Para o desapontamento dos fãs de Supernatural, foi confirmado que a vindoura 15ª temporada da série seria a última aventura de Sam e Dean Winchester. Felizmente, veio uma surpresa positiva: a série revelou que Deus será o vilão final da série e essa foi uma das melhores escolhas tomadas pela série em anos, além de ser a única opção lógica.

O final da 14ª temporada revelou que Deus é um ser frio e manipulador que passou a enxergar suas criações como meros brinquedos. Como esperado, Sam e Dean reagiram violentamente a essa revelação e Deus respondeu à altura, liberando o inferno na Terra.


Um vilão insuperável

Escolher o vilão final de uma série tão longa naturalmente era uma importante decisão e com Deus, Supernatural tem o perfeito antagonista e a única opção que faz sentido, se olharmos para o histórico da série.

De um ponto de vista prático, Supernatural teve dificuldades no passado ao tentar superar seus vilões superpoderosos. Depois da quinta temporada, por exemplo, quando Lucifer foi derrotado e o apocalipse impedido, foi difícil ver como a série poderia construir um vilão tão ameaçador e poderoso quando o Diabo.

Não por acaso, muitos espectadores consideraram que a série perdeu seu rumo nesse trecho. Aliás, vale notar que o plano inicial seria acabar a série nessa temporada – não por acaso o showrunner Eric Kripke saiu do cargo ao término desse ano da série, permanecendo apenas como consultor.

Eventualmente, eles conseguiram encontrar uma maneira de continuar, utilizando mais e mais Castiel para tal.

Agora, chegamos a um ponto em que Deus se torna o oponente ideal para os Winchester enfrentarem. O final de Supernatural precisa garantir que o risco é o maior possível e que as chances estão todas contra Dean e Sam. Além disso, era necessário entregar um vilão que jamais poderia ser superado, que superasse todos os anteriores. Obviamente, Deus atende todas essas categorias.

Conclusão perfeita

Mas não é apenas o poder de Deus que faz dele o vilão perfeito para essa temporada final. Trata-se da culminação de uma história que está presente há tempos na série. Desde que Deus foi mencionado pela primeira vez em Supernatural, ele foi apresentado como um pai ausente – alguém que fugiu de suas responsabilidades no Céu porque nenhuma de suas criações atendeu às suas expectativas.

Indiretamente, a ausência de Deus causou a aparição de muitos vilões anteriores da série. A queda de Lucifer, a manipulação do Céu por Naome, a corrupção de Michael, a guerra civil de Raphael e os consequentes leviatãs. Tudo isso pode ser encarado como culpa da ausência de Deus.

Por fim, há algo sobre Deus na série que nunca foi resolvido. Ele já atuou como aliado de Sam e Dean, já mostrou remorso, mas ele sempre pareceu estar mais interessado em si próprio, nas suas vontades, do que no bem-estar do Universo como um todo. Ao enfrentar Deus na 15ª temporada, Sam e Dean não vão meramente enfrentar o vilão do momento, eles vão enfrentar a fonte de praticamente todos os problemas que já enfrentaram.

Caso os Winchester consigam “reabilitar” Deus, fazer ele se importar novamente com os seres humanos, o espectador terá plena certeza de que Sam e Dean deixaram o mundo um lugar consideravelmente mais seguro.

Um belo fim para Supernatural.