Se fosse apenas só mais um lançamento convencional, Projeto Gemini passaria despercebido pela maioria dos cinéfilos. Claro, é um filme de Ang Lee. Claro, é um filme que traz o carismático Will Smith em um papel duplo. Mas o que realmente chama a atenção na ficção científica que chega aos cinemas nesta semana é toda a tecnologia ao seu redor. E acredite: existe uma forma correta de assistir ao filme, e que infelizmente talvez não seja possível na maioria dos cinemas não apenas do Brasil, mas de todo o mundo.

Antes de falar sobre a técnica inovadora que Projeto Gemini apresenta, é preciso relembrar como o básico funciona. Tradicionalmente, todos os filmes são exibidos em 24 FPS (frames por segundo), ou seja, o olho humano capta 24 quadros a cada segundo, o que fornece a ilusão de movimento na tela. Na televisão, a imagem é um pouco mais alta com 30 FPS, algo que a função do smooth motion de alguns televisores também fornece. Ang Lee foi além e chutou a porta: Projeto Gemini foi rodado com câmeras de 120 frames por segundo. 

Isso significa que a imagem é muito mais fluida, nítida e aparenta ser mais “rápida”, simplesmente porque nosso olho está recebendo uma quantidade de informação por segundo muito maior do que o habitual. É perfeitamente comum sentir uma estranheza assistindo ao filme, e que já foi sentida quando tivemos o primeiro desses experimentos no cinema: em 2012, Peter Jackson lançou O Hobbit: Uma Jornada Inesperada em revolucionários 48FPS, o dobro do comum. A recepção do público e da crítica foi maioritariamente negativa em torno do formato de exibição, e Hollywood parou de se aventurar com ele.


Ang Lee conhece o HFR

Foi novamente com Ang Lee, em seu morno A Longa Caminhada de Billy Lynn, que o High Frame Rate (contagem de quadros mais alto) voltou, e o cineasta aplicou os 120FPS pela primeira vez. Era um drama de guerra com pouca ação e efeitos visuais (algo que Projeto Gemini exacerba), mas que já causava uma impressão melhor do que aquela usada por Peter Jackson em seu prelúdio de O Senhor dos Anéis. Ainda assim, o longa não consegui a exibição correta: menos de 10 salas no MUNDO eram capazes de projetar o drama em 120FPS. No Brasil, o filme foi lançado diretamente em home video, e nem pudemos testar o experimento na tela.

Visando alcançar um público maior, Lee traz esse mesmo recurso para Projeto Gemini, mas novamente o tiro no pé: poucos cinemas estão equipados para projeção em 120FPS. No Brasil, não há equipamento potente o bastante para essa exibição sofisticada, então teremos aqui o chamado 3D+, que traz a exibição em 60FPS. É algo que faz diferença em comparação à projeção normal de 24FPS, e eu nem consigo imaginar o quão alucinado deve ser assistir a Projeto Gemini em seu formato desejado.

Só espero que da próxima vez, essa tecnologia interessante seja a aplicada em um projeto realmente bom. Se for para assistir em 2D, realmente não vale a pena, e o 3D+ deve ser a opção para matar a curiosidade.