Exorcismos e Demônios deve chegar aos cinemas brasileiros no dia 3 de maio e, se o trailer convencer alguém a ir ao cinema, pode se dizer que muitos sairão decepcionados. Ausente de um motivo que possa justificar sua existência, o filme é sem graça, clichê e, por muitas vezes, catequético.

Sophie Cookson, que você pode conhecer pelos dois filmes da franquia Kingsman, foi a encarregada de protagonizar o filme e, infelizmente, mostrou-se fraca, com baixo carisma e com uma pífia capacidade de atuação que só não é superada por Jeff Rawle, que interpreta seu tio e chefe, pelo baixo tempo de tela dado ao ator. Os destaques de atuação vão para Corneliu Ulici, intérprete do Padre Anton, que poderia ter feito um melhor trabalho se tivesse alguém melhor para contracenar, e para Brittany Ashworth e Ada Lupu, que interpretam as irmãs Vaduva e Adelina.

O diretor Xavier Gens consegue mostrar um trabalho ainda mais sem vida do que fez em Hitman: Assassino 47. Com enquadramentos ruins, uma péssima movimentação de câmera e uma fotografia apática, a impressão que o filme te dá é que quando a fotografia acerta, somente a céu aberto, é puro acaso. A péssima iluminação não serve nem para assustar e, mesmo quando estamos dentro de igrejas, a iluminação que já costuma ser trabalhada nesses tipos de edificações é completamente desperdiçada.

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O filme conta também com diálogos fracos e até erros de continuidade. Um deles, muito marcante, mostra a protagonista indo dormir com uma camisa abotoada até o pescoço. Ao acordar de um sonho erótico, a personagem está com a camisa desabotoada, chegando a mostrar quase um dos seios por completo, somente para, no próximo momento, ter sua camisa abotoada novamente até o pescoço. Erro que, provavelmente, veio de uma tentativa de sensualizar um momento que deveria ser de tensão e medo, apesar do filme pouco usar do recuso de pornografia velada que vemos no cinema.

A trama do longa também é extremamente batida. Recheada de situações já vistas anteriormente, a ideia de contrastar a razão e a fé, mostrando o antagonismo de uma com a outra, é rasa, e não consegue nem fazer o espectador sair com ao menos uma dúvida superficial sobre o tema. Reflexo disso, o conflito final é inacreditavelmente desprovido de emoção, chegando a um ápice morno e sem graça, já que, também, o público não deve conseguir simpatizar com os personagens envolvidos. Não bastasse, o final é seguido por um momento de cafonice indescritível.

Com poucos momentos de tensão e com sustos baseados mais na trilha sonora do que no próprio filme, Exorcismos e Demônios não acrescenta nada ao gênero em sua obviedade e, mesmo aquele que for ao cinema com a intenção de se assustar, não pulará da cadeira mais de três vezes.

Exorcismos e Demônios
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