Punho de Ferro | Crítica – Primeira temporada

Se antes de chegar à Netflix, Punho de Ferro foi criticada pela maior parte da mídia, depois de sua estreia hoje, dia 17 de março, as críticas dificilmente vão melhorar. A série não começa ruim, e traz algumas novidades para o universo que está sendo criado pela Netflix. O primeira dessas novidades é o clima da série. Com muitas cenas durante o dia, a série passa mais tempo com uma boa iluminação do que no escuro das outras produções. Isso nos mostra um protagonista diferente. Menos envolvido com a decadência que Matt Murdock, Jessica Jones e Luke Cage estão acostumados à enfrentar em seus bairros, a trama se muda para Upper West Side, bairro nobre de Nova York.

Danny Rand (Finn Jones), nos aparece primeiramente andando pelas ruas, maltrapilho e descalço (o que não o cansam de lembrar até que eles vista um calçado), até chegar na sede das empresas Rand, antiga empresa de seu pai e de Harold Meachum (David Wenham), sócio que aparentemente está morto. Lá, encontra os filhos de Harold, Joy (com quem o herói tinha uma boa relação) e Ward. Ward Meachum prometia muito. Além de uma atuação impecável de Tom Pelphrey, Ward começa a se mostrar em uma saga interessante em busca do antagonismo. As promessas melhoram quando descobrimos que Harold na verdade está vivo e esteve controlando Ward o tempo todo, o único dos personagens citados que sabe de seu segredo.

De início ninguém acredita que o rapaz descalço que dorme nas ruas é Danny Rand, nem mesmo Joy (Jessica Stroup). Isso leva o caminho do herói até Jeri Hogarth (Carrie-Anne Moss), mosrando sua primeira conexão com o universo de Os Defensores. Até provar quem é, Danny chega a ser internado em um manicômio, já que o rapaz fala o tempo todo sobre ser um herói lendário, o Punho de Ferro, e ter vivido em K’un-Lun, cidade mística que não existe nesse plano. Outra diferença dessa série para as outras é justamente a introdução do místico. O clima da série no começo é bastante realista e Danny parece um ponto fora da curva, de uma maneira boa. O místico é sempre tratado de maneira sútil, com exceção da mão do rapaz, que brilha quando ele concentra seu chi para encarnar o Punho de Ferro.

Após fugir do manicômio, na primeira amostra do que Punho de Ferro é capaz, Danny descobre que Harold estava vivo. E a partir daí que começa o ciclo principal da temporada. Harold acolhe Danny e explica que está sendo mantido nas sombras por um trato que fez com o Tentáculo, organização maligna que Punho de Ferro tem como missão destruir. A segunda ligação com o universo das outras séries é justamente Madame Gao, que já aparecera em Demolidor, como uma dos grandes chefes de máfia, ao lado de Wilson Fisk (Rei do Crime). Madame Gao parece entrar na corrida para disputar a posição de maior antagonista da temporada.

Nesse meio tempo, Danny conhece Colleen Wing (Jessica Henwick), mestre de um dojo, que resolve ajudar o rapaz. Colleen nos é apresentada como alguém que quer ajudar a sua comunidade com as artes marciais, mas acaba descobrindo outras funções para sua luta. Depois de um aluno se envolver com lutas clandestinas, Colleen vai até o local por curiosidade e acaba sentindo prazer em lutar e ganhar dinheiro dessa forma. Aí sua capacidade nos é mostrada, e quando ela começa a lutar lado a lado com Danny é um deleite. As cenas de ação da série são boas. E até o ponto que chegamos, a série agrada e os personagens prometem.

Colleen também é a responsável por apresentar Danny à Claire Temple (Rosario Dawson), a grande ligação entre as séries. A enfermeira dessa vez está cansada de ver seus problemas serem resolvidos pelos outros, e está aprendendo a lutar com Colleen. Claire e Colleen chegam à se juntar à Danny em sua batalha contra o tentáculo, mostrando um protagonista mais acostumado ao trabalho em equipe do que os outros heróis em suas respectivas séries até agora.

As melhores cenas de ação acontecem quando a série ainda está bem. Colleen quando luta clandestinamente chega a enfrentar dois homens com o dobro de seu tamanho em uma jaula, e sai vencedora. Danny é responsável pelas outras. As primeiras acontecem uma seguida da outra, quando Danny busca respostas de Madame Gao, que o faz enfrentar 3 estágios com lutadores diferentes. No último deles, Danny fica vulnerável por causa de um veneno, e quando Madame Gao trai sua palavra e ameaça matar uma vítima inocente, Danny é obrigado à recuar. A melhor luta da temporada acontece quando Danny enfrenta um leão de chácara chinês, que é especializado em lutar bêbado. A movimentação do inimigo é impressionante, os diálogos das lutas são muito bons, e a cena parece realmente uma cena oriental de luta.

Depois desse ponto, a série se perde. Danny não evolui como personagem e continua sendo muito ingênuo, mesmo com todos ao seu redor o avisando sobre isso. Claire Temple deve ter sido a única personagem que não manipulou a ingenuidade de Danny, e só porque ela não tentou. Finn Jones declarou que Punho de Ferro seria importante para Os Defensores por conhecer melhor o perigo que os aguardaria. Isso nos faz acreditar que o grande vilão da série será o Tentáculo. Também nos faz pensar o quanto o grupo de super-heróis está em apuros, pois Danny não sabia de nada sobre o Tentáculo e ao final da série parece que sabe menos ainda.

