Parece que após o clássico de David Fincher, Seven – Os Sete Crimes Capitais, os filmes do subgênero serial killer seguiram um rumo único, previsíveis e desinteressantes, o filme que marcou época na década de 90 serviu de referências para filmes facilmente esquecíveis e Presságios de um Crime está nessa categoria.

Presságios de um Crime é o primeiro projeto em língua inglesa de Afonso Poyart, responsável pelo interessante 2 Coelhos, dirigindo logo de início o experiente Anthony Hopkins. O longa acompanha a investigação liderada por um homem com capacidades parapsicológicas (Hopkins) para capturar um assassino em série, que possui as mesmas habilidades de nosso herói. O problema é que o filme consegue cair em todos os clichês do gênero, desde as mensagens deixada pelo criminoso às visões do médium protagonista de Presságios, que evocam religião, gostas da água agitando uma água tranquila, sangue e essas coisas.

Dessa forma, Sean Bailey e Ted Griffin conseguem conceber um roteiro incrivelmente previsível, cada pista deixada pelo assassino é uma confirmação para o espectador, Presságios de um Crime não consegue manter o clima de mistério da trama e muitas vezes parece jogar contra o próprio roteiro, as ideias mais interessantes do longa são as que recebem menos destaque.


A primeira, o encontro entre o médium investigador e o serial killer, num bar, tomando uma cerveja, sem armas, sem ação. Uma sequência que evoca Michael Mann e o famoso “Quer Tomar um café?” em Fogo contra Fogo. Caça e caçador, homens com as mesmas habilidades, o duplo do herói, a sequência mais tensa do filme, sem nenhum tiro ou perseguição, mas que deve durar apenas cinco minutos. Ao contrário dos clássicos filmes Mann (referência absoluta no cinema policial), Presságios não consegue perceber o quão potente é a sutileza e a elegância desse tipo de sequência nesse tipo de filme.

A outra é uma máxima hithcockiana, na qual é sempre mais interessante que o espectador saiba do que irá acontecer antes dos próprios personagens, e com um protagonista que pode prever o futuro isso é um prato cheio, e de fato gera uma interessante sequência final, onde a expectativa é quebrada por uma dessas visões do médium. No entanto, Presságios insiste nas diversas imagens que deveriam causar desconforto ou mistério ao espectador, mas que na verdade só distanciam o público da obra. O filme joga contra suas próprias ideias.

E mesmo Afonso Poyart sendo um excelente diretor de cenas de ação (e sejamos justos que há alguns exemplos disso em Presságios) parece que o brasileiro se ludibriou com orçamento hollywoodiano e caiu na armadilha de utilizar toda extravagância cinematográfica possível. Poyart erra no tom do filme e também parece não entender as sutilezas necessárias dentro de um filme policial. Toda sequência do longa é embalada por alguma música, não há um momento de respiro ou que a imagem fale por si só sem auxílio da trilha musical, acabando num filme cheio de exageros e pouco a acrescentar.

Presságios de um Crime acaba entrando nesse limbo dos filmes esquecíveis no gênero dos serial killers, ainda bem que ainda podemos ver os clássicos de Hitchcock, David Fincher ou Michael Mann.