A terceira temporada de Stranger Things foi lançada na Netflix no início de julho, e foi um sucesso estrondoso de audiência para a plataforma.

No entanto, a série carro-chefe da Netflix cometeu alguns dos erros narrativos que tanto prejudicaram a temporada final de Game Of Thrones.

O site Screen Rant analisou a preocupante semelhança entre as narrativas das séries, confira abaixo!


Uma mudança de tom

Após a quinta temporada de Game Of Thrones, fãs da série começaram a perceber um certo declínio na qualidade da narrativa. Ao invés de focar no desenvolvimento do enredo e nas jornadas dos personagens, a série da HBO preferiu investir mais em reviravoltas chocantes e momentos “épicos”, que pecavam pela falta de ligação com as narrativas anteriores.

Game Of Thrones sempre foi uma série surpreendente. Porém, nas primeiras temporadas, as reviravoltas pareciam mais naturais e de acordo com a condução da trama.

À medida que os episódios avançavam, os momentos mais importantes pareciam forçados e perdiam, e muito, sutileza.

O motivo dessa mudança é bem simples: a partir da quinta temporada, a trama de Game of Thrones passou na frente da obra de George RR. Martin e passou a ser desenvolvida completamente pelos showrunners da HBO.

Por isso, a série contou com tramas estranhas, como a da morte de Mindinho, e outras completamente aceleradas e descuidadas, como a tomada de Porto Real e a crescente loucura de Daenerys.

Choques em Stranger Things

A terceira temporada de Stranger Things também preferiu momentos épicos e chocantes ao invés de um desenvolvimento crescente dos personagens e da narrativa.

As duas primeiras temporadas da série também contaram com momentos de puro choque, como a morte de Bob, mas estes momentos foram realmente surpreendentes e não pareceram forçados.

Dessa forma, a série começou a esconder certas informações do público para aumentar o fator de choque em certas tramas.

Isso acontece especificamente na trama de Billy e do Devorador de Mentes, mostrando apenas um lado da história para aumentar a importância da batalha final.

Pior ainda foi a trama do assassino russo à lá Exterminador do Futuro. O personagem parecia ter até força e resistência super-humanas, mas sua

história nunca foi expandida de maneira que o público pudesse se importar com o vilão.

Covardia narrativa

Outro problema da nova temporada de Stranger Things, que também aconteceu no final de Game Of Thrones, foi a “covardia narrativa” da série.

Na temporada final de Game of Thrones, personagens pareciam estar em sério perigo. O público esperava que vários deles morressem, e a série conduziu a trama para aumentar essa expectativa. No final, grande parte dos protagonistas continuaram vivos.

Isso também ocorreu em Stranger Things. Em vários momentos da temporada, o público foi conduzido a acreditar que certos personagens morreriam, entre Steve, Nancy e Eleven.

Com isso, as mortes realmente importantes, como a de Billy, perdem peso narrativo.

No caso de Hopper, a estratégia foi ainda mais clara. O personagem provavelmente “morreu” apenas para retornar na próxima temporada, assim como aconteceu com Jon Snow em Game of Thrones.

Melhorias no Futuro

Game of Thrones já acabou, o que torna os problemas das últimas temporadas gravados em âmbar.

Stranger Things ainda tem a chance de dar a volta por cima.

A próxima temporada da série tem uma ótima oportunidade para expandir a mitologia e a narrativa da série ao mover a trama para outra cidade, com a mudança de Joyce e sua família.

Dessa forma, a série pode investir em mais desenvolvimento dos novos grupos de personagens, além de introduzir novos aspectos para a trama e deixar de confira no “fator choque”.