Poderíamos dizer que The Walking Dead é a maior criação de Robert Kirkman. Mas isso não seria bem verdade. Histórias de zumbi estão aí há anos e não é a temática geral de The Walking Dead que a diferencia de todo o resto. É seu protagonista.

A maior criação de Robert Kirkman é Rick Grimes: o herói perfeito de histórias de zumbi.

Grimes foi introduzido já como um personagem formado, pronto para introduzir uma nova geração de leitores aos zumbis e liderar grandes momentos de sobrevivência, tanto nos quadrinhos, quanto na televisão, tudo enquanto é desconstruído e reconstruído repetidas vezes, sempre evoluindo como personagem.


Sua longevidade fala por si só, ele guiou a obra por 192 edições, ao longo de dezesseis anos, enquanto que na televisão sustentou a série por nove temporadas. Mas ele não era simplesmente um protagonista que todos gostávamos.

A natureza de Rick o apresenta tanto como herói (ou anti-herói, dependendo de sua tolerância em relação ao assassinato), quanto como alguém que trabalha difíceis temas do século XXI – tudo isso, recebendo grande aprovação da audiência. Ele era o raro líder que poderia falar com um público extremamente dividido. Há razões reais pelas quais Rick é o herói perfeito dessa história e das histórias de zumbi como um todo.

O eterno xerife

Enquanto que vimos Rick apenas brevemente antes do apocalipse zumbi, seu papel antes disso tudo ajudou a colocá-lo no papel de liderança após o “fim do mundo”. Rick era xerife de uma cidade pequena, isso é apresentado bem na primeira edição, que deixa claro o quão pequena era sua cidade.

Dito isso, é fácil enxergar Rick Grimes como um mártir, algo que aparece logo na primeira edição da revista, que mostra ele levando um tiro, acordando semanas depois. Mas ele não é bem isso, ele é alguém que genuinamente se preocupa com a sobrevivência própria, de sua família e das comunidades que formou desde que o mundo acabou.

Ele não é um mártir pois ele não está preparado para desistir de tudo, muito pelo contrário, ele lutou muito duro para manter tudo o que ele tinha. Ao invés disso, ele pode ser melhor definido como alguém preparado para fazer certos sacrifícios.

Alguns desses sacrifícios são bem óbvios. Rick perdeu sua mão direita em uma missão de resgate e parcialmente perdeu sua habilidade de andar para derrotar um tirano. Ele parece um homem muito mais velho em razão de anos de estresse. Isso sem levar em conta todas as pessoas que ele perdeu ao longo dos anos – incluindo sua esposa e filha ainda bebê.

Aceitar esses sacrifícios é o que permite Rick se manter um bom líder em um mundo que já mostrou várias vezes como as pessoas são destruídas por isso. Rick retratava a noção de que uma sociedade democrática demanda certos sacrifícios – ideia que é mantida mesmo com sua morte.

O herói perfeito

Como idealista que era, Rick obviamente tomou algumas péssimas decisões. Ele falhou, tropeçou algumas vezes, resultando na morte de algumas pessoas ao longo dos anos. Dito isso, seus ideais de proteger os fracos, de restaurar a democracia e salvar vidas sempre que possível não são enfraquecidos por isso – muito pelo contrário. O retorno próprio a esses ideais é o que faz dele um herói inspirador.

Ele é um líder que reconhece os grandes erros do passado e usa esse conhecimento para corrigir novos erros sempre que possível, essencialmente lutando por um futuro melhor. Após a destruição da prisão, é fácil ver o quão desesperado Rick e os outros ficam, levando-os por situações tenebrosas. Ainda assim, ele guiou todos para um lugar melhor, tirando aqueles à sua volta da escuridão.

Repetidas vezes ele fez isso.

Rick Grimes é um herói que representa valores que definem a civilização, a raça humana como um todo. São valores essenciais para reconstruir esse mundo devastado. Ele é alguém que, apesar de tudo, não deixou ser tomado pela escuridão, não totalmente. Ele sempre retornou ao seu idealismo e isso faz dele o herói perfeito, não só para histórias de zumbi, como para o nosso mundo.