A “shippagem” agora se estendeu para além dos cantos dos sites do Reddit e da Fanfiction para dominar a Internet convencional, e Star Wars não escapou dela. Neste caso, ocorre entre Finn e Poe Dameron.

Desde Star Wars: O Despertar da Força, em 2015, os atores parecem gostar da ideia de que Finn e Poe se tornem um casal. Intérprete de Poe, Oscar Isaac contou à Variety: “Havia uma intimidade que estava lá… Pessoalmente, eu esperava e desejei que talvez isso fosse levado mais longe em outros filmes, mas não tenho controle sobre isso. Parecia uma progressão natural, mas, infelizmente, é uma época em que as pessoas têm muito medo, eu acho, e não entendo.”

John Boyega, intérprete de Finn, acrescentou: “Eles sempre tiveram um relacionamento amoroso e aberto, no qual não seria muito estranho se fosse além disso.”


Dado que Star Wars: A Ascensão Skywalker se concentrará no passado de ambos os personagens, o espaço para a exploração de relacionamentos parece abundante. Mas recentemente, o diretor J.J. Abrams confirmou que não existe nada entre Poe e Finn, apesar de ter prometido que haverá representatividade LGBTQ – o que pode ser problemático.

Abrams disse: “No caso da comunidade LGBTQ, era importante para mim que todas pessoas que vão assistir sintam que estão sendo representadas no filme. Vou dizer que não posso revelar nada sobre o que acontece no filme. Mas acabei de dizer o que acabei de dizer.”

Representatividade em Vingadores: Ultimato

J.J. Abrams parece estar tirando uma página do livro dos irmãos Russo, diretores de Vingadores: Ultimato, prometendo “apenas o suficiente” em termos de representatividade LGBTQ.

Com Vingadores: Ultimato, os irmãos Russo deram um grande passo à frente na representatividade (que até recentemente era muito pequena na Marvel). O momento foi um personagem sem nome que menciona o namorado se transformando em pó durante o estalo. Só isto.

A reação a isso foi forte, para dizer o mínimo. Embora alguns tenham sido positivos quanto à sutileza da cena, muitos acham que isso não bastava. O presidente da Marvel, Kevin Feige, defendeu o momento, explicando: “Era apenas uma questão de fato, uma questão de vida e uma questão de verdade. E eu gostei que nosso herói, Steve Rogers, não pestanejou.”

É 2019, e se Steve Rogers, também conhecido como Capitão América, tivesse pestanejado para um casal gay, teríamos grandes problemas. Os passos que os irmãos Russo tomaram com Vingadores: Ultimato estavam totalmente fora de sincronia com o progresso de representatividade geral da Marvel.

Repetição do problema?

Agora, tememos que Star Wars – que sempre contou com mais diversidade do que a Marvel – siga o mesmo caminho.

Isaac ressalta que a “ambiguidade” entre Poe e Finn permite que mais pessoas se identifiquem com os personagens, o que é verdade. Mas vale a pena adotar uma postura definitiva e triunfante.

A esperança é que, de alguma maneira, a representatividade de Star Wars: A Ascensão Skywalker tenha menos reservas e vergonha do que a mostrada em Vingadores: Ultimato.

Star Wars: A Ascensão Skywalker chegará aos cinemas em 19 de dezembro.