O diretor brasileiro Afonso Poyart apostou em um filme de ação e aventura – uma combinação de gêneros pouca explorada no Brasil – e estreou no cinema com 2 Coelhos, em 2012. Ele, infelizmente, não teve tanto sucesso de público, mas teve mais êxito de crítica. O cinema brasileiro tem feito uma aposta em comédias. Muitas com muito sucesso de público, mas não de crítica. Agora, Afonso retorna às telas grandes, porém com o seu primeiro filme internacional, Presságios de um Crime.

Os agentes do FBI, Joe Merriweather (Jeffrey Dean Morgan, de Possessão) e Katherine Cowles (Abbie Cornish, de RocoCop) têm diante deles casos de assassinatos provavelmente cometidos por um serial killer. Ao matar, ele não deixa nenhum tipo de pista, dificultando as investigações. Após mais uma morte confirmada cometida pelo serial killer, Joe resolve pedir ajuda – com oposição da sua colega – para um antigo conhecido, o médico John Clancy (Anthony Hopkins, de Jogada de Mestre).

Recluso após a morte de sua filha, John tem um dom que revela o que aconteceu e o que acontecerá com as pessoas a sua volta. Joe o pede para dar uma olhada nos casos. Após lê-los, ele aceita ajudar os agentes do FBI em conseguir identificar o assassino. O modo como este mata suas vítimas e as mensagens deixadas nas cenas dos crimes acabam intrigando John. Por esta razão, ele aceita ajudar Joe e Cowles.


A história de Presságios de um Crime foi criada pelos roteiristas Sean Bailey e Ted Griffin. Sean, que também é um dos produtores-executivos do filme, e Ted conseguiram escrever um roteiro preciso, no qual cenas vão revelando fatos, mas ao mesmo tempo, deixando o longa mais intrigante. Nem sempre o que mostrado é possível ser compreendido.

Este é o primeiro roteiro de cinema de Sean, porém Ted já escreveu roteiros de sucesso como Onze Homens e um Segredo (2001) e Roubo nas Alturas (2011). Eles fizeram uma mistura de gênero até comum na história do cinema: o policial e o mistério. Entretanto, Sean e Ted, ao usarem a premonição ou a clarividência como gancho, puderam explorar toda uma miríade de possibilidades dentro do longa.

Aproveitando-se disto, o diretor brasileiro Afonso Poyart pode trabalhar ideias que ele mostrou em seu primeiro longa-metragem. Afonso é bom diretor e isto fica claro ao ver seu trabalho com os atores e como fez fluir todos os aspectos de Presságios de um Crime. Várias ideias que ele utilizou em 2 Coelhos são postas neste filme de forma perfeita e que combina muito bem com o roteiro.

O elenco escolhido foi mais do que acertado. Anthony Hopkins, outro produtor-executivo da produção, como sempre, é mestre em atuar em papéis nos quais o personagem tem certa habilidade com qual se ajuda e ajuda aos que estão a sua volta. Jeffrey Dean Morgan também está muito bem no papel do agente do FBI que sabe que precisará de mais do que tem disponível para identificar o assassino.

A atriz Abbie Cornish interpreta bem a colega do personagem de Jeffrey Dean Morgan que é incrédula em relação ao que um paranormal pode fazer para ajudá-los em identificar quem está cometendo os crimes. O ator Colin Farrell, da série True Detective, faz parte deste elenco e consegue interpretar um personagem que, apesar de pouco aparecer, é de um peso e de uma profundidade que transforma o filme ao aparecer.

Presságios de um Crime, por causa da história contada, teve uma edição maravilhosa realizada pelo também brasileiro, Lucas Gonzaga. Lucas também trabalhou com Afonso em 2 Coelhos e o acompanhou em sua inda para Hollywood. A edição feita por ele faz com que a história se desenvolva perfeitamente, sem atropelar ou arrastar o filme.

E as imagens sob os cuidados de Brendan Galvin também estão perfeitamente alinhadas com a proposta da produção. O tom frio do filme e a intensa movimentação de câmera – algumas vezes, até desnecessárias – dão uma intensidade que condiz com o todo. Deu intensidade e estranhamento necessários. Brendan trabalhou como diretor de fotografia em Sem Retorno (2015).

O que deixa Presságios de um Crime um projeto redondo é a trilha sonora realizada pelo artista conhecido como BT. Nome artístico de Brian Wayne Transeau, que também compôs a trilha de Lugares Escuros (2015). A trilha de BT consegue acompanhar o ritmo intenso que os outros aspectos técnicos têm. O trabalho dele faz com que tudo se encaminhe perfeitamente bem.

Como John Clancy não pode evitar que as imagens venham à sua mente, o espectador não poderá tirar seus olhos da tela grande. Seguir o ritmo do filme, só o fará mergulhar ainda mais dentro dele, espionando o trio principal de personagens em sua busca por respostas as quais, às vezes, pode ser que não se queira encontrar.