Apesar do sucesso, Coringa, dirigido por Todd Phillips, ainda é um filme muito controverso.

Para muita gente, a transformação de Arthur Fleck (Joaquin Phoenix) que vai de comediante fracassado para o Coringa, que é um terrível assassino, tem problemas relacionados a estigmatização de doenças mentais e masculinidade tóxica.

Mesmo com toda a polêmica de Coringa, ainda existe um filme que pode ser mais polêmico: O reboot de O Homem Invisível.


O Homem Invisível, que será protagonizado por Elizabeth Moss (The Handmaid’s Tale), conta a história de Cecilia Kass, uma mulher atormentada pelo fantasma de seu ex, Adrian (Oliver Jackson-Cohen), um homem abusivo que se “suicida” e deixa US$ 5 milhões de sua fortuna para ela – em uma forma de compensação.

Porém, ele estipula uma condição: Ela não pode ser considerada mentalmente instável. No fim, tudo não passa de um jogo criado por ele, que se transforma em O Homem Invisível e passa a atacá-la repetidamente para levá-la a insanidade.

Em um artigo, o CBR comparou Coringa e O Homem Invisível, explicando porque o segundo filme deve ser bem polêmico.

O Homem Invisível e sua misoginia

A verdade é que todo o conceito por trás de O Homem Invisível é totalmente retrógrado e misógino.

Contar uma história de uma mulher que é mentalmente e fisicamente aprisionada por um homem é algo muito repetitivo. O Homem Invisível resume Cecilia a mulher que se torna um peão nas mãos dos homens da sociedade, seu ex e as próprias autoridades.

Além de ter que provar sua sanidade por dinheiro – o que por si só já é problemático – a personagem ainda vai lidar com situações extremamente abusivas, ou seja, é mais um filme de um homem exercendo poder sobre uma mulher.

Será que Hollywood e seu público precisam disso atualmente? Não existem histórias mais modernas para serem contadas?

Contar mais uma história de uma mulher chantageada, reduzida e manipulada é só uma repetição do que já foi feito nos cinemas milhares de vezes, o que acaba sendo muito mais prejudicial do que qualquer questão que Coringa discute.

No fim das contas, ao O Homem Invisível não lidar com seus temas de forma responsável, é bem possível que o filme acabe desrespeitando não só as mulheres, mas também as vítimas de problemas de saúde mental de todo o mundo.

Portanto, prepare-se. Em 2020, O Homem Invisível deve dar o que falar.

O Homem Invisível chega aos cinemas em 28 de fevereiro de 2020.