevem mais um capítulo de suas histórias juntos.

A diferença de lançamento de Capitã Marvel e Shazam! foi de apenas um mês. Enquanto a heroína da Marvel passou de US$ 1 bilhão de arrecadação nos cinemas, o personagem da DC é aclamado pela crítica como um dos melhores longas da editora.

Capitã Marvel e Shazam! estão em cartaz nos cinemas brasileiros.