Diferente de Danny, a série começa a mudar e assume um clima mais escuro, nos preparando então para o final. Nesse ponto o núcleo empresarial é quase deixado de lado e o que acontece nele é sem importância. O único destaque continua com Ward, que aparece cada vez mais louco e prestes a descontar suas frustações em qualquer um. Quando Ward explode, quem paga o preço é seu pai, que é morto com uma facada. Por um lado, essa cena traz à tona um potencial grande vilão, desamparado de tudo que é capaz de matar o próprio pai manipulador. Por outro, Harold parece sempre ter tudo sobre controle, e é uma pena pensar que o personagem vai embora sem mostrar a que veio. O penar acaba logo, pois Harold se mostra imortal e se levanta outra vez.

No núcleo onde Danny Rand está começando a se mostrar como Punho de Ferro, Colleen é ferida quando ela, Danny e Claire conseguem capturar Madame Gao para extrair respostas e pede pela ajuda de seu sensei, personagem misterioso introduzido pouco antes. O misterioso personagem parece entender mais do que Danny sobre o Punho de Ferro, e ensina o rapaz que seus poderes também lhe dão a capacidade de curar. Depois disso, Danny é introduzido ao local para onde Colleeen leva seus estudantes que se destacam. Confuso, Danny começa a investigar o local e descobre que Colleen faz parte do Tentáculo. À essa altura, ele e Colleen estão começando um relacionamento amoroso que é chato o suficiente para só ser citado agora.

O rapaz se sente traído e tenta fugir do local, mesmo com Colleen tentando lhe dizer que ela faz parte do “lado bom” do Tentáculo. Danny consegue fugir graças à ajuda de Colleen e de seu antigo companheiro de K’um Lun, Davos, que aparece do nada na história. Sensei então começa a despontar para a briga de antagonista da série. Na confusão dessa disputa, é Colleen que derrota Sensei, redimindo sua atitude de tentar desvirtuar o herói (por melhores que tenham sido suas intenções). Davos termina o serviço à contra gosto de Colleen e Danny, e seus caminhos começam a se separar por aí. Resolvido o primeiro vilão, nos sobram Ward, Harold e Madame Gao.

Depois de voltar dos mortos, Harold resolve se revelar para Joy e para o mundo. Aí a bagunça piora de vez. O grande manipulador se mostra sem um plano final. Em uma virada ainda mais impressionante, o personagem de Ward é jogado no lixo quando fica ao lado de Danny. Harold é derrotado por Danny em uma luta sem graça. Pelo menos Ward pode matar seu pai depois de Danny derrota-lo, mas infelizmente parece que isso resolveu seus problemas com Danny e um dois bons vilões foram perdidos em uma tacada só. A série acaba então em dois ganchos:

Davos, que nos quadrinhos é Serpente de Aço, inimigo de Punho de Ferro, aparece conversando com Joy, a convencendo à ir contra Danny dizendo que só assim ela teria sua vida normal de volta. O que se entende é que Davos está decepcionado por Danny ter abandonado suas obrigações como protetor da entrada de K’um Lun. Madame Gao, está logo atrás de Joy, ouvindo tudo. A virada dos irmãos surpreende, já que Joy parecia ser mais ligada à Danny do que Ward, que odiava o garoto desde a infância, mas é uma virada ruim, que não faz sentido com o que nos foi mostrado pela série.

O segundo gancho é quando Danny e Colleen estão indo junto para o portão de K’um Lun. Ao chegar lá, ambos percebem que o portão foi atacado e que a entrada para a cidade mística havia desaparecido.

Punho de Ferro começa bem e entrega bons momentos. A história é realmente sobre Danny, e não Punho de Ferro. O herói não chega nem a cogitar algo próximo do uniforme, deixando bem claro visualmente o tempo todo que ainda não está pronto. Colleen é um personagem que esperaremos para ver mais no futuro da saga, assim como Madame Gao, mas só. Danny parece não ter perdido a inocência nem no final da série, algo que começa a incomodar muito da metade para frente, e a razão dos diálogos terem decaído tanto.

Se as lutas no começo agradam e algumas se destacam bastante, a luta entre Danny e Harold é fraca pela falta de coreografia e motivação. Punho de Ferro infelizmente se perdeu no final com a confusão de vilões criados e desperdiçados, enquanto Rei do Crime, Killgrave e Cottonmouth se destacam em Demolidor, Jessica Jones e Luke Cage. Punho de Ferro pinta como o grande paladino do grupo, e sua inocência pode atrapalhar bastante Os Defensores.

Com boas atuações e grandes personagens desperdiçados, Punho de Ferro parece ser o elo mais fraco do universo criado pela Netflix, e com os outros heróis já mais estabelecidos, é possível que ele tenha grande destaque em Os Defensores. Vamos torcer para que isso não atrapalhe a série e que a participação de Sigourney Weaver não seja frustrante como as dos vilões de Punho de Ferro.

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