The Goop Lab, série documental produzida e criada por Gwyneth Paltrow, estreou na Netflix nesta semana prometendo abordar uma série de métodos de terapia física e emocional não ortodoxos. A produção causou polêmica antes mesmo de estrear.

Para quem estava esperando um conteúdo extremamente polêmico e bizarro, pode ficar decepcionado. A série é uma produção simples e segura, falando com certa responsabilidade sobre vários temas do mundo do bem estar.

The Goop Lab é basicamente uma propaganda estendida da empresa de Gwyneth Paltrow, porém, ao assistirem a série, espectadores não podem deixar de se perguntar: a atriz de Vingadores: Ultimato realmente acredita no que sua marca vende?


Inconsistências

No quarto episódio de The Goop Lab, intitulado “The Health Span Plan”, Paltrow e sua equipe investigam se o processo de envelhecimento pode ser freado por dietas específicas e tratamentos naturais de beleza.

O objetivo básico do episódio é mostrar de Paltrow e duas colegas conseguem interromper o envelhecimento interno comendo (ou deixando de comer) alimentos específicos.

As três mulheres escolhem dietas diferentes e analisam os resultados. Wendy Lauria, a vice-presidente da companhia, escolhe uma dieta vegana. Elise Loehnen, uma executiva da marca, tenta um regime pescatariano (consiste de vegetais e peixe) e Paltrow optou por um “detox” de 5 dias, que é basicamente um jejum intermitente.

A dieta, criada por um professor de gerontologia da Universidade da Califórnia, envolve o consumo de 500 a 800 calorias por dia, o que é muito menos do que o recomendado para uma alimentação saudável.

Ao optar por essa dieta, Gwyneth Paltrow aparece abatida e com aspecto cansado, mesmo mantendo que está se sentindo bem. No final, nada é provado pelos resultados do episódio e nada fica definido sobre os efeitos das dietas a longo prazo.

Pseudociência?

Outros tratamentos mostrados em The Goop Lab também fazem pouco para comprovar a eficácia e sentido das práticas.

Em outro episódio da série, Gwyneth Paltrow experimenta o infame “vampire facial”, um tratamento que envolve a remoção do sangue, retirada do plasma e recolocação no corpo, aparentemente com propriedades anti-idade.

No entanto, a série não menciona que o tratamento já é considerado apenas uma moda passageira por especialistas, que duvidam fortemente de sua eficácia. Além disso, The Goop Lab não relata o caso de duas mulheres que contraíram HIV após o procedimento.

No final das contas, o grande problema de The Goop Lab é não admitir sua parcialidade, sendo apresentada pela Netflix como uma série de “bem estar” pessoal, não de uma empresa.

The Goop Lab está disponível na Netflix.