Os fãs da Marvel tiveram um sonho realizado em 2015, quando o impossível se mostrou alcançado: o Homem-Aranha enfim se juntaria aos Vingadores, mais especificamente, apareceria no Universo Cinematográfico da Marvel Studios. Tom Holland se tornou Peter Parker naquele ano, e fez sua estreia em Capitão América: Guerra Civil, iniciando a improvável parceria entre Marvel Studios e Sony Pictures.

Agora que chegamos ao lançamento de Homem-Aranha: Longe de Casa, o contrato entre Kevin Feige e Amy Pascal chega ao fim. O acordo seria para 5 produções, que incluíram 3 participações em filmes do MCU (Capitão América: Guerra Civil, Vingadores: Guerra Infinita e Vingadores: Ultimato) e dois filmes da Sony, mas ambientados no MCU (Homem-Aranha: De Volta ao Lar e Homem-Aranha: Longe de Casa). O acordo precisa ser renegociado, e aparentemente a condição para que o contrato seja renovado é a de que Longe de Casa ultrapasse US$1 bilhão nas bilheterias – e a julgar pela estreia com metade desse valor, não parece uma tarefa impossível.

A Sony claramente não quer perder o acordo com a Marvel, e as notícias da condição da renegociação devem ser uma estratégia comercial. O acordo veio principalmente pela recepção negativa de O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro, que não trouxe o valor bilionário que o estúdio esperava, além da demissão de Andrew Garfield pelo CEO da Sony na época. Sem querer reescalar o ator ou fazer outro reboot, eis que o acordo com a Marvel aconteceu.


No papel, o Homem-Aranha ainda é da Sony, mas há alguns detalhes específicos na negociação. A Sony precisa entregar um novo filme do Homem-Aranha (ou seus personagens) em um período estipulado de tempo, em uma frequência que vamos chutar de 2 a 3 anos entre cada longa. Como as pontas do personagem no MCU não valem dentro desse negócio (por serem filmes da Disney), a Sony desenvolveu seu próprio universo compartilhado com Venom, Morbius e os vindouros derivados de vilões. Caso a Sony não produza filmes nessa janela, os direitos do Homem-Aranha retornam completamente para a Marvel – vide o caso do Quarteto Fantástico de Josh Trank, filme produzido apenas para manter a licença para a Fox.

O Venom-Verso

Durante o lançamento de Venom, filme estrelado por Tom Hardy em 2018, havia uma grande dúvida: ele faz parte do MCU? Se dependesse de Amy Pascal, a resposta é sim, mas não parece ser isso que Kevin Feige pensa. Porém, se o acordo com a Marvel for encerrado, legalmente a Sony pode colocar o Homem-Aranha de Tom Holland em sua franquia. Inclusive, caso a Sony queira inventar MAIS UM Homem-Aranha e trazer um QUARTO ator, isso também é possível – mas vai contra os interesses da Marvel, que prefere ter apenas um Cabeça de Teia em live-action em atividade.

Todos os personagens que aparecem no Homem-Aranha do MCU não podem aparecer no Venom-Verso, e vice-versa. Na realidade, existe uma cláusula um tanto complexa sobre personagens “congelados”. De forma bem resumida: se a Marvel Studios quiser usar um personagem da Sony em uma co-produção, ele precisa ser radicalmente diferente de sua versão dos quadrinhos. Isso explica porque MJ, May Parker, Ned Leeds, Adrian Toomes, Quentin Beck e Betty Brand diferem tanto de suas versões nos quadrinhos.

Então, dependendo do andar da carruagem, ainda teremos o Homem-Aranha no MCU. A Sony vai enchendo seus cofres de dinheiro graças à parceria com a Marvel Studios e ainda tem sua licença ativa com os derivados do “Venom-Verso”, e a bilheteria de Longe de Casa deve realmente bater a sonhada meta do bilhão.

Tom Holland não vai a lugar nenhum.