A guerra dos serviços de streaming tem um novo exército em campo. Nesta semana, a Warner Media anunciou oficialmente sua entrada no mercado de produções originais com o HBO Max, serviço que trará todas as propriedades do grupo Warner, que passam pelo cinema e TV, trazendo todo o braço da CW, Warner Channel e DC. É um jogador de peso para um mercado que só continua crescendo, com todos visando tirar a dominância da Netflix.

E uma das principais armas de cada novo serviço de streaming é simples: exclusividade. A Netflix detém diversas produções que não são de sua autoria no catálogo, formado através de parcerias duradouras com estúdios ao longo dos anos para garantir sua exibição. Nesse meio tempo, a Netflix aposta cada vez mais na produção maciça de conteúdos originais (como Stranger Things, House of Cards e Orange is the New Black) e filmes exclusivos do catálogo. E essa produção deve se tornar mais intensa, já que todas as séries que não forem do selo original Netflix devem deixar o catálogo de vez.

As bombas começaram a cair na semana passada, quando a NBC anunciou que todas as temporadas de The Office deixariam o streaming da Netflix (no Brasil, a comédia com Steve Carell está no serviço da Amazon Prime), para se tornarem exclusivas da plataforma que o grupo da Universal ainda vai anunciar. Então, todos se desesperaram quando a HBO Max trouxe seu anúncio, confirmando que a adorada Friends enfim deixaria o catálogo da Netflix, sendo uma série que custou um adicional de US$100 milhões para que a Netflix pudesse mantê-la por mais um ano. 


E Friends não é a única série que deixará a Netflix para se juntar ao HBO Max. Diga adeus a todas as séries que saem do braço da CW: Arrow, The Flash, Supergirl, Legends of Tomorrow e Riverdale já têm os dias contados na Netflix, e em breve serão conteúdo exclusivo da HBO Max. Isso também deve acontecer com todos os filmes da Warner Bros e New Line Cinema, que estão na Netflix de forma expressiva.

Claro, todos esses acordos estão ligados ao catálogo da Netflix nos EUA. Não foi divulgado publicamente como a distribuição funcionaria para mercados internacionais como o Brasil, afinal nem todos os serviços de streaming foram anunciados oficialmente aqui. Um exemplo é a série Titãs, que é exibida pela Netflix pelo simples fato de o DC Universe não ter sido lançado no país, garantindo um acordo com a Netflix (similar àquele feito com a CW) para exibir a série dos heróis aqui. Existe a possibilidade das séries ficarem em território internacional por mais tempo do que nos EUA, mas a tendência é de que todos os demais serviços de streaming cheguem ao país eventualmente.

Briga de cachorro grande

Isso porque a HBO Max não a única nem maior ameaça ao reinado da Netflix. A Apple TV+ se mostrou como uma plataforma promissora e cheia de grandes nomes da indústria produzindo conteúdo original, trazendo Steven Spielberg, J.J. Abrams (que também tem um acordo com a Warner), Damien Chazelle e diversos outros criadores de renome para produções exclusivas do streaming do iPhone. Mas, claro, a grande ameaça vem na forma do Disney+, um serviço que será mais barato que a Netflix e também provocará a retirada de uma quantidade gigantesca de conteúdo da Netflix; não só de produções da Disney (todos os filmes da Marvel Studios e Star Wars estão no catálogo americano da Netflix), mas também de todas as propriedades da Fox que agora pertencem à empresa do Mickey Mouse.

Isso justifica a decisão da Netflix em apostar em cada vez mais conteúdo original. Seu catálogo precisa ser preenchido com filmes, séries e documentários de assinatura própria, para que o grande êxodo de outras produções não traga um grande rombo na empresa – e a julgar pelos números de “audiência” da terceira temporada de Stranger Things, a Netflix ainda tem muita munição nessa briga.

O futuro está no streaming, e agora veremos quem será mais eficiente em nos manter entretidos.