Grey’s Anatomy sempre se orgulhou em abordar temas polêmicos da vida real em suas tramas. De problemas de saúde mental a dilemas de ética médica, a produção de Shonda Rhimes já tocou em assuntos complicados de maneira sensível e responsável.

Em “Silent All These Years”, o 19º episódio da 15ª temporada da série, exibido no ano passado, Grey’s Anatomy fala sobre o trágico tema da violência e abuso sexual. Um ano depois, um estudo comprovou que a exibição do episódio aumentou a consciência do público sobre o problema e ajudou vítimas da vida real.

Confira as conclusões da pesquisa abaixo!


Emoção e sensibilidade

“Silent All These Years” já é considerado um dos melhores episódios de Grey’s Anatomy dos últimos tempo, talvez até mesmo da história da série.

Batizado com o nome de uma canção de Tori Amos, “Silent All This Years” mostra detalhadamente a ação das médicas Jo Karev e Teddy Altman no atendimento de uma vítima de estupro. As profissionais usam um exame (o que é chamado de rape kit) para coletar evidências após Abby, interpretada por Khalilah Joi ser atacada por um estranho.

A personagem é convencida a realizar um exame mais detalhado feito por uma equipe especializada em casos de abuso sexual. Quando a personagem é levada para a sala de cirurgia para o conserto de uma ruptura em seu diafragma, todas as mulheres do Grey Sloan Memorial a acompanham no corredor e impedem a entrada de qualquer funcionário homem.

No episódio, Jo encontra sua mãe biológica e descobre ser fruto de um estupro sofrido pela personagem, vivida por Michelle Forbes. No final do episódio, Ellen Pompeo encoraja os espectadores que sofrem com abusos a ligar para a RAINN, uma organização americana que lida com casos de estupro, incesto e exploração sexual.

O momento arrancou lágrimas de muita gente, e de acordo com um estudo conduzido pela Universidade de Oklahoma, teve repercussões na percepção da violência sexual na vida real.

O poder das histórias

A pesquisa foi realizada por um grupo da Universidade Estadual de Oklahoma, sendo publicada em um periódico interno de estudos médicos no final de novembro.

Segundo o estudo, o episódio de Grey’s Anatomy ajudou a aumentar o interesse do público em instituições de combate à violência sexual e a pesquisa por termos relacionados ao tema.

Uma das principais conclusões foi o aumento de busca por RAINN a Rede Nacional de Combate ao Incesto, Abuso e Estupro, uma organização voltada à defesa dos direitos das sobreviventes de situações traumáticas.

As buscas em mecanismos de pesquisa para o termo “RAINN” aumentaram em 41% após a exibição do episódio.

Os pesquisadores analisaram dados do Google Trends e Twitter. A busca pelos termos “rape” (estupro), “rape kit” (exame de estupro), “sexual assault” (violência sexual) e “sexual assault hotline” (linha de apoio a vítimas de abuso sexual) também aumentaram exponencialmente após a exibição do episódio.

A inspiração

Segundo a showrunner Krista Vernoff e a roteirista Elisabeth Finch, o episódio de Grey’s Anatomy foi inspirado pelo testemunho da Dra. Christine Blasey Ford durante as audiências de confirmação do juiz Brett Kavanaugh na Suprema Corte dos Estados Unidos.

Indicado por Donald Trump ao posto na corte mais importante do país, Kavanaugh foi acusado de abuso sexual por várias mulheres. Mesmo assim, o juiz foi confirmado na suprema corte.

Vernoff também contou que parte dos executivos da ABC foram contra a exibição de certas partes do episódio. Shonda Rhimes decidiu ignorar as “sugestões” da emissora e deixou a trama ser produzida de acordo com a visão de Elisabeth Finch.

Confira a cena mais emocionante de “Silent All These Years” abaixo!

A Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência é um canal anônimo de denúncias, reservado a qualquer caso de abuso e agressão contra mulheres. A central funciona 24h e pode ser contactada pelo número 180.

Grey’s Anatomy retorna com novos episódios em 2020.