Não sei vocês, mas eu literalmente nem lembrava que teríamos um novo filme da franquia O Exterminador do Futuro até ele chegar aos cinemas. Certamente essa impressão não se restringiu apenas a mim, mas a diversas pessoas, inclusive fãs da saga de ficção científica iniciada por James Cameron em 1984. O motivo é simples: não havia motivo para mais um filme, e a franquia esteve perdida por anos, sem um rumo claro e com uma coleção de fracassos consecutivos – isso depois dos dois magistrais filmes de Cameron, que ajudaram a moldar a carreira de Arnold Schwarzenegger.

Ao olharmos os números de bilheteria deste último final de semana, quando O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio chegou aos cinemas de quase todo o mundo, encontramos o longa na primeira posição nos EUA, mas bem abaixo das expectativas: o reboot de Tim Miller trouxe apenas US$29 milhões na caixa doméstica, ficando aquém até mesmo da previsão da Paramount Pictures; que já não era tão alta, na casa dos US$35 milhões. É um valor que coloca Destino Sombrio abaixo até mesmo de Gênesis, o péssimo filme anterior que também tentou reiniciar a franquia com um reboot no verão americano de 2015. 

E o resultado de Destino Sombrio nas bilheterias é uma pena, já que o filme é inesperadamente bom. Facilmente o melhor lançamento da franquia desde O Julgamento Final, de 1991, e que se beneficiou da participação mais ativa de Cameron na idealização da trama e na produção do projeto. Não é um grande filme, e muito menos isento de defeitos, mas que ao menos se propõem a tentar se desprender de elementos repetitivos da franquia para criar seu próprio universo, em uma tática que diversos críticos compararam com a abordagem de O Despertar da Força para a saga Star Wars – que vem sendo carinhosamente apelidada de “legacyquel”. Mas a realidade é um fracasso que pode resultar não apenas em um prejuízo de mais de US$120 milhões para o estúdio (que investiu quase US$200 milhões no orçamento), mas também para o extermínio definitivo da franquia.


Julgamento inevitável

Por mais satisfatório que Destino Sombrio seja, não é nenhuma surpresa testemunhar seu naufrágio. A franquia O Exterminado do Futuro não estava em sua melhor forma, e não podemos culpar o público por isso. O último filme, Gênesis, foi um completo desastre, e que desconstruiu a mitologia da franquia da pior forma possível. E o mais agravante foi que Gênesis também era uma nova tentativa de reboot, que tentava reiniciar um caminho que O Exterminador do Futuro: A Salvação foi incapaz de construir. Ou seja, Destino Sombrio vem como a terceira “não se preocupe, dessa vez vamos acertar”, já testando uma confiança abalada com os fãs.

O marketing certamente não ajudou. O primeiro teaser trailer era sonolento e sem graça, algo que não foi melhorado nas prévias seguintes, que traziam fotografia escura, efeitos visuais nada impressionantes… Enfim, nada que realmente empolgasse o espectador. Grande parte da aposta da campanha estava no fato de que teríamos Linda Hamilton de volta, com a atriz veterana assumindo o foco nos pôsteres e money shots do trailer, assim como a sugestiva tagline “o produtor James Cameron retorna”. É uma frase que faz efeito para um nicho muito específico que realmente se importa, mas que pouco faz para um novo público.

Sem Salvação

É uma pena que o prejuízo de O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio seja o que mate a franquia, justamente quando ela mostrava indícios de caminhar para um caminho interessante. Mas não podemos fingir surpresa, já que o “destino sombrio” era evidente independente do resultado do filme. Talvez se Gênesis não existisse (um favor para a Humanidade), a expectativa pudesse ter sido melhor formulada.

Mas é realmente hora de O Exterminador do Futuro ser exterminado.