É inegável que muito do que acontece no Oriente não é repassado com total força e potência para o Ocidente. O Ídolo, de Hany Abu-Assad e em cartaz na 40ª Mostra de SP, busca justamente expor para o mundo como a figura de uma pessoa pode ser tão importante, e também serve como um estímulo transformador para um povo que pouco teve contato com a palavra liberdade nos últimos anos.

Baseado em uma história real, O Ídolo conta a trajetória de Mohammed Assaf, vencedor do Arab Idol de 2013 – programa similar ao American Idol nos EUA. Assaf nasceu e viveu grande parte da sua vida em uma das regiões mais hostis do mundo, a cidade de Gaza, na Palestina; onde lá começou sua carreira como músico. No início do filme acompanhamos todo o percurso da infância de Assaf, junto de sua irmã e seus amigos, que sonhavam em ter uma banda mundialmente famosa.

O diretor acaba usando a figura de Nour – irmã de Assaf – como questionadora dos paradigmas presentes na sociedade palestina, apesar de ser uma criança ela já adquire a consciência de que em sua comunidade o homem têm uma superioridade sobre a mulher, debatendo assim todo o machismo presente na Gaza; principalmente em seu meio, que não a aceitava como uma integrante de um grupo musical, por conta do seu sexo.


Após a apresentação de Assaf dentro do seu universo infantil, o diretor faz então uma transição temporal para Assaf já adulto em 2012, trabalhando como taxista, em uma Palestina extremamente conturbada. Entretanto, o que se pode notar é um teor esperançoso que acompanha o filme ao longo de sua duração, onde apesar do protagonista enfrentar diversas situações tensas ao longo sua vida, sua confiança o acompanha até um final vitorioso.

Quando no filme é mostrado Assaf já no Egito, participando do programa Arab Idol, conseguimos ver a real dimensão que sua figura atingiu no oriente. Sendo o único representante de Gaza, Assaf acaba movimentando multidões em seu país, onde pessoas, dos mais diversos interesses, inclusive políticos, paravam para torcer pelo cantor no programa. ‘W justamente isso que o diretor procura com o filme, detectar na imagem de Assaf, um agente libertário que motivou boa parte da sociedade palestina que se sentia representada através de sua pessoa.

Contudo, um dos grandes problemas do longa é o alto teor melodramático que o diretor utiliza para representar a vida de Assaf. Não só no roteiro, mas também através dos elementos cinematográficos, o filme tenta em diversos momentos causar impactos desnecessários para com o público, mas que pelo contexto da obra e pelo que ela se propõe a passar, acaba se tornando justificável.

O Ídolo assume então, o papel de ser um filme que contempla a falta de representatividade presente por parte dos refugiados na Gaza. Em um momento tão instável que a Palestina viveu e ainda vive, a figura de pessoas como Assaf, são de extrema importância para um povo que ainda busca emancipação.