Eis um filme raro de se assistir ultimamente, com diálogos afiados e atuações inspiradas de Jim Broadbent (de Moulin Rouge) e Lindsay Duncan (de Birdman), Um fim de semana em Paris (Le Week end) é acima da média na temporada pós Oscar.

Nick e Meg são professores universitários em Birminghan, na Inglaterra. Para comemorarem o aniversário de casamento, o casal decide revisitar a Paris nostálgica que conheceram há trinta anos na lua de mel. Em cenários familiares parisienses, os personagens tecem discussões intensas e reavaliam a relação da forma mais desconcertante possível. Mesmo a beira de um precipício conjugal, Nick e Meg oscilam entre o amor e o ódio em cenas recheadas de boas reflexões.

Lindsay Duncan rouba a cena em diversos momentos com sua atuação contida, ora cômica ora nervosa. Jim Broadbent tem a chance de explorar com competência um personagem bastante real, professor idoso carente e cheio de decepções com a vida. Em meio ao turbilhão de emoções que o casal passa em um fim de semana, um antigo aluno de Nick, Morgan (Jeff Goldblum), decide convidá-los para uma recepção em sua casa para o lançamento de seu livro. O encontro desencadeará desdobramentos tocantes em um jantar indigesto, porém magistralmente conduzido com sensibilidade pelos atores.


Um fim de semana em Paris é daquela categoria de filmes “Character driven”, isto é, os personagens conduzem a história, não há perseguições de carro, assassinatos ou roubos. O que há neste filme é a exposição franca de um casal de seus sessenta e poucos anos buscando forças para manter uma relação conjugal deteriorada pelo tempo.

Fora do padrão enlatado, o filme possui uma roupagem bastante européia e possui boa direção do diretor Roger Michell, diretor do bem sucedido Um Lugar Chamado Notting Hill (1999). Outro destaque são as intervenções musicais de Bob Dylan e Nick Drake com músicas que representam bem o momentum dos personagens.

Confiram sem medo…

Critica o ano mais vio

Por Marcello Azolino
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