A morte de Tony Stark em Vingadores: Ultimato foi um dos momentos mais devastadores da Marvel nos cinemas, e um que justifica o modelo do estúdio em taxar o filme dos irmãos Russo como um “encerramento”. Afinal, foi justamente o Homem de Ferro quem engatou toda a franquia bilionária da Disney, lá no verão americano de 2008, e vem carregando-a praticamente nos ombros desde então.

Em entrevista recente durante o lançamento de Ultimato em DVD e Blu-ray, o presidente do estúdio, Kevin Feige, revelou que o drama Logan foi uma inspiração forte desse desfecho. Assim como o filme do MCU, o longa de James Mangold se despede de um ícone do gênero, e que estava nas telas há ainda mais tempo do que o Tony Stark de Robert Downey Jr.: o Wolverine de Hugh Jackman, que morreu pra valer no filme de 2017. Feige queria esse tipo de impacto emocional para a morte do “rosto” do MCU, e parece que ele conseguiu.

A morte de Tony Stark é um grande marco para o MCU, e que traz peso ao filme. Stark morre em um sacrifício para salvar o universo e destruir Thanos de uma vez por todas, e o fato de que o longa ainda traga a reação de todos os demais heróis em seu funeral, rendendo uma cena verdadeiramente emocionante, ajuda a salientar esse grande feito. Se Feige mirou em Logan, ele acertou, e em alguns aspectos é até capaz de se vangloriar de ter obtido um resultado superior.


Tony morre nos braços de sua amada e ao redor de diversos personagens que acompanhou ao longo de uma década. É um impacto maior do que aquele visto em Logan, que morre tentando salvar um grupo de jovens mutantes, e também sua clone, a X-23. Por mais que James Mangold tenha trabalhado muito bem a relação entre o Wolverine e a pequena Laura, nós literalmente havíamos conhecido-a há algumas horas atrás. Conhecemos e acompanhamos a relação de Tony e Pepper por uma década – e mesmo com altos e baixos, foi uma dinâmica que ganhou mais força.

A mão de Mangold

Porém, Logan não deve ser totalmente descartado. A verdadeira despedida dos X-Men nos cinemas (todos podemos concordar em esquecer Fênix Negra eternamente, certo?) pode não ter seguido uma linha tênue e cronologicamente correta quanto o MCU – e o filme pode até ser visto de forma isolada dos demais – mas trouxe uma força marcante na morte do protagonista.

Grande parte disso vem pela catarse: Logan finalmente sente o amor de uma família, na forma de sua “filha”, que até mesmo o chama de pai. É aquilo que o personagem renegou durante grande parte de sua vida, e que literalmente aprecia em seus últimos suspiros de vida, declarando “então essa é a sensação”. A cena, bem mais melodramática do que a de Vingadores: Ultimato, também garante que Hugh Jackman possa explorar sua grande capacidade como ator.

É também preciso falar sobre a direção. Não que James Mangold seja exatamente um cineasta autoral, mas foi capaz de uma cena mais emotiva em Logan do que os irmãos Russo em Vingadores: Ultimato. E por fatores simples: Mangold estava livre das amarras de cenários e elementos CGI que são fatores onipresentes na mise en scene de Anthony e Joe Russo (e sinceramente, aquela cicatriz digital em Stark quase distrai), e se beneficia de uma abordagem mais naturalista e focada nos enquadramentos quase íntimos dos rostos de seus atores.

Tanto a morte de Tony Stark quanto a de Logan representam dois dos momentos mais dramáticos da Marvel. Cada um deles serviu um propósito enorme para sua respectiva franquia, com Ultimato levando a medalha no que diz respeito a impacto para sua série de filmes, mas Logan facilmente sendo vencedor na categoria de cinematografia.

Dito isso, dois ícones que deixarão saudade.