Quando a gente fala em comédia nacional no cinema, logo, vem um frio na barriga – não necessariamente positivo. Será que é mais uma história sem pé nem cabeça que tenta fazer rir? Bom, a única maneira é, mesmo, ir até a sala mais próxima e conferir a produção. E, às vezes, há surpresas. Fala Sério, Mãe!, por exemplo, consegue se destacar no emaranhado de besteiróis tupiniquins.

Sem enrolar muito, o filme, logo de cara, dá todas as indicações do que vem a seguir. Ângela Cristina (Ingrid Guimarães) é apresentada como protagonista e faz uma narração complementar das situações, o que dá agilidade ao roteiro. Mãe de primeira-viagem, ela se dá conta que a maternidade não é totalmente um conto de fadas.

Sempre com um tom bem-humorado e cores alegres – desde os créditos, o script tem boas sacadas e traz momentos que geram identificação rápida com o espectador. O simples ato de fazer um bebê dormir pode deixar os pais completamente estressados, por exemplo.

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Se o filme tem uma qualidade, essa está relacionada ao roteiro. Simples e objetivo, não é esquizofrênico e, tampouco, forçado. Tem eficientes começo, meio e fim. Talvez, pecou ao colocar o humorista Paulo Gustavo como ele mesmo em uma situação que não afetou diretamente a narrativa, apesar da diversão.

Com um orçamento não tão elevado, aparentemente, é possível afirmar que Fala Sério, Mãe! é bem-realizado, principalmente, quando se considera o desempenho de Ingrid Guimarães. A atriz se mostra, mais uma vez, segura e com uma composição artística que lhe permite apresentar tranquilamente um protagonismo verdadeiro.

Larissa Manoela, que faz a Malu, não apresentou novidades enquanto interpretação. Ela seguiu o que já fez em outros trabalhos, como em telenovelas, por exemplo. Talvez, porque o personagem não exigiu muito dela enquanto artista, considerando o texto cômico. Nas cenas dramáticas, com lágrimas, ela esteve bem.

Um ponto curioso é que história do filme se passa no Rio de Janeiro, com o foco em uma típica família de classe média da cidade. Porém, Larissa Manoela aparece em cena com sotaque naturalmente paulistano. Os demais personagens, incluindo Ângela Cristina, possuem o jeito de falar da capital fluminense.

Por falar no elenco, é de estranhar que falta diversidade racial entre os personagens relevantes. Nem sequer um dos amigos de Malu, por exemplo, tem pele não branca. O filme erra ao não apostar na representatividade, algo tão importante na atualidade em um país como o Brasil.

No geral, Fala Sério, Mãe! cumpre seu objetivo de divertir sem ser vazio ou tão profundo. É um filme repleto de situações engraçadas, que geram identificação em quem assiste, e que trata da relação de amizade entre mãe e filha, com drama e comédia.

Fala Sério, Mãe!
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