Crítica | Amityville: O Despertar

Amityville: O Despertar

É preciso dizer: Amityville nunca foi uma boa franquia de horror. E agora em 2017 com Amityville: O Despertar também vale dizer que nada mudou. De seus cinco filmes que chegaram aos cinemas, além de um filme feito para a televisão e vários outros que foram lançados diretamente no formato home-video ou por serviços de streaming, o único razoável é o primeiro: Terror em Amityville, lançado em 1979.

No mais recente capítulo da franquia, a trama gira em torno de uma família que se muda para a cidade de Amityville e passa a viver em uma casa onde 40 anos antes um jovem matou toda a sua família a tiros seguindo as vozes que ouvia em sua cabeça.

Nessa família formada por uma mãe, duas filhas e um filho que está em coma, é possível notar desde o primeiro momento para onde a trama está caminhando pois a construção das personagens soa bastante trivial. As quatro personagens centrais, a mãe nervosa com o tratamento de seu filho e aguentando a pressão de cuidar da família sozinha, a adolescente rebelde que não queria se mudar e a garotinha bastante animada com sua nova vida que sempre conversa com o irmão em coma, acabam não conseguindo criar um ambiente verdadeiramente denso para os acontecimentos que estão por vir.

Por mais que o passado da personagem que pode ser chamada de principal, a adolescente cujo irmão gêmeo está em coma, seja explicado, as relações criadas entre ela e seus colegas de escola acabam parecendo apressadas demais e mesmo a relação mais tempestuosa que é criada entre ela e a mãe não soam convincentes pois os diálogos são, na maioria das vezes, mecânicos e incondizentes com a carga dramática que certas situações necessitam.

Com uma trilha sonora que busca impor uma atmosfera aterrorizante, ouvimos pianos, violinos, vocalizações e exagerados barulhos que fazem todos os detalhes – sonoros e visuais – soarem demasiadamente explicativos e redundantes em busca da criação de um clima de horror que acaba nunca se concretizando. Os pontos altos são realmente as referências feitas aos outros filmes da franquia que servem como alívio cômico.

Passeando entre o pesadelo e a realidade com cortes repentinos e se utilizando de elementos que, por mais que sejam básicos para o gênero, acabam se tornando desmedidamente repetitivos, Amityville: O Despertar acaba não entregando nada mais do que uma narrativa profundamente descompassada onde pequenos momentos de susto parecem importar mais do que construir uma história sólida.

Amityville: O Despertar é um filme bastante fraco que parece apenas criar pequenas e desconexas situações para assustar momentaneamente sua plateia sem se preocupar com tornar sua narrativa mais densa e tem seus méritos apenas quando ri de si mesmo e da franquia em que está inserido.

Amityville: O Despertar
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