Crítica | Entre Irmãs

Entre Irmãs

É necessário bastante coragem ao se propor a realizar um épico em nossos tempos. Com duas horas e quarenta minutos de projeção, Entre Irmãs, novo filme de Breno Silveira (2 Filhos de Francisco; Gonzaga: De Pai pra Filho) atesta mais uma vez a capacidade do diretor em conduzir belas histórias do interior do Brasil.

No filme estrelado por Marjorie Estiano (Emília) e Nanda Costa (Luzia), no Brasil da década de 1930, duas irmãs são separadas pelo destino. Enquanto uma delas passa a viver em meio a alta sociedade da capital, a outra se junta a um grupo de renegados no interior. Porém, ambas terão de enfrentar situações que jamais imaginaram.

Das boas atuações das protagonistas e também de Letícia Colin (Lindalva), Júlio Machado (Carcará) e Rômulo Estrela (Degas), e com uma boa ambientação da década de 30, o filme se aproveita da turbulenta atmosfera política daquele momento e de figuras bastante conhecidas da história do nosso país para traçar um paralelo com inúmeras questões que continuam a ser debatidas nos dias de hoje.

Das relações entre os moradores na pequena cidade onde a história começa até o mundo aristocrático e cheio de aparências da capital, Entre Irmãs, principalmente pelo bom roteiro de Patrícia Andrade baseado no livro A Costureira e o Cangaceiro de Frances de Pontes Peebles, se dedica a explorar suas personagens enquanto expõe inúmeras nuances do ambiente que as cercam, especialmente no que diz respeito às relações de poder.

A edição do longa é um de seus destaques, trazendo algo essencial para a narrativa. O uso dessa montagem paralela, alternando entre a vida de Emília na capital e Luzia junto ao bando de Carcará no interior, é algo que funciona de maneira bastante efetiva e concede a essa trama um ritmo melhor ao intercalar esses dois núcleos narrativos. Sem esse recurso, provavelmente os 160 minutos de projeção poderiam acabar se tornando maçantes, algo que definitivamente não ocorre em Entre Irmãs.

Por mais que a trilha sonora em alguns momentos seja um pouco imódica, esses excessos se conectam diretamente aos grandes romances e épicos com os quais Entre Irmãs estabelece um diálogo. Também, por mais que algumas cenas de ação apresente  nuances irregulares – e até pouco críveis – isso não degrada em demasia o resultado final.

Apresentando um épico genuinamente brasileiro e um ótimo arco de suas protagonistas, o filme se conecta com figuras da história do Brasil e, mesmo com uma história que se passa quase um século antes da data em que chega aos cinemas, apresenta temas essenciais para o Brasil de hoje.

Entre Irmãs é mais um belo trabalho de Breno Silveira, um diretor que sabe como poucos contar histórias sobre o interior do Brasil.

Entre Irmãs
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