Crítica | Versões de um Crime

Filmes de tribunal. Muitas são as obras que compõem esse gênero ao longo da história do cinema. Um território usado constantemente por grandes cineastas, que muitas vezes resultaram em clássicos, como 12 Homens e uma Sentença (Sidney Lumet) e Filadélfia (Jonathan Demme).

Versões de um Crime, longa-metragem dirigido por Courtney Hunt, até pode ser intitulado como um “filme de tribunal”, em que grande parte de sua história se passa somente dentro de um julgamento. Contudo, a falta de concisão do filme, faz com que ele caia em um lugar comum, onde não há um envolvimento fundamental, que faça daquele tribunal um palco tão grandioso, quanto aos de outros filmes que abordam a mesma questão.

O longa tem como personagem principal da trama, Ramsey, interpretado por Keanu Reeves, um advogado responsável por defender um garoto (Mike), acusado de matar seu próprio pai, amigo pessoal de Ramsey. Importante dizer que, durante grande parte do filme, Mike e Ramsey não se comunicam, uma vez que o garoto resolve se calar durante todo o julgamento. Desta forma o advogado passa a levar o caso sem trocar uma palavra com seu cliente; atitude no mínimo antiética, de ambas as partes.

Uma vez já apresentada essa questão da incomunicabilidade, a diretora Courtney Hunt, tenta revelar os fatos ao longo do julgamento não somente para o público, mas também para os personagens presentes no tribunal. Desta forma, sempre que algo novo é revelado durante o julgamento, cenas dessas possíveis descobertas são expostas no filme. Contudo, essa intercalação proposta como um respiro ao espectador, acaba por privar um pouco do imaginário do próprio, deixando tudo muito explícito principalmente nas cenas que retratam o pai de Mike, Boone.

Essa explicitação presente em muitos momentos do filme parece interferir também na própria construção dos personagens do longa, onde essa falta de pluralidade acaba tornando alguns personagens um tanto que iverossímeis. E mesmo que em algum momento, um deles tentém mudar essa lógica, como faz Janelle – assistente de Ramsey – ao final da história, o próprio filme reprime a ação de Janelle, e volta novamente para um lugar comum.

Outro fator que prejudica muito o desenvolvimento de Versões de um Crime, é o trabalho com o ator. Renée Zellweger, que interpreta Loretta, mãe de Mike – uma personagem chave da trama – não consegue suprir o que lhe é esperado quanto a carga dramática de algumas situações, interferindo de forma negativa a absorção do filme.

Desta forma, Versões de um Crime, de início, se apresenta como uma obra que aparentemente tentará envolver o espectador dentro de um palco, onde nele está presente suas diversas facetas, que aos poucos serão expostas através de personagens repletos de complexidade. Mas não é isso o que vemos.

Com um final que tenta fazer uma reviravolta na trama, mas de forma totalmente desnecessária, na tentativa de causar uma grande surpresa ao público. Versões de um Crime se mostra um filme que carece de complexidade por parte de seu roteiro – principalmente através dos seus personagens – para sustentar uma obra que se propõe em se situar em um palco grandioso, que por origem, já é munido de complexidade.

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