Em seus momentos mais memoráveis, Game of Thrones foi uma série muito violenta e sangrenta. Justamente por isso, a série da HBO que adapta a saga das Crônicas de Gelo e Fogo de George R.R. Martin não deveria ser algo que vem à mente ao assistirmos um filme da Disney para toda a família, mas adivinhem só: foi o caso com Malévola: Dona do Mal, continuação do derivado live-action sobre a vilã da Bela Adormecida protagonizado por Angelina Jolie. Parece loucura, mas explico.

Quando encontramos os personagens de Malévola cinco anos após os eventos do primeiro filme, a vida de Aurora (Elle Fanning) sofre uma reviravolta inevitável para qualquer princesa de contos de fada: ela tem sua mão pedida em casamento pelo príncipe Philip (Harris Dickinson), o que resultará na união dos dois reinos daquela terra mágica: os Moors, que consistem nas florestas e suas criaturas, e a grande cidade de Ulstead; governada pelo Rei John (Robert Lindsay) e a Rainha Ingrith (Michelle Pfeiffer). Mas como descobrimos desde o início de Dona do Mal, as intenções de Igrith não são nada boas, principalmente para os Moors.

Para começar, a rainha maligna de Michelle Pfeiffer é responsável por envenenar seu marido e incriminar Malévola, que logo é acusada de ter jogado uma maldição. Ingrith sempre desejou o poder, e conspirou com algumas criaturas da floresta para tirá-lo do poder, para que ela mesmo pudesse assumir o trono. Podemos dizer que Cersei Lannister teria muito orgulho do método frio e calculista de Ingrith.


Casamento de Gás

Mas é mesmo quando o tal casamento chega que Malévola: Dona do Mal assume sua postura Game of Thrones total. Na metade do filme, todas as criaturas dos Moors são convidadas por Igrith para se juntar à cerimônia entre Aurora e Philip. Porém, há um detalhe: apenas as criaturas são permitidas de entrarem na igreja onde o casamento acontecerá, com todos os humanos de Ulstead extremamente aborrecidos por terem entrada barrada. Mas, nas palavras do Almirante Ackbar de Star Wars, “é uma armadilha”.

O plano de Igrith é trancafiar todas as criaturas, que incluem as fadas madrinhas de Aurora, na igreja para que sejam todos aniquilados. Os guardas trancam e isolam todas as saídas, enquanto Gerda (serva de Igrith vivida por Jenn Murphy) se posiciona em um grande órgão, que solta um gás letal para as criaturas, transformando-as em vegetação. Os fãs de Game of Thrones naturalmente se lembraram de um dos eventos mais devastadores de toda a série da HBO: o Casamento Vermelho, e é impossível não notar as semelhanças.

Assim como em Malévola, o Casamento Vermelho representava uma armadilha da família Lannister para Robb Stark e seus aliados. Após a cerimônia de casamento, Robb, sua mãe Catelyn, sua esposa e todos os seus companheiros foram brutalmente assassinados pelas tropas de Walder Frey. As duas obras têm grandes aproximações, principalmente por ambos os planos contarem com: a) a presença forte do vermelho (o gás do órgão) e b) a presença de um instrumento musical, onde o Casamento Vermelho é marcado pelos músicos tocando The Rains of Castamare.

Quem diria que, no meio do tedioso Malévola: Dona do Mal, Game of Thrones viria à mente? O tédio é capaz de provocar conexões curiosas.