O final da terceira temporada de Riverdale foi quase perfeita, não apenas amarrando as pontas soltas da temporada, como também entrelaçando as histórias das duas primeiras temporadas da série – da Morte de Jason Blossom, aos assassinatos do Capuz Negro.

No entanto, esse desfecho veio após a pior temporada da série até agora, que arrastou os seus mistérios de forma quase infindável. Em outras palavras, Riverdale teve o problema oposto ao da temporada final de Game of Thrones.

O oitavo ano da série da HBO foi altamente criticada por correr com certos acontecimentos, não construindo de verdade seus personagens, como foi o caso de Daenerys, que mudou da água para o vinho, ou daquele desfecho que mais pareceu um ‘resumão’ daqueles de livros pedidos em vestibulares.


Com isso, é seguro afirmar que as duas séries apresentam um problema similar, ainda que estejam em pontos opostos: uma teve uma temporada longa demais e a outra curta demais.

Dito isso, enquanto que Game of Thrones simplesmente estragou seu final (na realidade a série já não era boa desde a 5ª temporada, mas a 8ª conseguiu ser pior que todo o resto), Riverdale ainda tem chance de se salvar através da sua vindoura 4ª temporada.

Muita coisa em pouco tempo

O real problema de Game of Thrones é que a série ultrapassou os livros originais de George R. R. Martin e David Benioff e D.B. Weiss provaram ser incapazes de continuar a história com o mesmo padrão de qualidade, sem ter algo para guiá-los apropriadamente. Com isso, vimos algumas boas mudanças, incluindo mortes de personagens antes que eles pudessem, de fato, fazer alguma coisa relevante, ou mudanças repentinas nas suas atitudes.

A temporada final foi um exagero à parte, resolvendo grandes conflitos, como a guerra contra o Rei da Noite, a guerra contra Cersei e a ‘loucura’ de Daenerys em apenas seis episódios, algo obviamente apressado. Para piorar, a decisão partiu dos próprios criadores da série, visto que a HBO estava mais que disposta a estender a série por quanto tempo fosse necessário.

Fillers e fillers

Riverdale, por sua vez, cai no velho problema das séries com mais de 20 episódios, um péssimo padrão estabelecido há anos na indústria, que simplesmente não funciona nos dias atuais: as temporadas acabam ficando repletas de fillers.

O fato da primeira temporada de Riverdale, que contou com 13 episódios, ter sido a melhor da série até agora deixa bem claro qual é o problema da série. Infelizmente, esse é o padrão utilizado pela CW, que afeta negativamente muitas outras séries da emissora, como The Flash, Arrow e Supergirl.

A segunda temporada de Riverdale lidou com o problema de estender o mistério do Black Hood por mais tempo que deveria e o mesmo ocorreu com a terceira temporada, com o Rei Gárgula tendo sido desmascarado três vezes – apenas a terceira revelando a verdadeira identidade do vilão.

Como resolver o problema?

Riverdale pode corrigir esse problema adotando uma abordagem similar a O Mundo Sombrio de Sabrina, da Netflix, cuja primeira temporada foi dividida em duas partes. Embora essas duas partes – já disponíveis na plataforma – tenham cada uma um clímax diferente, com focos individuais distintos, elas acompanham uma ideia geral: de Sabrina tentando lidar com as duas metades de sua vida, como mortal e bruxa.

O mesmo poderia ser feito com Riverdale. Com isso, a série poderia se livrar de seus fillers e contar histórias menores, porém com maior foco, sem a velha enrolação que vemos em diversos episódios

A própria interrupção no meio da temporada contribuiria para isso e esse modelo já foi feito anteriormente em séries como The Walking Dead (para dar outros exemplos fora do streaming) e Mad Men.

Vamos ver se os produtores e roteiristas de Riverdale vão aprender alguma coisa com seus próprios erros.