O livro de Penelope Fitzgerald, A Livraria, ganha um longa homônimo que, não só foi indicado à 11 categorias nos prêmios Goya (a maior premiação do cinema espanhol), como faturou 3 desses prêmios: Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Diretor e, o mais importante, Melhor Filme. É com esse retrospecto que o filme chega aos cinemas brasileiros.

A história de A Livraria se passa no final dos anos 50, em uma pequena cidade litoral da Inglaterra, onde Florence Green (Emily Mortimer) resolve abrir uma livraria, indo contra todas as chances de fracasso e grandes figurões da cidade. O longa é dirigido pela veterana Isabel Coixet, e pode ser considerado seu melhor filme depois de La Vida Secreta de las Palabras (2005). Apesar de ter levado o prêmio de melhor direção, Isabel não está impecável no filme. Para alguns olhos mais atentos, alguns enquadramentos podem incomodar, enquanto cenas importantes para trama podem parecer um pouco cafonas.

O filme conta com personagens interessantes ganhando vida em grandes atuações. James Lance tem a atuação mais caricata, mas não deixa o filme perder seu tom. Patricia Clarkson está, como sempre, ótima e elegante. A pequena Honor Kneafsey rouba a atenção sempre que aparece. Emily Mortimer está ainda melhor do que esteve em Match Point, merecendo a indicação de melhor atriz, e é o grande destaque do filme entre os atores. Outro indicado é Bill Nighy, que com seu jeito bastante britânico e “travado” de atuar, se encaixa perfeitamente no papel de Edmund Brundish.


A pior parte de adaptar uma obra literária para o cinema é, inevitavelmente, a adaptação. Parece óbvio, mas transformar frases em imagens nem sempre parece tão complicado quanto é, e isso acaba levando a grandes fracassos. Alguns, nesses casos, preferem usar a narração como subterfúgio. A Livraria é um desses casos, e poderia incomodar, porém, o uso da ferramenta é bem justificado e contribui para o andar da história.

Esteticamente, o filme beira a perfeição. A cidade inglesa é fria, cinza e triste. Enquanto isso, as cores vão se mesclando de acordo com as peças e personagens, trazendo mais movimento para trama. O contraste entre as cores e o cinza faz da fotografia e do figurino grandes destaques no filme. Tudo isso faz de A Livraria um filme mágico, que promete te fazer sonhar, mas sempre com os pés na realidade, já que o tom agridoce que segue o filme do início ao fim o salva de ser um conto de fadas

A Livraria
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