O Quarto de Jack (Room) é um daqueles filmes guiados por atuações impecáveis e cheio de cenas que são prato cheio para bons atores se destacarem. Entrando como azarão na festa do Oscar de 2016, o filme tem chances reais de dar a Brie Larson o prêmio de melhor atriz.

Filmado praticamente no sótão de uma casa, o filme conta a história de “Ma” e Jack (Jacob Tremblay), mãe e filho, que vivem enclausurados depois dela ter sido sequestrada por um psicopata. Fruto de relação sexual com seu algoz, ela acaba dando a luz a Jack, que nasce neste universo claustrofóbico onde apenas uma claraboia, que ilumina o quarto, o conecta com o mundo real.

Quando Jack chega a uma fase em que começa a questionar tudo o que vê a sua volta, Ma percebe que o filho precisa escapar daquele mundo doentio custe o que custar. O menino é a única chance para os dois terem alforria, após sete anos de uma relação doentia provocada pelo desequilibrado vilão da fita, que praticamente aparece de relance em cenas pontuais.


Sem quase nunca deixar a peteca cair, a trama explora bem a relação de mãe e filho e coloca uma lupa nos impactos psicológicos que estes casos de enclausuramento forçado costumam causar. Se Brie Larson tem momentos brilhantes em sua atuação complexa e muitas vezes delicada, o menino Jack é um estouro. A expressão em seu rosto ao ver o céu pela primeira vez é tão tocante quanto arrepiante. Coisa de ator que não precisa nem abrir a boca para transmitir um bocado de mensagens. Como apoio de luxo, ainda contamos com as participações sempre inspiradas de Joan Allen e de Willian H. Macy, comos os avôs de Jack.

Entrar na sinopse mais a fundo entrega surpresas importantes do roteiro, mas é um daqueles filmes impactantes que se baseia menos em produção e mais na atuação. Aqueles famosos filmes do tipo “character driven”. De tempos em tempos, o Oscar agracia parte de suas categorias principais a uma fita de perfil independente, geralmente dramas sólidos como “In the Bedroom” ou “Winter´s Bone”. Desta vez, é a chance de O Quarto de Jack brilhar e colocar o dedo na ferida de uma patologia social que raramente é tratada no cinema. É sem dúvida um filme corajoso.