Foram exibidos à imprensa quinze minutos de cenas da aguardada cinebiografia de Elton John, Rocketman, que chega no fim de maio aos cinemas. Dirigido por Dexter Fletcher, que comandou parte de Bohemian Rhapsody, o filme já é alvo de diversas comparações com a obra sobre Freddie Mercury, e o material exibido hoje pela Paramount confirma algumas delas enquanto mostra também algumas novidades.

Se o Rocketman, o filme completo, é o álbum, então este clipe estendido funciona como uma espécie de suite, uma faixa compacta que compila um pouco de tudo que veremos quando o longa chegar aos cinemas. Não é o bastante para dizer se o resultado funcionará ou não como um todo, mas dá um gosto do que esperar: uma cinebiografia familiar em sua estrutura mas visualmente extravagante.

O material traça uma linha do tempo que segue desde a infância de John até um período mais obscuro de decadência. Na primeira cena, vemos o pequeno Reginald Dwight comparecendo a uma aula de piano, mostrando-se um talento para sua rígida professora. O tempo pula e Reginald, já adolescente, desenvolve um gosto por rock que não agrada a tutora, mais afeita à música clássica. O trecho tem um quê de Billy Elliot, não por acaso do mesmo roteirista Lee Hall.


A partir disso, o clipe acelera e vemos então a gênese da carreira de Reginald, agora autonomeado Elton, ao lado de seu letrista Bernie Taupin (Jamie Bell) e seu gerente John Reid (Richard Madden). Este trecho é um dos que mais remetem a Bohemian Rhapsody – e a maioria das cinebiografias musicais -, com o clichê do executivo veterano que nega o potencial de John diante de faixas que seriam celebradas anos depois.

É com o primeiro show no Troubadour, em Hollywood, que temos um primeiro gosto da pegada mais lúdica que Rocketman quer trazer à fórmula ainda cheia de convenções. Lá, Elton se apresenta para uma pequena plateia com Crocodile Rock, e a atmosfera da sala se altera literalmente: todos, incluindo o cantor, passam a flutuar durante os segundos instrumentais que seguem o refrão.

Vemos relances de outras ocasiões irreais ao longo do material, como um piano ao fundo de uma piscina, mas a ludicidade se confirma em cheio nos números musicais com coreografias de dança e câmera. Próximo ao final do clipe, são revelados apenas segundos de um número em um parque de diversões, mas uma discussão cantada entre Bernie e Elton tem alguns minutos para deixar uma impressão – se é pra seguir a cartilha, ao menos põem esse tempero a mais.

Não muito depois, o compilado se encerra. Há potencial em Taron Egerton, que canta suas próprias músicas, e em categorias técnicas como a direção de arte, que parece fazer um apanhado variado de épocas com espaço para a extravagância. Fica em cheque, ainda assim, se Rocketman tem ousadia e números musicais o suficiente para se distinguir com êxito de outras cinebiografias musicais, um gênero que pode atingir um estado de fadiga em breve.