Nesta coluna do Observatório do Cinema, intitulada Artista da Semana, elegeremos o ator ou atriz de TV que mais nos impressionou durante os episódios da semana. Em época de fall season, é fácil se perder entre grandes séries e grandes atuações, mas sempre tem aqueles que merecem um destaque.

Como nessa semana nossas séries estiveram em hiato, e foi a última de 2016, resolvemos escolher a Artista do Ano.

Sarah Paulson é a primeira atriz a figurar duas vezes na curta história dessa coluna. A primeira vez, foi pela espetacular performance cômica como Audrey Tindall em American Horror Story: Roanoke. É apropriado que ela esteja aqui de novo, porque poucas atrizes tem contribuído de forma tão consistente e expressiva com o cenário televisivo – ano após ano, Paulson mostra que pode ser confiada com todos os tipos de personagem, mas nenhum ressoou tanto quanto Marcia Clark, em American Crime Story.


A atuação de Paulson é talvez a grande performance do ano, ponto. Não houve desempenho cinematográfico, pelo menos até agora, que se compare com o trabalho de Paulson na pele de Clark, advogada de acusação no caso criminal mais famoso do século passado, o julgamento de O.J. Simpson pelo assassinato da ex-esposa Nicole Brown e seu então namorado. O grande desafio aqui era moldar e mudar a percepção pública sobre Clark, que foi massacrada pela mídia da época tanto quanto pelo público.

American Crime Story lidou com muitos temas: as tensões raciais nos EUA na época do julgamento, que servem como espelho para as que acontecem hoje em dia; o papel da mídia sensacionalista e da fama do acusado Simpson em seu julgamento; e o machismo dessa mesma mídia, enfrentado por Clark, que foi colocada sob escrutínio público e julgada por muito mais do que a qualidade de seu trabalho. A minissérie propõe olhá-la de uma forma mais humana, mais moderna e mais favorável – e Sarah Paulson é quem faz a mágica acontecer.

Perfeitamente caracterizada com o penteado marcante da personagem, a atriz cria uma personagem vulnerável e espetacularmente forte ao mesmo tempo. Em seu retrato de feminilidade que não apela para os clichês, Paulson encontra momentos de poder extraordinário em meio a história. O episódio “Marcia, Marcia, Marcia” (1×06), muito elogiado, é seu melhor momento, mas a atriz encontra momentos para inserir expressões comoventes e precisas em todos os capítulos da trama.

Em um ano televisivo que muito falou sobre opressão, política de gêneros (e/ou racial) e injustiças sociais, Paulson se destaca com o retrato mais completo, inteligente e emocional disso tudo. American Crime Story tornou-se essencial pela forma como usava o passado para refletir o presente, na tradição de grandes histórias de época, com uma pitada de linguagem pop adicionada por Ryan Murphy e companhia – nesse cenário, a presença sempre unificadora de Paulson foi tão importante quanto envolvente.

Após vencer o Emmy pela atuação, boatos circularam que a atriz mandou gravar o nome de Clark, que a acompanhou para a premiação, na estatueta. Uma injustiça corrigida em ouro, que faz 2016 parecer um pouco melhor do que foi.