Todo Clichê do Amor

Por Marx Walker

Esse é um filme classificado como comédia, dirigido por alguém que se destacou em um suspense, contando a história de três romances, pontuados de suspense, drama e pornô, cujo entendimento do que se pode “tirar de moral” nesses 83 minutos produzidos em 2017 podem gerar um verdadeiro terror na cabeça do espectador.

O longa de Rafael Primot aborda um universo onde uma madrasta (Maria Luísa Mendonça) até então má busca se aproximar de sua enteada durante o velório do pai da menina; um aparentemente pacato motoboy (o próprio Primot) apaixonado por uma garçonete comprometida e fiel (Débora Falabella) que visa conquista-la a todo custo; e por fim a não menos complexa e louca relação entre um ator pornô (João Baldasserini) e sua esposa (Marjorie Estiano), uma prostituta que deseja ser mãe, ambos com “rolos externos”.


Se utilizando de um sistema que conta uma história dentro de outra história, o filme busca discutir as mais diversas barreiras existentes dentro das mais variadas configurações de relacionamentos possíveis, que por mais diferentes que sejam, passam em algum momento pela utilização das cafonas e clichês reflexões de amor para se diagnosticarem no intuito de se resolverem.

Contudo, para alguns, pode ser que o subliminar convite para se refletir acerca desses tabus todos para chegar na moral resolutiva de cada conto soe incisivo demais, algo que pode embaralhar o objetivo do que o espectador foi de fato fazer ali, dado que ele escolheu algo para rir, e diante dessa interseção de sentimentos, se sentir comprando pouco do que queria levar.

Na atuação elenco, o destaque fica por conta de Marjorie Estiano, que não consegue se meter em nada se não for pra fazer bem feito, algo que aqui fica para lá de comprovado, dado que é um dos papéis mais agudos feitos pela atriz/cantora até aqui.

Aliás, falando em profissionalismo, pode ser curioso notar o quanto a entrega de alguns atores pode ser boa até demais para o que se estava pedindo. Estiano e Mendonça, por exemplo, atuam tão bem que em algum momento você pode sentir (mais do que qualquer outra coisa) desejo por uma é ódio pela outra.

Os enquadramentos sob cores quentes alocados em cenários fixos situam bem o receptor do que se passa ali, mas este, devido as cenas mais polêmicas, pode se sentir claustrofóbico dentro de um assunto no qual o mesmo tem severas restrições, algo que pode fazer com que ele torça para aquela cena terminar logo, algo péssimo para qualquer filme.

Se restar alguma dúvida da mistureba de sensações que o espera, vale revisar o trailer, que se encarrega de dar o aviso que o filme é mesmo uma farofa que promete um novo sabor a cada mastigada, ao enfatizar que se trata do “filme de amor mais esquisito dos últimos anos”, onde são citados os ingredientes sobressalentes, mas omite-se alguns temperos que podem ser sensíveis demais para alguns paladares.

O autossarro ajuda a divulgar na pegada Gentili que o filme é hilário, mas passa longe do conceito literal de stand up.

Todo Clichê do Amor estreia dia 19 de abril, no dia do índio, e o meu coração diz que os trolls não demorarão para constatar que o programa é pertinente a data.

Todo Clichê do Amor
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