ATENÇÃO: Contém spoilers de O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio

Há de nascer uma franquia com tantas tentativas fracassadas de reboot como O Exterminador do Futuro, que muitos argumentariam que só rendeu dois bons filmes ao longo de sua existência. Não concordo com isso, mas não é preciso ser um gênio para reconhecer que a saga criada pro James Cameron teve uma grande sucessão de erros, especialmente após o desastroso Gênisis, que foi envisionado para iniciar uma nova trilogia em 2015. Porém, a “salvação” da franquia chegou com O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio.

O sexto filme traz Tim Miller (Deadpool) na direção, além de trazer de volta Cameron nas funções de produtor e idealizador do roteiro, sendo sua contribuição mais ativa na franquia desde o segundo filme. Por mais que não seja um grande filme, Destino Sombrio é de longe a melhor continuação desde O Julgamento Final, de 1991, e abre possibilidades interessantes para o futuro. Pela primeira vez em anos, considero-me empolgado para os rumos que um hipotético (ainda que improvável) Exterminador do Futuro 7 poderiam trazer.


A Legião de Andróides

Destino Sombrio muda diversos elementos na mitologia da franquia. Nessa nova versão, o futuro apocalíptico não é mais causado pela inteligência artificial da Skynet, já que essa realidade aparentemente foi apagada após a morte de John Connor pelas mãos de um novo Exterminador. Dessa vez, a guerreira aprimorada Grace (Mackenzie Davis) revela que um sistema de inteligência batizado de Legião se revoltou contra os humanos – sendo fruto de um programa militar de defesa fracassado, e que também tem um pequeno grupo de humanos servindo como resistência.

Ainda não sabemos como essa Legião se formou, tampouco como é a situação no futuro descrito por Grace, onde Dani Torres é a grande salvadora da humanidade. Quando Destino Sombrio chega ao fim, Dani e a veterana Sarah Connor dirigem pela estrada juntas, dando a impressão de que a jovem mexicana será protegida pela personagem de Linda Hamilton. As duas tentarão impedir que a Legião assuma o poder, assim como os Connor em O Exterminador do Futuro 2? Ou será que, a fim de evitar uma repetição já aparente neste novo filme, a ideia seja já se preparar para o destino sombrio que é inevitável?

Sem Schwarzenegger?

Mas o caminho de Destino Sombrio deixa algumas pontas soltas que poderiam ser explicadas. O que aconteceu com a linha do tempo original da Skynet, que ainda tem o Exterminador de Arnold Schwarzenegger como relíquia? A morte de John Connor não deveria desencadear essa linha de eventos, mas claramente temos algum elemento de história sendo oculto aí.

Ao se encontrar com Dani e Grace, Sarah Connor revela que ela tem destruído Exterminadores há anos, desde a morte de seu filho. Ela foi recebendo mensagens criptografadas em seu celular que a alertam da localização de Exterminadores, que continuaram sendo enviados de volta no tempo. Destino Sombrio não explica como outras máquinas continuaram sendo enviadas, ainda mais considerando que a Skynet foi substituída pela Legião no futuro, então um sétimo filme poderia explicar essa confusão nas linhas temporais.

E, claro, temos a questão Schwarzenegger. Vivendo sob a alcunha de Carl, a máquina se misturou entre os humanos e desenvolveu uma personalidade, o que é uma ideia condizente com o que Cameron estabeleceu em Exterminador 2, e que garante uma ótima performance do astro. Mas como Carl é destruído no final, e fica subentendido que ele é o último de sua linhagem da Skynet, não existe uma solução lógica para trazer Schwarznegger de volta à franquia após Destino Sombrio.

A menos, é claro, que haja outro Exterminador T-800 com a cara de Schwarzenegger escondido por aí. Afinal, se a Sarah de Linda Hamilton passou anos matando Exterminadores enviados aleatoriamente, nada impede que a IA tenha enviado outros andróides pela linha do tempo.

O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio está em exibição nos cinemas.