Pastiche é uma imitação de uma obra clássica, sempre levando em conta sua má qualidade nessa reprodução, o pastiche tem quase sempre como seu objetivo o sarcasmo ou a paródia da obra que o originou. Assim, um filme chamado Orgulho e Preconceito e Zumbis fica evidente que seu maior objetivo é ser um bom pastiche.

E se assumir como tal não é necessariamente ruim, muitos cineastas ao redor do mundo seguem essa linha de fazer um cinema calcado no pastiche, na cópia duvidosa de diversos estilos e cinematografias, e que através de suas sátiras desafiam os limites do bom gosto, é o caso do japonês Takashi Miike (Sukyaky Western Django, Morrer ou Viver) e do texano Robert Rodriguez. Mas é necessário muito habilidade para fazer um bom pastiche, a sátira e a ironia não são tarefas para principiantes e parece que Orgulho e Preconceito e Zumbis está exatamente nas mãos de alguém que não sabe lidar com tais características.

Dirigido e roteirizado por Burr Steers (17 Outra Vez, A Morte e Vida de Charlie) adaptado do livro homônimo de Seth Grahane-Smith, a obra é uma sátira completa de uma das mais clássicas obras da grande autora britânica Jane Austen. Colocar zumbis dentro da Inglaterra vitoriana do romance realista de Austen é algo para deixar no mínimo curioso até o mais sério amante de literatura clássica, Bruce Steers possuía em suas mãos um material para realizar um pastiche exemplar. Porém, como já dito, a sátira não é uma das tarefas mais fáceis de fazer.


E se injetar nesse cânone literal um aspecto tão over é o que tornaria esse projeto único, é exatamente a não compreensão do que fazer com ele que faz com que Orgulho e Preconceito e Zumbis seja tão confuso. Parece que o longa de Steers não tem uma unidade, mas sim dois filmes diferentes disputando tempo de tela. De um lado uma sátira exagerada e grosseira de Orgulho e Preconceito, ironizando os costumes de épocas e os aspectos da obra de Austen, repetindo, até mesmo, na íntegra frases do livro clássico. E de outro lado, um longa de aventura zumbi que se passa no Reino Unido do século XVIII. Dessa forma, parece que o filme não cumpre com sua própria proposta, o longa poderia chamar Orgulho e Preconceito, Zumbis, uma vez que os mortos vivos não são exatamente colocados dentro da sátira, mas à margem como um mero atrativo para esse mal sucedido pastiche.

O longa não consegue nem mesmo se levar a sério, e um bom pastiche acredita de fato estar fazendo uma obra séria e é exatamente desse descompasso que surge a comédia nesse tipo de filme. No caso de Orgulho e Preconceito e Zumbis, o longa necessita apostar numa comédia exagerada, que beira o pastelão para conseguir fazer sua sátira, para conseguir ser pastiche, o exemplo máximo disso é o Pastor Collins, interpretado por Matt Smith, que é basicamente a representação do núcleo cômico do filme, e que aposta apenas num humor corporal batido e que pouco funciona.

E como um todo Orgulho e Preconceito e Zumbis é um filme que pouco funciona, que apesar de possuir um material extremamente curioso, não consegue realizar com sucesso nenhuma de suas ideias para a realização de uma sátira, apenas comprovando o quão difícil é realizar um pastiche bem feito.